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Família Massa entra novamente na mira após MP investigar contratos da Celepar

Investigação aberta pelo Ministério Público apura contratos milionários firmados pela estatal com empresa ligada ao sócio de Gabriel Massa. Caso reacende discussões sobre transparência e amplia uma sequência de controvérsias envolvendo familiares do governador Ratinho Junior, que já inclui os Pandora Papers e o antigo caso da falsificação de CNHs.

Por Gazeta do Paraná

Família Massa entra novamente na mira após MP investigar contratos da Celepar Créditos: Reprodução Redes sociais

A abertura de uma investigação pelo Ministério Público do Paraná sobre contratos milionários da Celepar voltou a colocar a família Massa no centro do debate político estadual. O procedimento instaurado pela Promotoria busca apurar licitações vencidas pela Linea Tecnologia, empresa cujo proprietário, Rodolfo de Souza Aires, mantém sociedade empresarial com Gabriel Martinez Massa, irmão do governador Ratinho Junior, em outro empreendimento privado. Embora Gabriel não seja alvo da investigação nem integre o quadro societário da Linea, a relação empresarial passou a ser um dos principais focos dos questionamentos sobre eventual conflito de interesses envolvendo contratos públicos. A apuração foi revelada pelo jornal Plural.

O caso representa o primeiro desdobramento institucional de maior alcance sobre uma sequência de reportagens que vêm chamando atenção para a rápida expansão dos contratos da empresa com a estatal de tecnologia do governo do Paraná. Levantamentos publicados anteriormente mostram que, após Rodolfo Aires tornar-se sócio de Gabriel Massa na TLA Brasil Tecnologia em Monitores Ltda., a Linea passou a acumular vitórias em licitações da Celepar, elevando o volume de contratos e atas de registro de preços de aproximadamente R$ 8 milhões para cifras superiores a R$ 140 milhões. As contratações ocorreram em diferentes certames promovidos pela estatal, alguns deles marcados por baixa concorrência e por impugnações apresentadas por empresas participantes.

Embora, até o momento, não exista qualquer conclusão do Ministério Público sobre irregularidades e tampouco acusação formal contra Gabriel Massa, a cronologia dos acontecimentos ampliou a pressão por esclarecimentos públicos. A investigação deverá analisar documentos, procedimentos licitatórios e a regularidade das contratações para verificar se houve qualquer ilegalidade ou favorecimento indevido nas disputas.

 

Histórico amplia desgaste

A nova investigação não ocorre em um ambiente político neutro. Nos últimos anos, integrantes da família Massa estiveram envolvidos em diferentes episódios que repercutiram nacionalmente e contribuíram para manter seus nomes sob constante escrutínio.

Em 2021, os irmãos Gabriel e Rafael Martinez Massa apareceram entre os brasileiros citados pelos Pandora Papers, o maior vazamento internacional de documentos sobre empresas e ativos mantidos em paraísos fiscais. A investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos revelou que ambos figuravam como sócios de empresas offshore registradas nas Ilhas Virgens Britânicas, estruturas utilizadas para investimentos no exterior. A manutenção de offshores não configura crime quando devidamente declarada às autoridades competentes, mas a revelação provocou forte repercussão política por envolver familiares diretos do governador do Paraná e reacendeu debates sobre transparência patrimonial e justiça tributária.

Antes disso, Gabriel e Rafael também tiveram seus nomes associados ao processo que investigou um esquema de obtenção irregular de Carteiras Nacionais de Habilitação em Maringá. Os irmãos chegaram a ser condenados em primeira instância, mas a punibilidade foi posteriormente extinta em razão da prescrição. Embora juridicamente encerrado, o episódio continua sendo lembrado sempre que novos fatos envolvendo a família chegam ao debate público.

 

Relação empresarial sob escrutínio

O principal elemento que motivou a abertura da investigação é a relação societária entre Gabriel Massa e Rodolfo de Souza Aires. Registros da Junta Comercial mostram que ambos passaram a integrar o quadro societário da TLA Brasil em abril de 2023. Nos meses seguintes, a empresa de Rodolfo consolidou uma sequência de vitórias em licitações promovidas pela Celepar, tornando-se uma das principais fornecedoras da estatal.

Parlamentares da oposição sustentam que a coincidência entre a sociedade empresarial e a expansão dos contratos públicos justifica uma apuração aprofundada pelos órgãos de controle. Já os envolvidos têm afirmado, em manifestações públicas anteriores, que a sociedade privada não possui qualquer relação com as contratações realizadas pela Celepar.

É justamente essa conexão que agora será analisada pelo Ministério Público. A Promotoria deverá verificar se a evolução dos contratos decorreu exclusivamente da competitividade da empresa nas licitações ou se existem elementos que indiquem eventual irregularidade administrativa.

 

Pressão aumenta

Independentemente do resultado da investigação, a abertura do procedimento representa um novo foco de desgaste político para o entorno do governador Ratinho Junior. Somada aos episódios dos Pandora Papers e do antigo caso das CNHs, a investigação sobre os contratos da Celepar reforça uma sucessão de controvérsias envolvendo integrantes da família Massa.

Caso o Ministério Público identifique indícios de irregularidades, a investigação poderá evoluir para novas fases e alcançar outros órgãos de controle. Se, por outro lado, a apuração concluir pela regularidade das licitações, o procedimento servirá para esclarecer questionamentos que, há meses, alimentam o debate político no Paraná.

Enquanto isso, a família Massa volta, mais uma vez, ao centro das atenções, agora diante de uma investigação oficial que promete lançar luz sobre uma das mais polêmicas relações entre negócios privados e contratos públicos da atual gestão estadual.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp