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Governo promete enviar projetos da data-base, carreiras e universidades à Alep em até duas semanas

Da esquerda à direita, deputados defendem cumprimento da data-base e pressionam por reposição salarial dos servidores

Por Gazeta do Paraná

Governo promete enviar projetos da data-base, carreiras e universidades à Alep em até duas semanas Créditos: Valdir Amaral

A promessa do governo do Paraná de encaminhar à Assembleia Legislativa (Alep), em até duas semanas, os projetos relacionados à data-base, às carreiras e às universidades públicas dominou o debate na sessão desta terça-feira e reorganizou o eixo político do plenário em torno da valorização dos servidores.

A sessão foi acompanhada por servidores públicos estaduais e representantes de sindicatos da categoria, que ocuparam a Assembleia e reforçaram a pressão pelo cumprimento da reposição salarial na data-base de 1º de maio.

A sinalização foi feita pelo líder do governo, deputado Hussein Bakri, ao afirmar que o Executivo já trabalha nos ajustes finais das propostas. “Está no horizonte do governo mandar para cá, nas próximas duas semanas, todos os projetos que tratam do funcionalismo. Existe essa segurança”, disse, acrescentando que ainda estão em definição os índices e os parâmetros de cada categoria.

A fala ocorre em meio à mobilização crescente do funcionalismo, que cobra a reposição integral da inflação. Mesmo sem detalhar números, o governo reconheceu que os projetos envolvem “recursos significativos” e prometeu tramitação rápida assim que forem protocolados.

A sessão, no entanto, deixou claro que a cobrança pela data-base ultrapassou divisões ideológicas. Parlamentares de diferentes campos políticos convergiram no discurso de que a reposição salarial não é concessão, mas obrigação.

O professor Lemos abriu o debate afirmando que o cumprimento da data-base é um dever legal e constitucional, e criticou a perda de poder de compra dos servidores, especialmente na educação. Ele destacou que professores e agentes educacionais passaram a receber menos que outras categorias com exigência de formação e jornada equivalentes. “Por que nós recebemos menos e bem menos?”, questionou.

O líder da oposição, deputado Arilson Chiorato, reforçou a pressão ao afirmar que o Estado tem condições fiscais para garantir a reposição. Segundo ele, considerando o período entre agosto de 2023 e abril de 2025, a defasagem acumulada chega a 12,84%. O percentual, no entanto, foi apresentado pelo parlamentar durante o debate e não foi confirmado oficialmente pelo governo do Estado. “Não é favor, é direito. O governo tem caixa, falta prioridade política”, disse.

Do lado da base, o deputado delegado Tito Barrichello também declarou apoio à pauta, defendendo que a valorização da educação e dos servidores deve estar acima de disputas ideológicas. “Isso está acima de esquerda e direita”, afirmou.

Na mesma linha, o deputado Ricardo Arruda reconheceu a legitimidade das reivindicações. “Se é direito, tem que ser exigido e tem que ter apoio”, disse, ao mencionar a importância dos professores para o futuro do país.

Outros parlamentares também se somaram à cobrança, incluindo Doutor Antenor e Renato Freitas, que relacionaram a pauta da data-base à valorização do serviço público e à necessidade de recomposição de direitos.

Apesar do ambiente de convergência, a ausência de definição sobre os índices de reposição mantém o clima de expectativa. O próprio líder do governo admitiu que ainda há ajustes em curso antes do envio dos projetos.

Com a promessa colocada em plenário e registrada nos anais da Assembleia, deputados indicaram que, uma vez protocoladas, as propostas devem ser votadas em regime de urgência. Até lá, a pressão dos servidores tende a se intensificar, especialmente diante da proximidade da data-base.

A sessão desta terça-feira, portanto, marca um ponto de inflexão: o governo assume publicamente um prazo, enquanto a Assembleia — da esquerda à direita — se alinha na cobrança pelo cumprimento da reposição salarial, sob acompanhamento direto de servidores e entidades sindicais dentro do plenário.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp