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Lucro da Sanepar cai 71% no 1º trimestre de 2026, para R$ 352,7 milhões Créditos: Geraldo Bubniak/AEN

Lucro da Sanepar cai 71% no 1º trimestre de 2026, para R$ 352,7 milhões

Companhia teve lucro líquido de R$ 352,7 milhões no primeiro trimestre, enquanto receita avançou 8%; resultado foi afetado pela forte base de comparação de 2025, marcada pelo reconhecimento de precatórios

O lucro líquido da Sanepar caiu 71% no primeiro trimestre de 2026, para R$ 352,7 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi influenciado principalmente pela forte base de comparação do primeiro trimestre de 2025, quando a companhia reconheceu valores relacionados a precatórios da União.

A receita líquida da companhia chegou a R$ 1,95 bilhão entre janeiro e março, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025. Já o Ebitda, indicador utilizado para medir o desempenho operacional, somou R$ 843 milhões, queda de 24%.

Apesar da redução do lucro e do Ebitda contábil, a Sanepar informou que o Ebitda ajustado, sem considerar itens não recorrentes, apresentou alta de 3%.

Precatórios pesam na comparação

A diferença entre os resultados dos dois períodos está relacionada, em grande parte, ao reconhecimento de valores extraordinários no primeiro trimestre de 2025.

Naquele período, a Sanepar reconheceu um precatório a receber da União referente à repetição de indébito tributário de Imposto de Renda entre 1996 e 2020. O reconhecimento gerou uma receita operacional extraordinária e elevou o resultado da companhia no ano passado.

Com isso, os custos e despesas operacionais apresentaram alta de 52% na comparação anual quando considerados os efeitos dos precatórios.

Sem esse impacto, segundo os números apresentados pela companhia, os custos e despesas operacionais teriam recuado 10%.

A despesa com pessoal, por exemplo, caiu 46%. A comparação é influenciada pela provisão de R$ 172 milhões relacionada ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), registrada no primeiro trimestre de 2025.

Na direção contrária, houve aumento nos gastos com energia elétrica, que subiram 10%, serviços de terceiros, com alta de 15%, e depreciação, que avançou 14% devido à entrada de novos ativos em operação.

O resultado financeiro também mudou de forma significativa. A Sanepar registrou resultado negativo de R$ 73 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante resultado positivo de R$ 185 milhões no mesmo período de 2025.

A diferença também está ligada aos efeitos dos precatórios. No ano passado, houve o reconhecimento de juros extraordinários relacionados aos valores a receber, o que não se repetiu neste ano.

Considerando esses efeitos, o lucro líquido caiu 71%, para R$ 352,7 milhões. Quando retirados os itens não recorrentes, o lucro líquido ajustado apresentou queda de 17%.

Receita cresce com água e esgoto

A Sanepar encerrou o primeiro trimestre com 3,54 milhões de ligações de água, crescimento de 1% em um ano. As ligações de esgoto chegaram a 2,67 milhões, alta de 3%.

O número de economias também aumentou. A base de água cresceu 2%, enquanto a de esgoto avançou 3%.

Os volumes faturados acompanharam esse movimento. O volume de água subiu 1% e o de esgoto aumentou 2%, com a categoria residencial puxando o crescimento.

A revisão tarifária de 3,8%, aplicada a partir de maio de 2025, também contribuiu para o avanço da receita.

A receita bruta com água cresceu 7%, enquanto a de esgoto aumentou 10%. Com isso, a receita líquida chegou a R$ 1,95 bilhão, alta de 8%.

Geração de caixa e dívida

A geração de caixa operacional foi de R$ 653 milhões no trimestre, queda de 11% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

A companhia converteu 78% do Ebitda em caixa.

A dívida líquida também apresentou redução. O indicador caiu de R$ 4,76 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 1,92 bilhão neste ano.

Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda passou de 1,5 vez para 0,7 vez. O indicador mostra uma redução importante da alavancagem financeira da companhia.

Sanepar terá novo reajuste em 2026

Para este ano, um dos principais fatores que devem influenciar a receita da Sanepar é o reajuste tarifário aprovado pela Agência Reguladora do Paraná (Agepar).

Em abril, a agência homologou o reajuste tarifário anual de 2,50%. A nova tarifa média passou para R$ 7 por metro cúbico e entrou em vigor em maio de 2026.

A companhia também segue dentro do ciclo da terceira Revisão Tarifária Periódica, referente ao período de 2025 a 2028. A Base de Remuneração Regulatória ainda passa por fiscalização da agência.

Outro ponto importante é o volume de investimentos. A Sanepar aplicou R$ 588 milhões no primeiro trimestre, alta de 21% na comparação anual. Os investimentos tiveram destaque principalmente na área de esgoto.

A expectativa é que os aportes contribuam para a expansão da base atendida nos próximos períodos, ao mesmo tempo em que aumentam a depreciação devido à entrada de novos ativos em operação.

Queda das ações amplia debate sobre a Sanepar

O desempenho financeiro também ocorre em meio à discussão sobre o futuro da Sanepar e o papel da companhia no mercado.

Para críticos de privatizações, a combinação entre redução da lucratividade e desvalorização de uma empresa pública pode gerar preocupação sobre o futuro do controle estatal. Esse grupo argumenta que a perda de valor de mercado pode ser utilizada, em determinadas situações, para defender posteriormente uma abertura maior ao capital privado ou a venda de ativos.

O debate ganhou força no Paraná após a privatização da Copel. Setores da oposição e entidades ligadas aos trabalhadores já demonstraram preocupação com a possibilidade de outras empresas públicas seguirem caminho semelhante.

No caso da Sanepar, a queda das ações, a redução do lucro e as mudanças no ambiente regulatório passaram a ser acompanhadas dentro dessa discussão. Esses fatores, porém, não significam, por si só, que exista um processo de privatização em andamento.

Do outro lado, defensores de uma maior participação do capital privado argumentam que oscilações das ações fazem parte do funcionamento do mercado e não representam necessariamente uma perda permanente de valor ou uma preparação para a venda da companhia.

Para os investidores, os próximos resultados devem mostrar como a Sanepar vai lidar com os efeitos da revisão tarifária, os investimentos previstos e a recuperação das margens operacionais. A destinação dos valores relacionados aos precatórios também permanece entre os fatores acompanhados pelo mercado.

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