El Niño atingiu 38% das áreas habitadas da Amazônia em 2024
Estudo do MapBiomas aponta que 2.172 localidades tiveram alta exposição ao fenômeno, enquanto 93% dos locais analisados ficam próximos de áreas que perderam superfície de água
Por Valéria Mendes
Créditos: Greenpeace
Segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo MapBiomas, mais de 38% das ocupações humanas na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño em 2024. Entre as 5.673 localidades habitadas analisadas na região, 2.172 foram atingidas pelo fenômeno.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A previsão indica que o El Niño de 2026 está configurado, ganha força e tem mais de 90% de chance de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão, com pico previsto entre outubro e dezembro.
Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. O volume de chuvas também foi inferior, ficando 27% abaixo da média. “Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa da atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, explica o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Bruno Ferreira, integrante da equipe da Amazônia do MapBiomas.
A pesquisa também concluiu que populações de núcleos urbanos e rurais, territórios indígenas, comunidades quilombolas, assentamentos e outras categorias foram severamente atingidas pelos efeitos do fenômeno. Segundo o levantamento, 93% dos locais analisados, o equivalente a 5.273 localidades, estão a uma distância de até cinco quilômetros de áreas que sofreram redução da superfície de água.
Créditos: Redação
