Copel Estudante

Cinco anos depois, Ligga Telecom muda de mãos novamente e expõe fracasso da privatização

Venda da Ligga Telecom por valor muito inferior ao da privatização, somada à assunção de uma dívida bilionária, encerra um ciclo marcado por dificuldades financeiras, mudanças de controle e promessas não cumpridas

Por Gazeta do Paraná

Cinco anos depois, Ligga Telecom muda de mãos novamente e expõe fracasso da privatização Créditos: Reprodução Internet

Cinco anos após ser privatizada pelo Governo do Paraná sob a promessa de se tornar uma das maiores operadoras de fibra óptica do Brasil, a antiga Copel Telecom mudou novamente de dono. A venda da Ligga Telecom para a Brasil TecPar, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), encerra um ciclo que acabou se transformando em um dos exemplos mais emblemáticos do fracasso das expectativas criadas em torno da privatização da empresa.

O negócio prevê o pagamento de R$ 495 milhões pela Ligga, sendo R$ 100 milhões em dinheiro e R$ 395 milhões em títulos emitidos pela controladora da Brasil TecPar. Além disso, a compradora assumirá aproximadamente R$ 1,28 bilhão em dívidas da operadora, elevando o valor econômico da transação.

O desfecho contrasta com o discurso adotado em 2020, quando a Copel Telecom foi vendida por cerca de R$ 2,4 bilhões ao fundo Bordeaux Participações. Na época, o governo estadual defendia que a iniciativa privada teria condições de acelerar investimentos, ampliar a atuação nacional da empresa e transformá-la em uma referência no mercado de telecomunicações.

Pouco depois da aquisição, a empresa foi rebatizada como Ligga Telecom e iniciou um ambicioso plano de expansão. A estratégia previa crescimento acelerado, aquisições e ampliação da rede de fibra óptica para diversos estados brasileiros.

Na prática, porém, o cenário foi muito diferente.

Ao longo dos últimos anos, a Ligga passou a enfrentar dificuldades operacionais, aumento expressivo do endividamento e resultados financeiros abaixo das expectativas. A empresa precisou renegociar compromissos financeiros e buscar alternativas para manter suas operações, até que os controladores decidiram colocar o ativo à venda.

Tanure e a Ligga...

Nos últimos anos, um dos principais nomes ligados ao controle da Ligga foi o empresário Nelson Tanure, conhecido por atuar em processos de reestruturação de grandes empresas brasileiras.

Tanure tornou-se uma das figuras centrais na tentativa de explorar o potencial da operadora, mas fracassou.

O empresário também passou a ocupar espaço no noticiário por outros motivos. Seu nome apareceu entre os investigados nas apurações relacionadas ao Banco Master, que envolvem operações financeiras e a atuação de diversos empresários e instituições. Embora as investigações ainda estejam em andamento e não haja condenação contra Tanure nesses casos, a exposição reforçou o ambiente de instabilidade que cercou alguns dos negócios conduzidos pelo investidor.

A associação entre uma empresa altamente endividada, sucessivas reestruturações societárias e um controlador envolvido em investigações contribuiu para aumentar as incertezas em torno do futuro da Ligga.

Promessas ficaram pelo caminho

Quando foi privatizada, a Copel Telecom era considerada uma das empresas públicas mais modernas do setor. Construída ao longo de décadas com investimentos da Copel, possuía uma extensa rede de fibra óptica e posição consolidada no Paraná.

Os defensores da privatização argumentavam que a companhia ganharia agilidade para competir em âmbito nacional sem as limitações impostas por ser estatal. Cinco anos depois, entretanto, o resultado ficou distante das expectativas.

A empresa não conseguiu consolidar a expansão prometida, acumulou uma dívida bilionária e acabou sendo revendida antes mesmo de completar uma década sob gestão privada.

A venda para a Brasil TecPar simboliza, na prática, o encerramento da experiência iniciada em 2020. Agora, caberá ao novo controlador integrar a infraestrutura da antiga Copel Telecom às suas operações e tentar recuperar um ativo que chegou ao mercado cercado de expectativas, mas que terminou sua primeira experiência privada em meio a uma profunda crise financeira.

Embora os consumidores não devam sentir mudanças imediatas nos serviços, a troca de controle evidencia que a trajetória da antiga Copel Telecom ficou muito aquém das promessas feitas no momento da privatização. Cinco anos depois, a empresa construída com recursos públicos deixa para trás um período marcado por dificuldades financeiras, reestruturações, mudanças de comando e uma nova venda, encerrando um capítulo que muitos analistas consideram um dos principais exemplos de como a privatização, por si só, não garantiu os resultados prometidos para a companhia.

 
 
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