Curitiba prevê um orçamento recorde de R$ 16,39 bilhões para 2027, segundo a proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apresentada pela administração municipal. O valor representa crescimento de 6,3% em relação ao orçamento previsto para 2026, estimado em R$ 15,42 bilhões.
A projeção inclui R$ 1,69 bilhão em investimentos públicos, com foco em obras de infraestrutura, habitação, mobilidade urbana, saúde, educação e drenagem.
Os detalhes da proposta foram apresentados nesta terça-feira (12) em audiência pública online pelo diretor do Departamento de Orçamento da Secretaria de Planejamento, Finanças e Orçamento de Curitiba, Carlos Eduardo Kukolj.
A proposta da LDO deve ser encaminhada até sexta-feira (15) para análise da Câmara Municipal. O texto servirá de base para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que define oficialmente o orçamento do município para 2027.
A previsão da prefeitura considera crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional no próximo ano, inflação de 3,83% pelo IPCA e taxa Selic em 11,73%.
Pela estimativa apresentada, as receitas correntes do município devem chegar a R$ 14,5 bilhões, enquanto as receitas de capital devem somar R$ 1 bilhão. Já as receitas intraorçamentárias, realizadas entre órgãos da própria administração municipal, estão estimadas em R$ 891 milhões. Descontado esse valor, o orçamento líquido previsto para 2027 é de R$ 15,5 bilhões.
A maior parte da arrecadação continuará vindo de receitas próprias da capital. Segundo a projeção, 59,3% das receitas correntes serão originadas no próprio município, enquanto 16,7% virão de transferências da União e 12,5% do Governo do Paraná.
A arrecadação com impostos, taxas e contribuições de melhoria deve atingir R$ 6,85 bilhões. Já as operações de crédito estão estimadas em R$ 540,6 milhões. As transferências de capital devem somar R$ 367,5 milhões, enquanto outras receitas de capital podem alcançar R$ 92,7 milhões.
Na área de investimentos, a prefeitura prevê recursos para pavimentação, drenagem, construção de moradias, implantação de calçadas, revitalização de parques e bosques, ampliação da iluminação pública, reformas e construção de CMEIs e unidades de saúde.
Entre os projetos considerados prioritários estão a ampliação da capacidade da linha Inter II, a continuidade da Linha Verde Norte-Sul, melhorias no eixo de transporte coletivo Leste/Oeste e ações de gestão de risco climático no Bairro Novo da Caximba.
Do lado das despesas, o município projeta gastos correntes de R$ 14,14 bilhões, despesas de capital de R$ 1,99 bilhão e reserva de contingência de R$ 254,8 milhões.
Os gastos com pessoal e encargos devem consumir R$ 7,35 bilhões do orçamento. Outras despesas correntes estão estimadas em R$ 6,65 bilhões, enquanto juros e encargos da dívida devem somar R$ 147,1 milhões.
Nas despesas de capital, estão previstos R$ 104,7 milhões em inversões financeiras e R$ 203,3 milhões para amortização da dívida pública.
A Saúde deverá concentrar a maior fatia do orçamento municipal em 2027, com 22,72% dos recursos. Em seguida aparecem Educação, com 19,77%; Previdência Social, com 15,89%; Urbanismo, com 14,41%; e Administração, com 7,53%.
A prefeitura também prevê aporte de R$ 826 milhões para o regime próprio de previdência social e gastos de R$ 127 milhões com pagamento de precatórios no próximo ano.
Segundo a administração municipal, as prioridades previstas na LDO foram definidas a partir das demandas apontadas por mais de 7,5 mil participantes do programa Fala Curitiba, principalmente nas áreas de pavimentação, iluminação pública, saúde, segurança e educação.