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Enquanto Durval decidia sobre a PAR50 no TCE, Emerick doava R$ 100 mil para Tiago Amaral

Decisões assinadas por Durval Amaral ajudaram a manter andamento do arrendamento da PAR50, área ligada ao ambiente empresarial da FTS; meses antes, Adriano Emerick doou R$ 100 mil para a campanha de Tiago Amaral

Por Gazeta do Paraná

Enquanto Durval decidia sobre a PAR50 no TCE, Emerick doava R$ 100 mil para Tiago Amaral Créditos: Reprodução redes sociais

As conexões políticas e empresariais no entorno do Porto de Paranaguá alcançam agora um dos sobrenomes mais influentes da política paranaense. Documentos públicos, decisões administrativas e registros eleitorais analisados pela Gazeta do Paraná mostram que integrantes da família Amaral aparecem em diferentes pontos da engrenagem que envolve disputas portuárias, grupos empresariais e decisões estratégicas sobre áreas bilionárias do litoral do Estado.

De um lado está o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Durval Amaral. Do outro, o atual prefeito de Londrina, Tiago Amaral, filho de Durval e nome em ascensão dentro do PSD paranaense.

O elo entre os dois passa pela controversa área PAR50, no Porto de Paranaguá. O terminal se tornou uma das regiões mais disputadas da estrutura portuária após o avanço de interesses empresariais ligados à movimentação de cargas e à expansão de operações privadas dentro do porto.

Foi nesse contexto que Durval Amaral passou a atuar como relator de decisões relevantes dentro do TCE-PR. Em abril de 2023, o conselheiro negou o recebimento de uma nova denúncia apresentada contra o processo de arrendamento da PAR50. A representação havia sido protocolada pelo Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado do Paraná (Sialpar), que questionava pontos da licitação.

Posteriormente, Durval também participou da revogação de medida cautelar que suspendia o procedimento de arrendamento. Na prática, as decisões assinadas pelo conselheiro ajudaram a manter o andamento da licitação em um momento de forte disputa empresarial e questionamentos sobre a área.

O efeito concreto foi o destravamento de uma das áreas mais estratégicas do Porto de Paranaguá justamente em um ambiente cercado por interesses econômicos bilionários.

A importância da decisão cresce porque a PAR50 aparece ligada ao ambiente empresarial da FTS Participações, grupo associado ao empresário Valdécio Bombonato, personagem recorrente nas apurações da Gazeta do Paraná sobre contratos, áreas portuárias e estruturas societárias ligadas ao litoral paranaense.

Bombonato aparece conectado a diferentes empresas do setor portuário e também surge no entorno de investigações que alcançaram o Supremo Tribunal Federal. Em decisão analisada pela Gazeta, o STF descreve investigação que apura suspeitas de associação criminosa e corrupção envolvendo empresários e operadores jurídicos em Antonina.

Entre os nomes citados na investigação está o advogado Adriano Dutra Emerick, sócio do deputado estadual Tião Medeiros no escritório Medeiros & Emerick Advogados Associados. Emerick também aparece ligado a grupos societários do setor portuário, como a Brasil Sul Terminais Portuários Ltda.

É nesse mesmo ambiente que surge o nome de Tiago Amaral. Registros da prestação de contas da campanha eleitoral de 2022 mostram que Adriano Emerick realizou doações que somam R$ 100 mil para a campanha do atual prefeito de Londrina.

A informação ganha relevância porque, meses após a doação eleitoral, Durval Amaral passou a relatar decisões relacionadas à disputada área PAR50 dentro do Tribunal de Contas do Estado.

O cruzamento entre decisões administrativas, financiamento eleitoral e interesses empresariais amplia os questionamentos sobre o grau de influência exercido por determinados grupos em torno das áreas mais estratégicas do Porto de Paranaguá.

A série de reportagens da Gazeta do Paraná vem mostrando a recorrência dos mesmos nomes em contratos, disputas fundiárias, estruturas societárias e operações portuárias. Ao longo das apurações, personagens como Valdécio Bombonato, Adriano Emerick, Tião Medeiros e grupos ligados à FTS passaram a aparecer em diferentes pontos da engrenagem que conecta política, advocacia, empresas e áreas portuárias no litoral do Paraná.

Agora, a presença da família Amaral nesse mesmo circuito adiciona um novo elemento à discussão sobre como estruturas de poder político e econômico passaram a se cruzar em torno do porto mais estratégico do Sul do Brasil.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp