EXCLUSIVO: Escritório da namorada de Andrei Rodrigues defende sócio de Vorcaro
Renata Varandas recebeu valores milionários de Ambipar, empresa ligada a Vorcaro
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O advogado que assina a defesa de Augusto Ferreira Lima, sócio de Daniel Vorcaro e um dos pivôs do escândalo do Banco Master, é sócio do mesmo escritório em que trabalha Renata Varandas, namorada do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A mesma PF que prendeu Lima e conduz a Operação Compliance Zero contra Daniel Vorcaro.
Vorcaro sabia que seria preso. Documentos extraídos do seu celular, divulgados pelo STF, mostram que ele monitorava a Compliance Zero desde julho de 2025 — quatro meses antes de ser detido no Aeroporto de Guarulhos, tentando embarcar em jatinho para Dubai. Antes da prisão, pediu a um interlocutor que contatasse o próprio Andrei Rodrigues para que nenhuma "sacanagem" fosse praticada contra ele. A tentativa está documentada no inquérito. Agora fica claro por que Vorcaro tentou avisar Andrei Rodrigues: a namorada do chefe da PF de Lula estava na folha de pagamento de Vorcaro, conforme revelou o jornal Gazeta do Paraná. Fica escancarado também por que o ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues das investigações — chegando ao ponto de proibir os próprios agentes de informar o diretor-geral da PF sobre suas ações.
Renata Varandas estava na folha de pagamento da Ambipar e teve papel fundamental na imprensa para pautar os interesses financeiros do esquema. Ela não é uma jornalista que errou uma vez. Ela tem um método — e esse método a coloca no centro do esquema como sua peça de comunicação mais sofisticada.
Em julho de 2024, ainda na TV Record, Varandas entrevistou o presidente Lula no Palácio do Planalto. A conversa estava gravada, seria exibida à noite. Antes disso, ela avisou sócias da Capital Advice — empresa de análise política da qual é sócia-administradora — sobre o que o presidente havia dito. A Capital Advice repassou os trechos à corretora BGC Liquidez, que os distribuiu a investidores via WhatsApp. As informações chegaram ao mercado financeiro uma hora antes de qualquer divulgação oficial. O dólar disparou. A Record demitiu Varandas dois dias depois.
Não foi um erro. Foi o negócio.
A Capital Advice se apresenta como uma "casa de análise política referência no Brasil e no exterior", especializada em fornecer informações estratégicas para a tomada de decisões de alocação de recursos. Em outras palavras: jornalismo como serviço de inteligência para o mercado financeiro. Varandas operava nos dois mundos ao mesmo tempo — credencial de repórter do Planalto de um lado, sócia de empresa que vendia informações privilegiadas do outro. Demitida da Record, foi contratada pela CNN Brasil. Depois pelo SBT News. E em janeiro de 2025 entrou como sócia do Figueiredo & Velloso — o mesmo escritório que hoje assina a defesa do principal preso da Compliance Zero.
É aí que o método encontra o escândalo.
Augusto Lima foi preso preventivamente em 18 de novembro de 2025. Na sua residência, agentes encontraram dinheiro em espécie, veículos de luxo, obras de arte e relógios. O esquema investigado envolve emissão de títulos de crédito sem lastro real — fraude que o ministro Fernando Haddad classificou como a maior da história do sistema financeiro brasileiro, com prejuízo estimado em R$ 60 bilhões. Lima é marido da ex-ministra Flávia Arruda. Foi ele quem intermediou a contratação do então advogado Ricardo Lewandowski como consultor jurídico do Master, com apoio do senador Jaques Wagner. Participou da reunião entre Vorcaro e o presidente Lula no fim de 2024. Mensagens extraídas do seu celular durante as investigações geraram suspeitas sobre Wagner, que se tornou alvo da 9ª fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho de 2026.
A Ambipar é a peça que une tudo — e que expõe Varandas como o elo central do esquema.
A empresa de gestão ambiental controlada por Tércio Borlenghi Júnior está no centro do maior esquema de manipulação de mercado investigado pela CVM. Segundo relatório técnico da autarquia, o Banco Master de Vorcaro, o empresário Nelson Tanure e Borlenghi atuaram de forma coordenada para inflar artificialmente o preço das ações da empresa. Fundos ligados ao ecossistema do Master compraram 25,1 milhões de ações da Ambipar entre junho e agosto de 2024, movimentando R$ 754 milhões. As ações saíram de R$ 8,07 em maio e chegaram a R$ 159 em agosto — valorização de 863% em três meses. Em outubro de 2025, a Ambipar pediu recuperação judicial, declarando dívidas de R$ 10,5 bilhões. Estava tecnicamente insolvente enquanto recebia contratos bilionários do governo federal.
Durante todo esse período, Renata Varandas exibia a Ambipar como sua primeira afiliação profissional no Instagram. Recebia valores milionários da empresa. Atuou como sua porta-voz em eventos de alto perfil, incluindo painel sobre sustentabilidade na Expert XP em 2025, ao lado de membros do Conselho e executivos globais da companhia. O nome da Ambipar foi removido do seu perfil após o início das apurações sobre o caso.
Em 2024, a Ambipar firmou cinco contratos com o governo federal para serviços em territórios indígenas, totalizando R$ 480,9 milhões. Três foram obtidos por dispensa de licitação. O maior deles — R$ 269,7 milhões com a Funai — foi assinado em dezembro de 2024, após a empresa originalmente vencedora ser desclassificada. No mesmo mês, Varandas estreou seu programa semanal no SBT News. Oito meses antes desse contrato, Andrei Rodrigues havia participado de um evento em Londres ao lado de Vorcaro. O encontro custou 640 mil dólares. As despesas foram bancadas pelo próprio banqueiro. A PF comandada por Andrei atua nas mesmas regiões onde os serviços da Ambipar são executados.
A gravidade do conjunto levou o ministro André Mendonça a uma medida sem precedentes: restringiu o acesso do próprio diretor-geral da PF às investigações. A decisão proíbe delegados de compartilhar dados sigilosos diretamente com Andrei Rodrigues. O STF afastou o próprio relator anterior — Dias Toffoli, após a revelação de que sua empresa negociou parte de um resort com um fundo ligado ao Master. E depois blindou a investigação do próprio chefe da PF.
O SBT News, onde Varandas apresenta o Poder em Foco, foi lançado em dezembro de 2025 com a presença de Lula, Alexandre de Moraes e Andrei Rodrigues. Nos bastidores do canal está Fábio Faria, ex-ministro de Bolsonaro e genro de Silvio Santos, que recebeu de empresa ligada a Vorcaro cerca de R$ 70 milhões em negócio envolvendo um projeto de energia eólica e um apartamento de R$ 50 milhões em São Paulo.
Fontes dentro da PF relatam que Andrei Rodrigues estaria adotando conduta semelhante à do ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa, Viviane Barci, firmou contrato de R$ 129 milhões em serviços advocatícios para o Master — valor considerado muito acima da média do mercado.
Vorcaro sabia da investigação. Tentou contatar o chefe da PF. Fugiu para Dubai. A namorada do chefe da PF recebia milhões da empresa de Vorcaro. E o escritório que defende o sócio de Vorcaro é o mesmo do qual ela é sócia. O padrão se repete. Muda o nome. Muda o cargo. O método é o mesmo.
Créditos: Oswaldo Eustáquio
