Pedágio completa um ano no Oeste do PR sob cobranças por obras e tarifas altas
Usuários questionam custo das praças e cobram mais rapidez em duplicações, segurança viária e melhorias estruturais nas rodovias do Lote 6
Créditos: EPR Iguaçu
A retomada do pedágio nas rodovias do Oeste e Sudoeste do Paraná completa um ano nesta sexta-feira (8) cercada por cobranças de motoristas, transportadores e lideranças regionais. Embora a concessionária EPR Iguaçu
apresente números positivos sobre recuperação de pavimento e atendimento aos usuários, a percepção de parte da população ainda é de que as obras estruturantes seguem em ritmo abaixo do esperado diante do valor cobrado nas tarifas.
A empresa assumiu em maio de 2025 a concessão de 662 quilômetros de rodovias que integram o Lote 6 do novo modelo de pedágio do Paraná. O trecho inclui a BR-277, entre Prudentópolis e Foz do Iguaçu; a BR-163, entre Cascavel e Realeza; além das rodovias PR-182, PR-483, PR-180, PR-280 e PR-158.
No balanço divulgado pela concessionária, a EPR afirma ter recuperado mais de 700 quilômetros de faixas, implantado 7 mil placas de sinalização vertical, executado mais de 626 mil metros quadrados de sinalização horizontal e instalado mais de 344 mil tachas refletivas nas rodovias sob concessão.
A empresa também destaca a realização de 151 mil atendimentos a usuários, incluindo socorro médico, mecânico e inspeção de tráfego, com média de aproximadamente 450 ocorrências atendidas por dia.
Apesar disso, usuários das rodovias seguem apontando problemas antigos em diversos trechos, principalmente relacionados à falta de duplicações, gargalos urbanos, risco de acidentes e demora em obras consideradas essenciais para o fluxo regional e o escoamento da produção agrícola.
A principal insatisfação está ligada ao custo das tarifas. Motoristas reclamam que os preços pagos nas praças ainda não são acompanhados por melhorias proporcionais na infraestrutura. Para muitos usuários, a expectativa criada em torno do novo modelo de concessão era de que as obras estruturantes começassem em ritmo mais acelerado já no primeiro ano de contrato.
O debate ganha ainda mais força em uma região fortemente dependente do transporte rodoviário. O Oeste do Paraná concentra grande parte da produção agropecuária do estado e possui intenso fluxo de caminhões, ônibus e veículos de passeio diariamente.
Representantes do setor logístico e lideranças empresariais defendem fiscalização rigorosa sobre o cumprimento do contrato de concessão e maior transparência em relação aos cronogramas das obras prometidas.
O diretor-presidente do Núcleo EPR Paraná, Marcos Moreira, afirmou que a concessionária conseguiu antecipar metas contratuais importantes ligadas à recuperação das pistas e melhoria das condições de trafegabilidade. Segundo ele, a empresa manteve diálogo com comunidades locais para definir soluções consideradas prioritárias.
Já o diretor-executivo da EPR Iguaçu, Silvio Caldas, destacou obras como a liberação do tráfego sob o Viaduto de Santa Lúcia e os serviços de contenção na Serra da Esperança como avanços importantes no primeiro ano da concessão.
Para o segundo ano do contrato, a concessionária promete ampliar os investimentos com a implantação de três Pontos de Parada e Descanso (PPDs) para caminhoneiros, novos postos de pesagem dinâmica e cinco unidades operacionais para as polícias rodoviárias.
Os pontos de parada devem ser instalados em regiões de Candói, Catanduvas e Ampére. Já os postos de pesagem estão previstos para trechos em Cascavel, Guarapuava e Lindoeste. A concessionária também prevê novas unidades da Polícia Rodoviária Federal e do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual em cidades estratégicas do trecho concedido.
Mesmo com as promessas para os próximos anos, usuários seguem cobrando que as obras saiam do papel com mais rapidez e que o avanço da infraestrutura acompanhe o impacto financeiro imposto aos motoristas desde a volta da cobrança do pedágio no Paraná.
