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EXCLUSIVO: Namorada de Andrei Rodrigues tem contrato milionário com empresa no esquema de Vorcaro no Banco Master

Renata Varandas é apresentadora do SBT e lobista em Brasília

Por Oswaldo Eustáquio

EXCLUSIVO: Namorada de Andrei Rodrigues tem contrato milionário com empresa no esquema de Vorcaro no Banco Master Créditos: Reprodução — Poder 360

A jornalista Renata Varandas, apresentadora do programa "Poder em Foco", no SBT News, recebeu valores milionários da Ambipar, multinacional ligada ao esquema de corrupção envolvendo Daniel Vorcaro e com contratos de quase R$ 500 milhões com o governo Lula.

 

Fontes da Polícia Federal, ligadas inclusive ao atual governo, disseram que Andrei Rodrigues está fazendo com sua namorada "o mesmo que Moraes fez com Viviane Barci", referindo-se ao contrato de R$ 129 milhões. Outras fontes, também da PF, afirmaram que alguns veículos de comunicação têm resistido a abordar essa pauta por corporativismo em relação à ex-colega de profissão e por medo de retaliação do diretor-geral da PF, que é fonte de grande parte dos jornalistas. Não é raro ver profissionais dizendo que falaram ao telefone com ele.

 

Demitida da TV Record por misturar jornalismo com política e tirar proveito financeiro disso, passou a atuar como lobista em esquemas envolvendo o governo federal. Recentemente, foi contratada pelo SBT, de acordo com fontes da Polícia Federal, para transformar em notícia informações de interesse do governo Lula e, consequentemente, apoiar a emissora em contratos com o governo Lula 3.

 

Renata exibia em seu perfil no Instagram, até a semana passada, um vínculo com a Ambipar — multinacional investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por manipulação de ações em esquema que envolve o Banco Master.

 

"Ambipar. Apresentadora SBT News. Mestre de Cerimônias. Mãe do Chico, Filó, Farinha, Malala e Frida 🐶. Escritora do @vidadeadulto."

 

O nome da Ambipar aparecia na bio pública do perfil @revarandas, indexado por buscadores. Após movimentações desta apuração, o nome foi retirado.

 

Jornalista e lobista, Varandas é sócia do escritório Figueiredo & Velloso Advogados Associados, em Brasília, na área de comunicação e relações governamentais, e é namorada do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, o mesmo afastado pelo ministro André Mendonça, do STF, das investigações do caso Master.

 

Contrato milionário da Ambipar com governo Lula 3

 

A Ambipar — empresa que Renata Varandas exibia como vínculo profissional no Instagram — fechou contrato de R$ 269,7 milhões com a Funai em dezembro de 2024 para transportar cestas de alimentos a 27 mil indígenas Yanomami e Ye'kwana no Amazonas e em Roraima. A empresa não foi a primeira colocada na licitação: a Helimarte Táxi Aéreo apresentou o menor preço, mas foi desclassificada por não atender requisitos técnicos. A Ambipar, segunda colocada, assumiu o contrato.

 

O calendário incomoda. Oito meses antes, em 25 de abril de 2024, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — namorado de Renata Varandas — participou de uma degustação de whisky Macallan com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no exclusivo George Club, em Mayfair, Londres. O evento foi bancado pelo próprio Vorcaro: só a degustação custou US$ 640 mil — cerca de R$ 3,2 milhões. O Banco Master era, na época, investigado pela CVM por esquema de manipulação de ações da Ambipar, avaliado pelos técnicos da autarquia como "movimento orquestrado" entre o banco e a empresa de Borlenghi.

 

Em outubro de 2025, a Ambipar pediu recuperação judicial com dívidas de aproximadamente R$ 10,5 bilhões — meses depois de ter encerrado o ano com meio bilhão em contratos ativos com o governo federal, três deles sem licitação. A empresa que a namorada do chefe da PF carregava na bio do Instagram estava, na prática, tecnicamente insolvente enquanto recebia recursos públicos para voar sobre a maior terra indígena do Brasil.

 

O contrato com a Funai foi assinado em 6 de dezembro de 2024 e entrou em execução imediata. Quinze dias depois, em 21 de dezembro, o SBT News estreava — e Renata Varandas estava na grade, com programa próprio. O "Poder em Foco" reestreou sob sua apresentação, aos domingos às 21h, com entrevistas de personalidades políticas sobre política, economia e segurança pública. Uma jornalista que apresenta um programa político no horário nobre do domingo mantinha, simultaneamente, o nome da Ambipar — empresa com contrato ativo de R$ 269,7 milhões com o governo federal — como primeira informação de seu perfil público no Instagram, antes mesmo do nome do veículo em que trabalhava. No quinto episódio do programa, em 18 de janeiro de 2026, o entrevistado foi o advogado Ticiano Figueiredo — sócio fundador do mesmo escritório do qual Renata é sócia. O SBT News não informou ao telespectador nenhum desses vínculos.

