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Bancos fecham crédito para Nelson Tanure após sequência de reveses Créditos: Redes sociais

Bancos fecham crédito para Nelson Tanure após sequência de reveses

Empresário passou a ser atendido por áreas de reestruturação de crédito, enquanto bancos executam dívidas e assumem participações dadas em garantia; Tanure também é alvo de investigação da PF sobre o Banco Master.

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O empresário Nelson Tanure perdeu o acesso ao crédito nos principais bancos da Faria Lima depois de uma sequência de problemas financeiros, execuções de dívidas e do avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.

Executivos do mercado financeiro que tiveram contato direto com Tanure nos últimos anos afirmam que os bancos deixaram de oferecer novas operações de crédito ao empresário. Atualmente, segundo essas fontes, o relacionamento passou a ser tratado principalmente pelos departamentos responsáveis por reestruturação de crédito.

“Quem cobre ele em todos os bancos é o departamento de reestruturação de crédito. O único banqueiro que mantém algum diálogo com ele é a Câmara (Alexandre Câmara, diretor responsável pela área de ‘situações especiais’ do BTG Pactual), mas porque os credores precisam que alguém mantenha algum contato”, afirmou um credor de Tanure na Faria Lima.

O cenário se agravou depois de operações de crédito que tinham ações de empresas como garantia serem executadas pelos bancos. Em meio a esse processo, Tanure perdeu participações em companhias e passou a enfrentar uma relação cada vez mais restrita com as instituições financeiras.

Vencimento antecipado de operação com o UBS

Um dos principais pontos de ruptura ocorreu em outubro de 2025, quando o UBS antecipou o vencimento de uma operação de “collar finance” avaliada em pelo menos R$ 2 bilhões.

A operação havia sido estruturada ainda na época do Credit Suisse, posteriormente adquirido pelo UBS, e tinha como garantia ações da Prio, uma das empresas que tiveram participação importante na trajetória de Tanure no mercado financeiro.

Segundo estimativas de fontes da Faria Lima, o empresário já não possui uma participação relevante na companhia.

Seu filho, Nelson Queiroz Tanure, é acionista e presidente do conselho da Prio. Ele também é apontado no mercado como um dos responsáveis pelo desempenho da empresa.

Antes disso, a XP havia antecipado o vencimento de uma operação de R$ 520 milhões concedida a Tanure por meio de debêntures garantidas por ações da Emae e da Ambipar.

O processo resultou na perda da Emae, empresa que estava sob controle do empresário.

Dívida de cerca de R$ 1,5 bilhão

Tanure ainda tem uma dívida estimada em aproximadamente R$ 1,5 bilhão com um grupo formado por BTG Pactual, Prisma, Farallon e Santander.

As instituições financiaram a aquisição da Copel Telecom, atualmente Ligga, pelo empresário. Com o não pagamento de parcelas previstas nos contratos, os credores executaram a dívida e assumiram participações que estavam em poder de empresas ligadas a Tanure.

Entre os ativos envolvidos estão participações em companhias como Light e Alliance.

Essas participações poderão ser vendidas pelos credores. O valor obtido com a alienação dos ativos será utilizado para reduzir a dívida do empresário.

Segundo interlocutores, Tanure também deixou de pagar valores relacionados a prestadores de serviços, incluindo escritórios de advocacia e consultorias que atuavam em diferentes áreas.

Mesmo diante da deterioração da relação com os bancos, o empresário mantém uma rotina entre o Brasil e a Europa. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, Tanure tem imóveis em Portugal e Paris.

Recentemente, ele foi visto caminhando pelo calçadão do Leblon, no Rio de Janeiro, acompanhado de um conhecido advogado criminalista.

Tanure aparece na investigação do Banco Master

A situação financeira do empresário ocorre paralelamente ao avanço da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

A PF concluiu a primeira fase das investigações e prepara o relatório final do chamado “inquérito-mãe” do caso.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Nelson Tanure está entre os nomes que podem ser indiciados no relatório, ao lado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

O relatório ainda deverá ser apresentado nos próximos meses.

