Reeleito com 19 votos, Tiago revela tensão nos bastidores: “Não seria fácil”
Presidente agradeceu grupo de 11 vereadores que “não largaram” sua mão, falou em tentativa de “apagar” sua atuação e pediu ao único voto contrário, Serginho Ribeiro, que permaneça ao seu lado
O vereador Tiago Almeida (Republicanos) foi reeleito nesta terça-feira (6) para a presidência da Câmara Municipal de Cascavel. Ele recebeu 19 votos favoráveis e apenas um contrário, de Serginho Ribeiro. O placar amplo, porém, não contou toda a história da disputa. Logo após a votação, Tiago fez um discurso que revelou uma articulação de bastidores mais turbulenta do que a chapa única levada ao plenário fazia parecer.
Ao agradecer aos vereadores que, segundo ele, “se mantiveram firmes”, Tiago afirmou que a construção de sua recondução não foi simples e usou uma frase que deixou evidente a existência de resistência ao seu nome.
“Nós sabíamos que não seria fácil. Quando uma luz está atrapalhando, alguém quer apagar”, declarou.
Tiago não identificou a quem se referia nem detalhou quais movimentos teriam ocorrido contra sua permanência na presidência. Mais adiante, no entanto, voltou ao assunto e agradeceu nominalmente ao grupo que sustentou sua candidatura durante a articulação.
“A vocês 11 que não largaram da minha mão, eu só tenho gratidão. Se hoje eu continuo nessa cadeira, é porque vocês não me deixaram no meio do caminho”, afirmou.
A declaração indica que, antes de chegar aos 19 votos registrados no plenário, Tiago contou com um núcleo de 11 parlamentares que permaneceu ao seu lado durante as negociações para a formação da nova Mesa Diretora.
Chapa única e 19 a 1
Tiago encabeçou a única chapa inscrita para comandar a Câmara no biênio 2027/2028. João Diego (Republicanos) foi eleito primeiro vice-presidente; Alécio Espínola (PL), segundo vice-presidente; Edson Souza (MDB), primeiro secretário; e Everton Guimarães, segundo secretário.
Na votação nominal, 19 vereadores apoiaram a composição. Serginho Ribeiro foi o único a votar contra.
Apesar da divergência, Tiago fez questão de se dirigir diretamente a Serginho após a eleição. O presidente lembrou a parceria entre os dois e pediu que o voto contrário não representasse um rompimento político.
“Serginho, a você que votou contra, te respeito, meu irmão”, afirmou. Na sequência, lembrou que o vereador esteve ao seu lado em momentos difíceis e acrescentou: “Não me abandone. Indiferente que votou contra. Nós temos mais dois anos para trabalhar, estar em conjunto, pensando na população”.
A manifestação ganhou peso justamente porque Serginho foi a única dissidência em uma votação que terminou praticamente unânime.
Câmara de olho no futuro
O discurso de Tiago também ultrapassou a disputa pela Mesa Diretora e entrou no terreno das próximas eleições. Ao mencionar políticos de Cascavel que disputaram cargos em 2026, o presidente projetou novos nomes saindo do Legislativo municipal nos próximos anos.
“Os próximos deputados vão sair daqui, o próximo vice-prefeito vai sair daqui, os próximos prefeitos vão sair daqui”, declarou.
Antes disso, Tiago fez referência a Fão do Bolsonaro, eleito deputado estadual, e pediu que o parlamentar não se afastasse de Cascavel. Também mencionou Gugu Bueno, o ex-prefeito Leonaldo Paranhos, Márcio Pacheco e o vice-prefeito Henrique Mecabô, eleito deputado federal.
A fala colocou a Câmara no centro das futuras articulações políticas da cidade e mostrou que a eleição da Mesa, embora definida para um mandato administrativo de dois anos, também ocorre em um ambiente já atento à reorganização das forças políticas depois das eleições de 2026 e às próximas disputas municipais.
“Fio de bigode”
Outro eixo recorrente do discurso foi a lealdade. Tiago lembrou uma conversa com a mãe sobre a expressão “fio de bigode”, usada por ele para representar o cumprimento da palavra empenhada, e agradeceu repetidamente aos vereadores que participaram da construção de sua reeleição.
Ao falar da nova Mesa, citou a experiência de Alécio Espínola, a permanência de Edson Souza e a chegada de Everton Guimarães. Também afirmou que a condução da Casa nos próximos dois anos deverá ser compartilhada entre os integrantes do grupo.
Tiago ainda apontou prioridades administrativas para o próximo biênio. Citou o projeto de reforma da Câmara, a implantação do vale-alimentação, a terceirização de serviços e afirmou que a Casa deverá adquirir novos veículos.
Com a votação desta terça-feira, Tiago Almeida permanecerá na presidência até dezembro de 2028. O resultado de 19 a 1 demonstrou força no plenário. O próprio discurso do presidente, porém, revelou que o caminho até a chapa única teve mais disputa política do que o placar final deixou transparecer.
Matérias relacionadas
Da Costa renuncia à Câmara após ascensão nas redes, eleição ao Congresso e controvérsias
Curitiba abre vagas temporárias para professores com vencimento abaixo do piso e vira alvo de cobrança
A eleição acabou no Paraná, mas não na Alep: segundo turno nacional mantém campanha na tribuna
Senado começa a discutir fim da escala 6x1 nesta terça; entenda como mobilização iniciada nas redes chegou ao Plenário
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.