PF investiga esquema de fraude em financiamento público e lavagem de dinheiro em Ponta Grossa
Investigação da Polícia Federal aponta uso de empresas de fachada e documentos falsos para obtenção irregular de mais de R$ 547 mil em financiamentos públicos
Créditos: Polícia Federal
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (12), a Operação Backhoe, que apura um esquema de fraude em financiamentos públicos e lavagem de capitais em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão em estabelecimentos comerciais da cidade e mira suspeitos de envolvimento em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Segundo a investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), o grupo investigado teria utilizado empresas de fachada e documentação contábil ideologicamente falsa para obter financiamentos junto a uma instituição financeira pública federal. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 547 mil.
De acordo com a PF, o esquema era estruturado para driblar os mecanismos de controle e conformidade bancária, permitindo a liberação irregular dos recursos. Após a obtenção do dinheiro, os valores eram rapidamente desviados e convertidos em patrimônio de difícil rastreamento, dificultando a identificação do destino final dos bens financiados.
As apurações indicam que parte dos ativos pode ter sido direcionada a estabelecimentos do setor automotivo. Há suspeitas de que os bens financiados tenham sido encaminhados para desmanche e posterior comercialização fracionada de peças, hipótese que ainda está sendo aprofundada pelos investigadores.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais também buscaram apreender valores em espécie sem comprovação de origem. Conforme a investigação, há indícios de lavagem de capitais identificados a partir de análises de inteligência financeira realizadas no decorrer do inquérito.
O nome da operação, “Backhoe”, faz referência ao maquinário que teria sido objeto do desvio investigado pela Polícia Federal. A corporação informou que as diligências têm como objetivo reunir novos elementos de prova, consolidar a materialidade dos crimes e identificar toda a cadeia de comando responsável pelas fraudes e pela ocultação dos bens.
Os investigados poderão responder pelos crimes de obtenção de financiamento mediante fraude, previsto na Lei nº 7.492/86, além de estelionato qualificado contra entidade pública. Somadas, as penas podem ultrapassar dez anos de prisão.
A Polícia Federal informou ainda que a operação segue sob segredo de Justiça para preservar a eficácia das diligências e evitar prejuízos às investigações em andamento. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre prisões ou o número total de investigados envolvidos no esquema.