A investigação teve origem em uma denúncia apresentada pelo investidor Vladimir Timerman, que apontou suspeitas de operações fraudulentas envolvendo o Banco Master.

Suspeita de participação oculta no Master

A possível inclusão de Tanure entre os indiciados é um dos pontos que devem ser observados no relatório da PF.

Os investigadores apuram se o empresário teria atuado como uma espécie de sócio oculto do Banco Master, utilizando fundos de investimento e diferentes estruturas societárias para exercer influência sobre negócios e decisões da instituição.

Tanure não aparece formalmente como controlador do banco. A investigação busca esclarecer se ele tinha participação efetiva nas decisões e operações do Master por meio dessas estruturas.

A suspeita levou a Polícia Federal a cumprir mandados de busca e apreensão contra o empresário durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

O eventual indiciamento não representa condenação e também não significa que o Ministério Público Federal apresentará automaticamente uma denúncia.

Após receber o relatório da Polícia Federal, o Ministério Público deverá analisar as provas e decidir quais medidas serão adotadas.

Tanure recebeu relógio de luxo de Vorcaro

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro também mostram uma relação próxima entre o banqueiro e Tanure.

Segundo informações às quais o Poder360 teve acesso, Vorcaro presenteou o empresário com um relógio de luxo da marca suíça Jaeger-LeCoultre.

Em uma das mensagens, Tanure agradece o presente enviado pelo banqueiro.

“Almoçando com amigos, com a joia no braço que você me deu. Thanks”, escreveu o empresário a Vorcaro.

O relógio citado na conversa seria um Quantième Lunaire, da linha Duomètre. No site oficial da fabricante, o preço do modelo é informado apenas mediante consulta.

Em plataformas especializadas e leilões internacionais, relógios semelhantes podem alcançar valores entre aproximadamente R$ 110 mil e R$ 1 milhão, dependendo do modelo, estado de conservação e raridade.

O equipamento possui, além da indicação das horas, funções como indicador de fases da lua e o mecanismo conhecido como “seconde foudroyante”, utilizado para marcar frações de segundo.

Outras mensagens analisadas pela PF também mostram contato entre os dois.

Em uma delas, Tanure pergunta se pode ligar para Vorcaro e recebe uma resposta positiva. Em outra, o empresário afirma estar com “saudades” do banqueiro.

Gazeta acompanha negócios de Tanure desde 2024

A Gazeta do Paraná acompanha os negócios de Nelson Tanure desde 2024, com reportagens sobre a expansão do empresário em setores estratégicos e sua atuação por meio de fundos e estruturas societárias.

Em 28 de novembro de 2024, o jornal publicou uma das primeiras reportagens da série sobre o avanço de Tanure em áreas como tecnologia e telecomunicações no Paraná, em meio aos processos de privatização no Estado.

A cobertura avançou ao longo de 2024 e 2025, com reportagens sobre negócios envolvendo empresas públicas e privatizadas, processos administrativos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), investigações do Ministério Público e disputas societárias envolvendo grandes companhias.

O assunto também foi levado ao Programa Tijolinho, apresentado por Marcos Formighieri no Gcast da Gazeta do Paraná. Desde 2024, o programa utiliza reportagens, documentos e informações sobre os negócios de Tanure para explicar ao público as relações empresariais e políticas envolvidas nos casos.

Os novos desdobramentos da investigação federal colocaram novamente o empresário no centro do noticiário nacional. Ao mesmo tempo, a restrição de crédito relatada por executivos do mercado financeiro mostra outro efeito da sequência de problemas enfrentados por Tanure: as instituições que antes financiavam seus negócios passaram a tratar suas operações como casos de reestruturação e recuperação de crédito.

 

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