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Crise no fornecimento de energia faz setor produtivo cobrar explicações da Copel

Sistema FAEP denuncia quedas constantes, oscilações e demora no religamento da rede elétrica, enquanto produtores rurais acumulam perdas no Paraná

Por Eliane Alexandrino

Crise no fornecimento de energia faz setor produtivo cobrar explicações da Copel Créditos: Divulgação

As constantes falhas no fornecimento de energia elétrica têm provocado prejuízos crescentes ao agronegócio paranaense e ampliado a pressão do setor produtivo sobre a Copel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O alerta foi reforçado pelo Sistema FAEP, que denuncia aumento nas quedas de energia, oscilações de tensão e demora no religamento da rede elétrica em diversas regiões do Estado.

Segundo Luiz Eliezer Ferreira, do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, a energia elétrica se tornou um dos principais insumos da agropecuária moderna, especialmente em atividades altamente tecnificadas, como avicultura, piscicultura e produção leiteira.

Ele explica que a estabilidade no fornecimento é essencial para manter equipamentos funcionando continuamente. Em aviários, por exemplo, uma interrupção de apenas 15 minutos pode comprometer toda a produção. Na piscicultura, os aeradores responsáveis pela oxigenação da água dependem diretamente da energia para evitar a morte dos peixes.

Entre os principais problemas relatados pelos produtores estão as quedas frequentes de energia, oscilações no nível de tensão e a demora no religamento da rede elétrica.

De acordo com a FAEP, há propriedades rurais em que a energia chega a cair mais de 20 vezes no mesmo dia. Já as oscilações de tensão afetam equipamentos sensíveis utilizados na produção agropecuária, causando desligamentos, danos em motores e queima de aparelhos.

Outro ponto criticado é o tempo de resposta da distribuidora. Dados apresentados pela própria Copel apontam que o tempo médio para mobilização das equipes após uma ocorrência ultrapassa 300 minutos  cerca de quatro horas entre a identificação do problema e o início do atendimento.

O cenário, segundo a entidade, piorou significativamente nos últimos três anos, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, onde há forte concentração da produção pecuária. Recentemente, produtores registraram perdas milionárias na piscicultura, além de prejuízos na avicultura e na cadeia do leite.

Mesmo diante das reclamações, a revisão tarifária em discussão prevê aumento médio de 19% na conta de energia elétrica. O Sistema FAEP tem se posicionado contra o reajuste e cobra melhorias efetivas na qualidade do serviço prestado pela distribuidora.

Durante audiência pública promovida pela Aneel em Curitiba, representantes do setor agropecuário questionaram o reajuste tarifário diante da piora no atendimento ao consumidor rural. Entre as críticas estão investimentos considerados inadequados pela entidade, como a instalação de medidores inteligentes e trechos do programa Paraná Trifásico que, segundo a FAEP, não atenderam às demandas prioritárias do campo.

O tema também foi debatido recentemente no Senado Federal, em audiência pública convocada pelo senador Sergio Moro. Na ocasião, representantes do setor produtivo apresentaram dados técnicos sobre o aumento das falhas no fornecimento de energia no Estado.

Segundo a FAEP, tanto a Aneel quanto órgãos de defesa do consumidor reconheceram o crescimento das reclamações relacionadas à Copel.

Ao final da audiência, Sergio Moro solicitou que a distribuidora apresente, em até 30 dias, um plano de ação para reduzir os problemas no fornecimento de energia. A Aneel também anunciou fiscalizações no Paraná ao longo do segundo semestre.

O Sistema FAEP afirma que continuará acompanhando os desdobramentos e cobrando soluções para garantir mais estabilidade no fornecimento de energia elétrica ao setor agropecuário paranaense.

Câmara de Cascavel convoca audiência para cobrar explicações da Copel

A Câmara de Vereadores de Cascavel realiza no próximo dia 21 de maio, às 18h, uma audiência pública para discutir a qualidade dos serviços prestados pela Copel e a proposta de reajuste tarifário apresentada pela companhia para 2026.

A mobilização foi proposta por todos os vereadores e deve reunir moradores da cidade, produtores rurais, representantes de entidades e lideranças políticas no plenário da Câmara.

Entre os principais temas em debate estão as constantes quedas de energia registradas em Cascavel, principalmente na zona rural, além dos prejuízos causados ao agronegócio e o aumento médio de 19,2% na tarifa de energia elétrica, que em alguns casos pode ultrapassar 50%.

Os parlamentares afirmam que têm recebido inúmeras reclamações da população sobre falhas no abastecimento, prejuízos na produção rural, falta de água em propriedades abastecidas por poços artesianos e riscos para pessoas que dependem de equipamentos médicos elétricos.

Entre os casos citados está a morte de cerca de 50 toneladas de peixes após uma interrupção no fornecimento de energia.

Os vereadores defendem investimentos urgentes na infraestrutura elétrica e classificam o cenário atual como preocupante para moradores e produtores rurais do município.

Foto: Divulgação:

 

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