Rangel reage a ataque de Moro e leva embate político à tribuna da Alep
Deputado cobra explicações de senador após ser chamado de “serviçal da mentira” e liga reação a denúncias sobre contratos da Fiep
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Valdir Amaral
O embate entre o deputado estadual Marcelo Rangel e o senador Sergio Moro ganhou novo capítulo nesta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Paraná. Da tribuna, Rangel reagiu publicamente a uma postagem do senador nas redes sociais e cobrou explicações após ser chamado de “serviçal da mentira”.
A fala elevou o tom político da sessão e transformou um episódio de redes sociais em confronto institucional, com direito a resposta direta, insinuações e apoio da oposição ao deputado.
Rangel iniciou seu pronunciamento afirmando que não havia citado Moro em sua fala anterior, quando tratou de contratos da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), mas que foi surpreendido pela reação do senador. “Eu não entendi por quê, qual o sentido de uma nota como essa”, disse.
Na sequência, reproduziu o conteúdo da postagem e reagiu. “O senador Sérgio Moro disse o seguinte na rede social: o deputado Marcelo Rangel foi rejeitado pela população, agora tornou-se um serviçal da mentira”, afirmou.
Ao longo do discurso, Rangel tentou desqualificar o ataque e levantou a hipótese de que o próprio Moro não teria escrito a publicação. “Eu acredito que possa ter sido um comissionado do gabinete do senador, ou então o estagiário, alguém que esteja mal intencionado”, disse.
A estratégia foi dupla: ao mesmo tempo em que critica o conteúdo, Rangel tenta esvaziar a autoria direta do senador, criando uma saída política para um eventual recuo. Ainda assim, cobrou resposta formal. “Eu gostaria que o senhor me respondesse se realmente fez essas acusações ou se foi alguém que utilizou o seu nome oficial”, afirmou.
O deputado também vinculou o ataque ao contexto das denúncias que vem apresentando na Assembleia, especialmente sobre contratos da Fiep. Segundo ele, todas as informações levadas à tribuna têm base em dados públicos e foram encaminhadas a órgãos de controle. “As denúncias apresentadas aqui foram encaminhadas para o Tribunal de Contas da União, para o Tribunal de Contas do Estado e para o Ministério Público”, disse.
A reação de Rangel encontrou eco imediato na oposição. Em aparte, o deputado Arilson Chiorato transformou o episódio em crítica mais ampla ao histórico político de Moro, associando a reação do senador a um padrão de comportamento diante de questionamentos.
“Quando o Moro ataca a Vossa Excelência, o senhor tem que ficar feliz. O dia que ele elogiar, se preocupe”, disse. Em seguida, foi além ao sugerir que reações desse tipo podem indicar incômodo com investigações. “Quando a reação é desproporcional desse jeito, pode ser que tenha alguma coisa a ver”, afirmou.
Arilson também resgatou críticas à atuação de Moro na Lava Jato e questionou sua relação com o Paraná. “Ele não conhece o Paraná, tentou ser candidato por São Paulo e caiu de paraquedas de volta aqui”, declarou.
De volta à tribuna, Rangel reforçou o tom de cobrança e fez um movimento político ao lembrar que já apoiou Moro no passado. “Eu lhe apoiava quando o senhor estava à frente da Lava Jato”, disse. Em seguida, afirmou que o senador estaria perdendo credibilidade. “Por ter duas posições, me parece que está perdendo a confiança de muitos eleitores”, completou.
O episódio ocorre em meio a um ambiente político já tensionado por denúncias envolvendo contratos e gastos de entidades ligadas ao setor industrial no Paraná. Ao levar o conflito para o plenário, Rangel amplia o alcance da disputa e pressiona Moro a se posicionar não apenas nas redes sociais, mas no campo institucional.
Até o momento, o senador não se manifestou oficialmente sobre as declarações feitas na Assembleia.
A troca de ataques evidencia um cenário de escalada política que ultrapassa o episódio pontual e se insere em um contexto mais amplo de reposicionamento de lideranças no Estado, com reflexos diretos no tabuleiro eleitoral dos próximos anos.
Créditos: Redação