 

A Polícia Federal comandada por Andrei Rodrigues operou diretamente nos territórios Yanomami — os mesmos territórios onde a Ambipar executou contratos de R$ 480,9 milhões com o governo federal, três deles sem licitação. A PF é o braço operacional das ações do governo em áreas indígenas, atuando ao lado da Força Nacional nas operações coordenadas pelo Ministério dos Povos Indígenas de Sônia Guajajara. Em outras palavras: o namorado de Renata Varandas comandou a força policial que operou no mesmo território onde a empresa que ela carregava na bio do Instagram recebia centenas de milhões em recursos públicos.

 

Guajajara nunca foi convidada ao "Poder em Foco" para explicar os contratos com a Ambipar. Andrei Rodrigues nunca foi perguntado publicamente sobre o vínculo da namorada com a empresa. E Renata Varandas nunca informou ao telespectador, em nenhum dos episódios do programa, que o nome estampado em seu Instagram pertencia a uma empresa que negociava com o governo que ela cobre semanalmente na televisão.

 

Gilmar Mendes foi o primeiro entrevistado

O "Poder em Foco" estreou em 21 de dezembro de 2025 com o ministro do STF Gilmar Mendes na bancada. A escolha não foi casual — é o tribunal que conduz o caso Master, o mesmo processo em que o ministro André Mendonça afastou Andrei Rodrigues, namorado da apresentadora, das investigações. Nas semanas seguintes, Renata Varandas entrevistou o ministro Rogério Schietti Cruz, do STJ, o ministro do Trabalho Luiz Marinho e o ministro do Desenvolvimento Social Wellington Dias — integrantes do governo que assinou R$ 480,9 milhões em contratos com a Ambipar, empresa que ela carregava na bio do Instagram. No episódio 5, em 18 de janeiro de 2026, o convidado foi o advogado Ticiano Figueiredo — sócio fundador do mesmo escritório do qual Renata é sócia. O telespectador não foi informado. O SBT News não emitiu nenhum aviso de conflito de interesse antes, durante ou depois de nenhuma dessas entrevistas.

 

Há um nome que não apareceu no programa. Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas — a pasta que firmou R$ 185,9 milhões em contratos com a Ambipar sem licitação — nunca foi chamada à bancada de Renata Varandas para explicar o que o Senado e a Câmara já questionam em requerimentos formais: por que a Ambipar, por que sem licitação, e por que tanto dinheiro para entregar cestas básicas de helicóptero.

 

 A CARREIRA

 

Repórter com mais de 20 anos de cobertura política em Brasília, Varandas passou pela Radiobrás, pela TV Record — por quase duas décadas — e brevemente pela CNN Brasil.

 

Foi demitida da Record em julho de 2024. O motivo: ela entrevistou o presidente Lula no Palácio do Planalto às 9h30 do dia 16 de julho. A entrevista iria ao ar às 19h55. Antes disso, trechos da fala do presidente — nos quais Lula dizia que precisava ser convencido sobre cortes de gastos e que a meta fiscal não precisava necessariamente ser cumprida — foram antecipados ao mercado financeiro por um comunicado da Capital Advice, agência de análise política para investidores. Varandas era sócia-administradora da Capital Advice.

 

Em agosto de 2024, foi contratada pela CNN Brasil para cobrir política em Brasília.

Em 31 de janeiro de 2025, foi anunciada como sócia do escritório Figueiredo & Velloso na área de comunicação e relações governamentais.

Hoje apresenta o "Poder em Foco" no SBT News, aos domingos.

 

 A AMBIPAR

 

Fundada em 1995 por Tércio Borlenghi Junior, a Ambipar é uma multinacional com operações em 40 países e valor de mercado de cerca de R$ 22 bilhões. Abriu capital na B3 em 2020 e realizou 43 aquisições entre 2020 e 2023. A modelo Gisele Bündchen é acionista e integra o comitê de sustentabilidade da empresa.

 

Em 2025, como sócia do Figueiredo & Velloso, Varandas moderou um painel no evento Expert XP com executivos da Ambipar, incluindo Plínio Ribeiro, membro do conselho de administração da empresa, e Fernando Barros, diretor global de soluções hídricas.

 

 OS CONTRATOS

 

Em 2024, o governo federal assinou cinco contratos com a Ambipar que somam R$ 480,9 milhões. Todos envolvem serviços em territórios indígenas, como locação de helicópteros e aviões. Três foram celebrados sem licitação.

