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Da Costa renuncia à Câmara após ascensão nas redes, eleição ao Congresso e controvérsias

Criador do “Perdeu Piá” encerra passagem de 21 meses pelo Legislativo de Curitiba; trajetória reúne carreira na PM, projeção digital e denúncias que marcaram a campanha

Gazeta do Paraná · · 6 min de leitura
Da Costa
Da Costa — Crédito: CMC

O vereador Da Costa (Podemos), eleito deputado federal no domingo (4), renunciou ao mandato na Câmara Municipal de Curitiba. A decisão foi comunicada ao plenário nesta terça-feira (6), por meio de uma carta lida pelo primeiro-secretário Bruno Rossi. O encerramento antecipado de sua passagem pelo Legislativo municipal marca uma nova etapa de uma carreira política construída a partir da exposição nas redes sociais e acompanhada por controvérsias sobre sua atuação e sua vida pessoal.

Gustavo Silveira da Costa chegou à Câmara em janeiro de 2025, depois de conquistar 15.014 votos pelo União Brasil, a terceira maior votação para vereador na capital em 2024. Menos de dois anos depois, obteve 86.070 votos na disputa pela Câmara dos Deputados. Entre as duas eleições, consolidou sua identificação com pautas de segurança pública e trânsito, mas também enfrentou questionamentos sobre sua participação em abordagens policiais e a repercussão de uma denúncia de violência doméstica.

 

Saída por carta

Datado de segunda-feira (5), o documento encaminhado à Câmara declara a renúncia em caráter “irrevogável e irretratável” e solicita as providências para a declaração de vacância e a convocação do suplente. A carta agradece aos vereadores, servidores e cidadãos que acompanharam o mandato, mas não apresenta uma justificativa específica para a saída.

Da Costa não fez um pronunciamento pessoal sobre a decisão na sessão desta terça-feira. O presidente da Câmara, Tico Kuzma, anunciou o recebimento do documento e encaminhou sua leitura ao secretário. Embora a renúncia tenha ocorrido imediatamente após a eleição para deputado federal, o texto não explica por que ele decidiu deixar o cargo municipal antes do início do mandato no Congresso, previsto para fevereiro de 2027.

A vaga deverá ser preenchida conforme a lista de suplência do União Brasil, partido pelo qual Da Costa foi eleito em 2024. Alexandre Leprevost, que recebeu 8.655 votos naquela eleição, aparece como primeiro suplente da legenda.

 

Da farda às redes

Nascido em Curitiba em 1990, Da Costa integrou a Polícia Militar do Paraná entre 2014 e 2021. A experiência na corporação tornou-se parte central de sua identidade pública e, posteriormente, de sua apresentação ao eleitorado.

Na biografia divulgada pela Câmara, ele atribui a saída da PM a uma perseguição administrativa que teria sofrido depois de expor problemas da instituição. Essa é a versão apresentada pelo próprio parlamentar sobre o encerramento de sua carreira policial. Fora da corporação, passou a investir na produção de conteúdo para as redes sociais.

O canal “Perdeu Piá” foi o principal instrumento dessa projeção. Vídeos relacionados à segurança e ao trânsito ajudaram a transformar o antigo nome de guerra em uma marca reconhecida pelo público. A candidatura municipal reuniu essa identificação profissional e a popularidade conquistada na internet.

 

Mandato breve

A eleição de 2024 levou essa audiência para as urnas e abriu sua primeira experiência em um cargo eletivo. Autodeclarado de direita, Da Costa concentrou iniciativas legislativas em fiscalização, monitoramento e segurança pública, com propostas relacionadas ao uso de câmeras e à integração de sistemas de vigilância.

A passagem pela Câmara, porém, foi curta. Em janeiro de 2026, migrou do União Brasil para o Podemos, partido pelo qual disputou a eleição federal. A renúncia encerra cerca de 21 meses de exercício do mandato municipal, originalmente previsto para durar até o fim de 2028.

A sequência das duas eleições mostra a velocidade de sua ascensão: da estreia na Câmara de Curitiba à conquista de uma cadeira no Congresso em um único ciclo de dois anos. Também evidencia o peso da presença digital na construção de uma carreira que avançou antes da conclusão do primeiro mandato.

 

Abordagens sob investigação

A imagem de ex-policial atuante em situações de segurança pública também esteve no centro de questionamentos. Em março de 2026, foi noticiada a abertura de um inquérito pela Polícia Civil, a pedido do Ministério Público do Paraná, para apurar sua suposta atuação como policial em abordagens, mesmo depois de ter deixado a corporação.

Os questionamentos envolviam a participação do vereador em ações com agentes de segurança e o uso de imagens dessas intervenções nas redes sociais. A apuração colocou em discussão os limites entre a fiscalização parlamentar e a execução de atividades policiais.

Da Costa sustentou que exercia funções de fiscalização inerentes ao mandato e classificou os questionamentos como perseguição. A abertura do inquérito constitui uma investigação, sem equivaler a uma conclusão sobre responsabilidade criminal. Não foi localizado, nas informações consultadas para esta reportagem, um desfecho que permita afirmar condenação ou encerramento da apuração.

 

Denúncia e proteção

Na reta final da campanha, outra controvérsia ganhou repercussão. Uma reportagem do Plural retomou um boletim de ocorrência de 2016 no qual uma então companheira de Da Costa relatou agressões e ameaças. Segundo o relato registrado no documento e divulgado pelo jornal, o então policial militar teria apontado uma arma contra ela.

O parlamentar negou as acusações e publicou um vídeo de resposta. Afirmou que a denúncia era falsa, que o caso havia sido arquivado e que sua divulgação às vésperas da eleição tinha motivação política. Essas declarações expressam a versão de Da Costa; a decisão sobre o arquivamento mencionado por ele não foi consultada pela reportagem.

O episódio teve um desdobramento judicial posterior. Segundo reportagem do Plural, também reproduzida por outro portal, a Justiça determinou a retirada do vídeo publicado pelo vereador e concedeu uma medida protetiva em favor da ex-companheira. O jornal informou que ele ficou proibido de se aproximar dela.

As medidas noticiadas precisam ser consideradas separadamente da afirmação de arquivamento do caso antigo. A íntegra das decisões não foi obtida para esta reportagem, e a concessão de proteção não equivale, por si só, a uma condenação pelas agressões relatadas no boletim.

 

Próxima etapa

A vitória para deputado federal amplia a projeção de Da Costa e leva ao Congresso uma carreira construída na combinação entre experiência policial, conteúdo digital e discurso de segurança pública. As controvérsias fizeram parte dessa trajetória e ganharam repercussão durante o período em que ele consolidava sua candidatura.

A renúncia fecha sua primeira passagem pelo Legislativo antes da conclusão do mandato. A carta lida na Câmara não menciona as denúncias ou investigações, e não há informação verificada que permita atribuir a saída a esses episódios. O fato confirmado é o encerramento antecipado do mandato municipal, dois dias depois de conquistar nas urnas uma cadeira em Brasília.

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