EY amplia contratos sem licitação na Celepar e valores já se aproximam de R$ 14 milhões
Documentos obtidos pela Gazeta do Paraná mostram sequência de inexigibilidades firmadas com a Ernst & Young desde 2024; contrato ligado à privatização da Celepar já recebeu aditivo milionário
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Roberto Dziura/AEN
A Ernst & Young ampliou ainda mais sua presença dentro da estrutura de privatização da Celepar. Documentos obtidos pela Gazeta do Paraná com base em dados do Portal da Transparência mostram que os contratos firmados sem licitação entre a estatal de tecnologia e a consultoria internacional já somam R$ 13,9 milhões em menos de dois anos.
Os números atualizam a dimensão financeira da atuação da EY no Paraná e reforçam o papel da empresa dentro da engrenagem de privatizações, desestatizações e PPPs do governo Ratinho Junior.
Os documentos enviados à reportagem apontam três contratos firmados por inexigibilidade de licitação entre a Celepar e a Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda entre setembro de 2024 e fevereiro de 2026.
O primeiro deles foi o Contrato nº 5865/2024, assinado em 23 de setembro de 2024. O objeto previa “prestação de serviços especializados para estudos técnicos de análise do posicionamento estratégico da Companhia”. O valor contratado foi de R$ 2.646.241,40.
Poucos meses depois, em 7 de fevereiro de 2025, foi firmado o Contrato nº 288/2025, considerado o principal dentro do processo de privatização da Celepar. O documento previa “prestação de serviço de assessoria, visando estudo técnico, análises e operacionalização de processo de alienação”.
Inicialmente, o contrato havia sido firmado por R$ 8.776.412,53. Agora, porém, os documentos obtidos pela Gazeta mostram que o valor sofreu aditivo e saltou para R$ 11.086.453,88.
O aumento representa acréscimo de mais de R$ 2,3 milhões sobre o valor originalmente contratado.
Já em 23 de fevereiro de 2026, a Celepar assinou novo contrato com a consultoria. O Contrato nº 641/2026, também por inexigibilidade, teve valor de R$ 236 mil e objeto descrito genericamente como “contratação de serviço técnico profissional”.
Somados, os três contratos chegam a R$ 13.968.695,28 pagos ou comprometidos pela Celepar junto à Ernst & Young sem realização de processo licitatório competitivo.
A sequência chama atenção não apenas pelos valores, mas também pela concentração operacional dos contratos. Os três documentos possuem os mesmos fiscais responsáveis pela execução contratual: John Fabio Juskas Neves Filho e Karen Larissa Godoy dos Santos.
Segundo as informações encaminhadas à reportagem, ambos atuam como assessores ligados à estrutura administrativa da Celepar e não integram o quadro tradicional de carreira da companhia.
A EY já vinha ocupando posição estratégica dentro do projeto de desestatização da estatal de tecnologia do Paraná. Em reportagem anterior, a Gazeta mostrou que a empresa também apareceu no centro da modelagem das PPPs da Sanepar, vencendo os três lotes da licitação para fiscalização dos contratos de esgotamento sanitário do Estado. O caso acabou suspenso pelo Tribunal de Contas do Paraná.
Em decisão unânime tomada em abril de 2026, o TCE manteve a suspensão da Licitação Eletrônica nº 442/24 e apontou falhas graves na análise de exequibilidade da proposta apresentada pela EY.
O acórdão do conselheiro Fernando Augusto Mello Guimarães afirma que a proposta vencedora previa compartilhamento de profissionais entre Londrina, Maringá e Cascavel, apesar de o edital exigir equipes técnicas próprias em cada região.
A decisão também menciona risco à isonomia da disputa e fala em possibilidade de “simulação de competitividade”.
Agora, o avanço dos contratos da EY na Celepar acrescenta um novo capítulo à discussão sobre o papel da consultoria dentro das estruturas estratégicas do governo estadual.
Na prática, a mesma empresa que participa da modelagem da venda da estatal de tecnologia também apareceu na estrutura de fiscalização das PPPs de saneamento do Paraná.
Os contratos da Celepar também ampliam a pressão sobre o debate envolvendo inexigibilidades milionárias firmadas no contexto da privatização da companhia. O Tribunal de Contas já havia determinado anteriormente que a estatal explicasse contratos sem licitação ligados ao processo de desestatização.
Créditos: Redação
