STF está dividido sobre investigação contra Moraes no caso Master
Quatro ministros são favoráveis à apuração, três são contrários e Cármen Lúcia ainda é considerada voto indefinido; Moraes e Toffoli devem se declarar suspeitos na análise do caso
Créditos: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
O placar de uma eventual votação no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no caso Master ainda é incerto.
Neste momento, a Corte está praticamente dividida ao meio. Quatro ministros são considerados favoráveis à investigação e três são contrários.
Entre os favoráveis estão o presidente do STF, Edson Fachin, além de Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.
No grupo contrário estão Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Moraes e Dias Toffoli devem se declarar suspeitos e, portanto, não participar da votação. Com isso, Cármen Lúcia é apontada como o único voto ainda indefinido.
Se Cármen Lúcia votar contra a investigação, o julgamento poderá terminar empatado. Nesse cenário, o resultado favoreceria a parte apontada como suspeita, o que impediria a abertura da apuração contra Moraes.
Votação pode ocorrer na próxima semana
O ministro André Mendonça pediu que o plenário do STF analise se Alexandre de Moraes deve ser investigado.
Antes de levar o caso à votação, porém, Mendonça precisa apresentar o relatório. A previsão é que o documento seja entregue na segunda-feira (7) ou na terça-feira (8).
Depois disso, caberá a Fachin definir a inclusão do caso na pauta do Supremo. A tendência é que a análise ocorra já na próxima semana.
Fachin também pretende atender ao pedido de Mendonça para que a sessão seja aberta e transmitida ao vivo pela TV Justiça. A medida daria maior transparência à discussão em torno do caso.
7 de Setembro aumenta pressão sobre o STF
A eventual votação deverá ocorrer sob o impacto das manifestações previstas para segunda-feira (7), Dia da Independência, na Avenida Paulista, em São Paulo.
O ato tradicionalmente reúne grupos ligados à direita e, inicialmente, era tratado como uma manifestação de grande relevância, mas com expectativa de público mais moderada.
Nos últimos dias, porém, grupos bolsonaristas passaram a trabalhar com a possibilidade de reunir até 100 mil pessoas na avenida.
Se esse número for alcançado, a pressão política sobre o Supremo poderá aumentar, principalmente em relação à decisão sobre uma eventual investigação da atuação de Moraes no caso Master.
Grupo de Moraes prepara reação
Ministros que defendem Moraes devem se contrapor à iniciativa de Mendonça com o argumento de que uma investigação não poderia se limitar ao ministro e teria consequências para outros integrantes da Corte.
Entre os pontos que podem aparecer nessa discussão estão referências a familiares de Nunes Marques, ao resort Tayaya e ao próprio Toffoli.
Também deverá ser mencionado o encontro de André Mendonça com Daniel Vorcaro, revelado nesta quarta-feira (2).
Mendonça encontrou o ex-banqueiro em março de 2025. Segundo o gabinete do ministro, a conversa tratou da Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava em julgamento no STF e discutia créditos de precatórios de interesse do Banco Master.
Na ocasião, Mendonça votou contra os interesses do banco.
O ministro também se encontrou com o advogado Ciro Soares, que trabalhava com Vorcaro, em uma alfaiataria em São Paulo. Mendonça nega ter recebido presentes durante esse encontro ou em qualquer outra ocasião.
O que consta no relatório da PF
A discussão sobre uma eventual investigação de Moraes ganhou força após a divulgação de um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal (PF).
O documento foi elaborado a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro e reúne mensagens entre o fundador do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes.
O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes relacionadas à venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília).
Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
O relatório foi produzido a pedido de André Mendonça para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento ao Supremo em 27 de agosto de 2026.
Relatório não permite reconstruir todas as conversas
Parte das mensagens analisadas pela Polícia Federal foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp.
Por isso, em vários diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar as mensagens enviadas por Vorcaro, mas não o conteúdo das respostas recebidas.
Isso também ocorre nas conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Nesses casos, não é possível reconstruir integralmente todos os diálogos.
A própria Polícia Federal ressalta que a análise “não possui caráter exaustivo”. Segundo a corporação, o trabalho foi realizado em um prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial.
A PF também informou que podem existir outras citações ou referências indiretas que ainda não foram identificadas pelos investigadores.
O conteúdo do relatório veio a público na terça-feira (1º), depois que André Mendonça retirou o sigilo da ação. A partir da divulgação dos documentos, aumentou a pressão para que o Supremo defina se haverá ou não uma investigação específica sobre a atuação de Moraes no caso Master.
***Com informações do Poder 360
