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HUOP movimenta mais de R$ 93 milhões em terceirizações sem transparência consolidada sobre contratos

Contratos milionários sem transparência, com dados fragmentados dificultam fiscalização e levantam suspeitas sobre o uso do dinheiro público no hospital

Por Eliane Alexandrino

HUOP movimenta mais de R$ 93 milhões em terceirizações sem transparência consolidada sobre contratos Créditos: Eliane Alexandrino

O Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, é referência para 91 municípios das regiões oeste, sudoeste e noroeste do estado. Mas o que muitos não sabem é que a unidade hospitalar mantém uma estrutura ampla de terceirização e credenciamento de serviços que movimenta dezenas de milhões de reais e abrange áreas essenciais do atendimento hospitalar.

A Gazeta do Paraná vem há várias semanas tentando os dados e números específicos dos contratos e a finalidades deles, mas sem sucesso com a assessoria do hospital que é gerenciada pela Unioeste., mas sem sucesso com o retorno.
Um levantamento em documentos públicos do próprio hospital detalha contratos no portal da transparência e processos com diferentes finalidades, tanto na assistência direta ao paciente quanto nos serviços de apoio. Entre os maiores volumes financeiros estão os contratos voltados à área da saúde.

O credenciamento para técnicos de enfermagem prevê investimento de até R$ 24.997.377,60 por 12 meses, com atuação no suporte direto aos pacientes e nas rotinas assistenciais. Já o chamamento para enfermeiros assistenciais e administrativos tem valor estimado de R$ 21.121.336,80 anuais, destinados à coordenação de equipes, cuidados clínicos e gestão de processos internos.

Na área de reabilitação, o hospital prevê R$ 4.947.609,60 por ano para contratação de fisioterapeutas, responsáveis pelo atendimento a pacientes internados e em recuperação. Para serviços farmacêuticos, incluindo farmacêuticos hospitalares e técnicos de farmácia, o valor chega a R$ 3.932.102,88 anuais, voltado à dispensação de medicamentos e controle de estoques.

Outros contratos menores, mas igualmente estratégicos, incluem o credenciamento de fonoaudiólogos, com previsão de R$ 819.676,80 por ano, destinados a atendimentos clínicos específicos, e serviços ligados ao Hemocentro, como clínica médica, hematologia e hemoterapia, que somam R$ 1.008.334,08 anuais, fundamentais para a manutenção de transfusões e suporte a pacientes críticos.

Na área odontológica, o hospital prevê R$ 2.105.845,20 por 12 meses para serviços de odontologia hospitalar, endodontia e apoio técnico em saúde bucal, voltados principalmente a pacientes internados e casos de maior complexidade.

Além da assistência direta, a terceirização também alcança a estrutura operacional do hospital. Um dos contratos mais expressivos é o de mão de obra de apoio hospitalar, estimado em R$ 28.304.206,32, que engloba serviços como limpeza, lavanderia, nutrição, recepção e manejo de resíduos. Essas atividades são consideradas essenciais para o funcionamento diário da unidade e impactam diretamente a qualidade do atendimento.

Outros serviços terceirizados incluem áreas técnicas, como arquitetura hospitalar, com valor estimado de R$ 134.534,40 anuais, destinados a projetos de adequação e manutenção da estrutura física.

Contratação de serviço oftalmológico

Também há contratação de serviços médicos especializados, como oftalmologia de urgência e emergência, com valor superior a R$ 6 milhões, voltado ao atendimento de pacientes em situações críticas.
O serviço foi viabilizado por meio de um contrato do HUOP com o HUDrPrime (Hospital Doutor Prime Assistência à Saúde Familiar Ltda), firmado através de licitação. Atualmente, o valor anual é de R$ 6.037.274,04, com repasses mensais de R$ 503.106,17, que no contrato traz a possibilidade de um aditivo para renovação anual. Além das consultas, exames e procedimentos cirúrgicos, também estão incluídos os insumos e equipamentos. O contrato poderá ser renovado até 2027.

A assessoria da Unioeste também não repassou a Gazeta do Paraná, a quantidade de serviços e atendimentos realizados desde o início do contrato conforme foi solicitado.
Apesar dos valores milionários e da ampla terceirização de serviços no HUOP, o que se evidencia é a falta de transparência na gestão desses contratos. As informações permanecem fragmentadas em editais e relatórios técnicos, sem a existência de uma base pública consolidada que permita ao cidadão acessar, de forma clara e objetiva, quem são as empresas contratadas, quais os valores pagos e os prazos vigentes. A ausência dessa organização dificulta o controle social e levanta questionamentos sobre a fiscalização e a correta aplicação dos recursos públicos.

O modelo adotado pelo HUOP combina licitações e chamamentos públicos, permitindo a contratação tanto de empresas quanto de profissionais credenciados. Embora ofereça flexibilidade para suprir demandas emergenciais, especialistas apontam que o formato exige maior transparência e controle, especialmente diante do volume de recursos envolvidos.

O pronto-socorro do hospital tem registrado média de cerca de 90 pacientes por dia, com aproximadamente 2,7 mil atendimentos mensais, o que pressiona a estrutura e reforça a dependência de serviços contratados. Diante desse cenário, a terceirização se consolida como eixo central da operação do HUOP. No entanto, a falta de transparência consolidada sobre os contratos levanta questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos e reforça a necessidade de acompanhamento por órgãos de controle e pela sociedade.

Gaego investigou contrato de R$ 7 mi entre HUOP e empresa terceirizada

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) investigou em maio do ano passado uma suposta fraude em um contrato de R$ 7 milhões entre o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, e uma empresa terceirizada que prestava serviços de radiologia desde 2011.
Na ocasião, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Cascavel, Quedas do Iguaçu, Cafelândia e Maringá, com recolhimento de documentos e equipamentos eletrônicos.

De acordo com o Ministério Público, foram identificadas suspeitas de irregularidades em licitações realizadas nos anos de 2013, 2019 e 2025. Um funcionário do hospital, coordenador do centro de imagens, também foi investigado por suspeita de receber vantagens indevidas para favorecer a empresa.
As apurações envolveram possíveis crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e fraude em licitação. Os nomes dos investigados não foram divulgados. O HUOP informou que colaborou com as investigações e forneceu os documentos solicitados.

Foto: Divulgação

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