 

O maior, de R$ 266,7 milhões, foi assinado em dezembro de 2024 entre a Ambipar e a Funai, para transporte logístico em área de 9,6 milhões de hectares nos estados do Amazonas e de Roraima.

 

Em março de 2024, a Ambipar assinou contrato de R$ 185,9 milhões com o Ministério dos Povos Indígenas, com dispensa de licitação, justificada pela situação humanitária no território Yanomami. Outros dois contratos foram firmados pelo Ministério da Saúde, também sem licitação.

 

Deputados federais protocolaram requerimentos na Câmara pedindo explicações à ministra Sônia Guajajara sobre os contratos. Em Davos, em janeiro de 2025, a Ambipar assinou protocolo de intenções com o Ministério dos Povos Indígenas, na presença do governador do Pará, Helder Barbalho.

 

 O ESQUEMA DA CVM

 

A Ambipar é alvo de investigação da CVM por suposta manipulação de ações.

 

Segundo relatório técnico da autarquia, Tércio Borlenghi Junior, o Banco Master e o empresário Nelson Tanure atuaram de forma coordenada para valorizar artificialmente os papéis da empresa. Entre junho e agosto de 2024, as ações da Ambipar subiram 863%.

 

O esquema funcionou assim: fundos ligados ao ecossistema do Banco Master — Esna, Texas e Kyra, administrados pela Trustee DTVM — compraram cerca de R$ 754 milhões em ações da Ambipar, elevando a participação do grupo de 6,6% para 15,03% do capital. Simultaneamente, Borlenghi Junior ampliou sua própria fatia de 66,7% para 73,48%.

 

O relatório da CVM descreve o movimento como "orquestrado pelas partes" para elevar as cotações da Ambipar e favorecer a constituição de garantia na aquisição da Emae — Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo — por Nelson Tanure. A Emae foi arrematada pelo fundo Phoenix FIP, criado um mês antes do leilão, na primeira privatização do governo de Tarcísio de Freitas.

 

Caso o colegiado da CVM confirme o relatório técnico, Borlenghi Junior poderá ser obrigado a lançar uma oferta pública de aquisição bilionária em favor de acionistas minoritários.

 

 VORCARO

 

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso pela primeira vez em novembro de 2025. Foi preso novamente em março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.

 

Das investigações vieram à tona mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado pela PF como coordenador de um grupo chamado "A Turma", usado para monitorar jornalistas e adversários do banqueiro.

 

Em uma das mensagens, após a publicação de reportagens críticas ao banco, Vorcaro escreveu sobre um jornalista: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto." Mourão respondeu que executaria a ordem. Vorcaro confirmou.

 

O ministro André Mendonça, do STF, afirmou no mandado de prisão existirem "fortes indícios de que Vorcaro determinou que fosse forjado um assalto para prejudicar violentamente o jornalista".

 

 ANDREI RODRIGUES

 

Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal desde 2023, é namorado de Renata Varandas. O fato foi confirmado pelo portal Poder360 em janeiro de 2025.

 

Em fevereiro de 2026, após assumir a relatoria do caso Master — em substituição ao ministro Dias Toffoli, que se afastou depois de ser revelado que sua empresa vendeu parte de um resort para um fundo do Banco Master — André Mendonça tomou como primeira decisão restringir o acesso do diretor-geral da PF às informações do inquérito.

 

A determinação proibiu que delegados compartilhassem dados sigilosos com superiores hierárquicos, incluindo Andrei Rodrigues, que passou a ser informado sobre operações apenas às vésperas de sua deflagração.

 

A medida foi tomada em meio a um clima de desconfiança entre parte do STF e a cúpula da PF, após Andrei Rodrigues entregar ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório com menções ao ministro Toffoli encontradas no celular de Vorcaro.

 

AS PERGUNTAS

 

A reportagem enviou questionamentos a Renata Varandas, ao escritório Figueiredo & Velloso e ao SBT News. Até o fechamento desta edição, não houve resposta.

As questões formuladas foram:

 

À Renata Varandas: qual é a natureza do vínculo com a Ambipar? O escritório Figueiredo & Velloso presta ou prestou serviços à empresa? Como separa a atividade de relações governamentais da apresentação de um programa jornalístico? O diretor-geral da PF tem conhecimento dos vínculos com empresa investigada em esquema que envolve o Banco Master?

Ao SBT News: o veículo tem conhecimento do vínculo da apresentadora com a Ambipar? Existe política editorial sobre conflito de interesses?

Ao escritório Figueiredo & Velloso: a Ambipar é ou foi cliente? Renata Varandas atuou em trabalhos relacionados à empresa?

 

Créditos: Oswaldo Eustáquio Acesse nosso canal no WhatsApp