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Morre Lito Sousa, criador do Aviões e Músicas, aos 59 anos

O especialista em aviação e influenciador Lito Sousa morreu aos 59 anos nesta quinta-feira (1º), em São Paulo. Ele estava em casa, sob cuidados paliativos,

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Lito Sousa, do Aviões e Músicas, morre aos 59 anos
Lito Sousa, do Aviões e Músicas, morre aos 59 anos — Crédito: Reprodução/SBT

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O especialista em aviação e influenciador Lito Sousa morreu aos 59 anos nesta quinta-feira (1º), em São Paulo. Ele estava em casa, sob cuidados paliativos, após receber o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara e sem cura. A informação foi confirmada nas redes sociais.

Lito ficou conhecido nacionalmente pelo canal Aviões e Músicas, no YouTube, onde explicava temas relacionados à aviação, manutenção de aeronaves e segurança de voo em uma linguagem acessível.

A despedida publicada nas redes sociais dizia: “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”.

Quem foi Lito Sousa

Joselito Geraldo de Sousa nasceu em Natal (RN), em 25 de janeiro de 1967. Ele entrou na área da aviação aos 14 anos, por meio de um curso técnico ligado à Força Aérea Brasileira (FAB).

Ao longo de mais de três décadas de carreira, trabalhou como mecânico de aeronaves e supervisor de segurança de voo. Passou por empresas como Varig e Transbrasil e também trabalhou na norte-americana United Airlines, onde chegou ao cargo de chefe internacional de manutenção de aeronaves.

Lito também se especializou em Fatores Humanos, área que estuda como decisões, comportamentos e limitações das pessoas podem influenciar a segurança da aviação.

Aviões e Músicas

A trajetória de Lito na internet ganhou força com o canal Aviões e Músicas, criado para explicar assuntos técnicos da aviação para o público geral.

O canal alcançou milhões de seguidores e se tornou uma das principais referências brasileiras sobre aviação no YouTube. Lito usava sua experiência profissional para explicar relatórios técnicos, procedimentos de manutenção, acidentes e outros assuntos relacionados à segurança aérea.

Ele manteve o trabalho na aviação e a produção de conteúdo por anos, até deixar o emprego para se dedicar ao canal. Em 2021, também se tornou piloto privado.

Lito criou ainda a Lito Academy, voltada à formação de profissionais da área, e um programa destinado a pessoas com medo de voar.

Ele também escreveu o livro Onde Morrem os Aviões, no qual aborda aspectos relacionados à aviação e aos limites das aeronaves.

Lito deixa a esposa, Mila Seidl, e o filho, Malone, de sete anos.

Diagnóstico da doença rara

Os problemas de saúde de Lito vieram a público em julho de 2026, quando ele revelou ter sido diagnosticado com câncer de próstata.

No mesmo período, começou a apresentar sintomas neurológicos, incluindo dormência no braço esquerdo e perda de movimentos. Ele chegou a ser internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Inicialmente, os médicos investigaram a possibilidade de encefalite autoimune. Após semanas de exames, porém, a equipe chegou ao diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob.

A esposa de Lito, Mila Seidl, revelou o diagnóstico em agosto. A família passou a buscar alternativas experimentais para tentar conter a evolução da doença.

Lito também fez um apelo a instituições que desenvolviam pesquisas sobre a DCJ. Nas semanas seguintes, a família buscou acesso a tratamentos experimentais no Brasil e no exterior.

O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurodegenerativa rara, de evolução rápida e sem cura conhecida.

A doença está relacionada aos príons, proteínas que podem assumir uma forma anormal e desencadear alterações em outras proteínas do organismo. No cérebro, esse processo provoca a destruição progressiva dos neurônios.

Entre os sintomas estão alterações de memória e raciocínio, perda de coordenação motora, dificuldade para caminhar, alterações na fala, problemas de visão e movimentos musculares involuntários.

A forma mais comum da doença não tem causa conhecida e não é transmitida pelo contato cotidiano entre pessoas.

Também não existe, atualmente, medicamento capaz de interromper ou reverter a evolução da DCJ. O tratamento é principalmente paliativo, com foco no controle dos sintomas e no conforto do paciente.

A doença é rara. A incidência estimada é de aproximadamente um caso por milhão de pessoas por ano.

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