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A eleição acabou no Paraná, mas não na Alep: segundo turno nacional mantém campanha na tribuna

Deputados voltaram do recesso eleitoral com o cenário estadual definido, mas disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro levou campanha presidencial para dentro do plenário

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Valdir Amaral
Valdir Amaral

A eleição estadual terminou, os paranaenses já sabem quem será o próximo governador e a composição da Assembleia Legislativa a partir de 2027 também está definida. Mas bastaram os deputados estaduais voltarem ao plenário nesta terça-feira (6) para ficar claro que a campanha eleitoral ainda não saiu da pauta da Casa.

Antes do recesso parlamentar, as eleições já dominavam boa parte das discussões políticas na Alep. Na retomada, o cenário mudou apenas de endereço. Com a disputa estadual encerrada no primeiro turno, a atenção de parte dos parlamentares passou imediatamente para a corrida presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que voltam às urnas no dia 25 de outubro.

O Paraná já resolveu sua principal disputa estadual com a eleição de Sergio Moro para o governo. Nacionalmente, porém, o primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro e Lula classificados para uma nova votação. Com praticamente todas as seções apuradas, Flávio terminou o primeiro turno com cerca de 47% dos votos válidos, contra pouco mais de 45% de Lula.

O reflexo desse calendário apareceu rapidamente na tribuna.

 

Da eleição estadual para a presidencial

As manifestações dos deputados durante a primeira sessão depois das urnas misturaram balanços do resultado paranaense, agradecimentos pelos votos recebidos e declarações sobre os próximos passos de cada grupo político.

Para parlamentares alinhados à direita, o encerramento da eleição estadual não significou o fim da campanha. Deputados ligados ao PL passaram a tratar o segundo turno presidencial como a próxima etapa da mobilização eleitoral e manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Do outro lado, parlamentares ligados à esquerda também deixaram claro que a campanha continua. Integrantes do PT utilizaram a tribuna para comentar o resultado das urnas e sinalizar mobilização em torno da candidatura de Lula no segundo turno.

Na prática, o plenário que passou meses atravessado pela sucessão de Ratinho Junior e pelas candidaturas estaduais voltou do recesso com outra polarização pronta para ocupar espaço: Lula contra Flávio Bolsonaro.

 

Recesso acabou, campanha não

A própria retomada dos trabalhos foi afetada pelo calendário eleitoral. A sessão inicialmente prevista para segunda-feira (5) acabou transferida para terça-feira por acordo de líderes. Para compensar, duas sessões ordinárias foram realizadas no mesmo dia.

A pausa havia sido estabelecida justamente em razão das eleições. O retorno, portanto, representaria formalmente a volta da Assembleia à rotina legislativa. Politicamente, porém, a fronteira entre plenário e campanha permanece menos nítida.

Isso porque vários deputados deixam o primeiro turno não apenas como parlamentares, mas como candidatos eleitos, derrotados ou diretamente envolvidos nas campanhas de seus grupos políticos. Dos 41 deputados estaduais que buscaram a reeleição, 31 conquistaram novo mandato. A próxima legislatura terá ainda 23 novos nomes, uma renovação de 42,59%.

Há também deputados que deixam a Assembleia depois de conquistarem vagas na Câmara Federal, enquanto outros terão de reorganizar suas posições diante do resultado da disputa pelo Governo do Estado.

Nesse ambiente, as primeiras falas depois das urnas funcionaram também como uma espécie de reorganização pública das forças políticas.

 

Três semanas de campanha pela frente

A tendência é que essa sobreposição permaneça pelo menos até 25 de outubro. Lula e Flávio Bolsonaro têm pouco menos de três semanas para disputar o segundo turno, e as duas campanhas já iniciaram a reorganização de apoios e estratégias.

Na Alep, a composição partidária ajuda a explicar por que a eleição presidencial deve continuar aparecendo na tribuna. O PL possui atualmente 12 deputados estaduais, enquanto o PT conta com seis parlamentares. Há ainda bancadas de partidos que não estão diretamente na chapa presidencial, mas cujos integrantes podem individualmente se posicionar no segundo turno.

Ao mesmo tempo, a Assembleia tem uma agenda legislativa represada pelo período eleitoral, projetos do Executivo chegando à Casa e discussões que terão impacto sobre o último trimestre do governo Ratinho Junior.

A primeira sessão depois das urnas mostrou, entretanto, que será difícil separar completamente as duas agendas.

O primeiro turno terminou no domingo. O recesso eleitoral da Assembleia terminou nesta terça. A campanha, não.

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