Deltan diz à Justiça ter retirado 1.087 posts e cancelado R$ 597 mil em mídia
Candidato ao Senado informou ao TRE-PR que rescindiu contratos, recolheu 350 mil panfletos, cancelou estrutura de rua e retirou conteúdos de oito plataformas após ordem judicial
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O candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) informou à Justiça Eleitoral que desmontou parte da estrutura de sua campanha depois de receber uma ordem que o proibiu de fazer propaganda eleitoral. Entre as medidas apresentadas no processo estão a exclusão ou arquivamento de 1.087 conteúdos nas redes sociais, a rescisão antecipada de contratos de 47 colaboradores e o abandono ou cancelamento de R$ 597,4 mil em impulsionamento de mídia.
Os números foram apresentados pela própria defesa de Deltan ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em resposta a uma denúncia registrada pelo sistema Pardal. A notícia de irregularidade apontava que o candidato continuava divulgando o número 300 e fazendo publicações relacionadas à candidatura no Instagram mesmo após a determinação de suspensão da campanha.
A decisão analisada agora, porém, não é a que determinou a proibição. Segundo a relatora, desembargadora federal Claudia Cristina Cristofani, as medidas de poder de polícia já haviam sido adotadas em outro processo. Neste caso, a Justiça recebeu os esclarecimentos apresentados pela campanha e determinou o arquivamento definitivo após nova vista ao Ministério Público Eleitoral.
Campanha diz ter desmontado estrutura
Na manifestação apresentada ao TRE-PR, Deltan afirma que cumpriu integralmente a ordem recebida em 19 de setembro de 2026, às 23h33.
A campanha informou ter rescindido antecipadamente contratos de aproximadamente 47 colaboradores e cancelado a contratação de cerca de 360 panfleteiros que trabalhariam na reta final da eleição.
Também foram recolhidos e retidos, segundo a defesa, aproximadamente 350 mil panfletos, 80 mil colinhas, 225 wind banners e 160 bandeiras, impedindo que o material fosse distribuído.
A campanha ainda afirmou ter cancelado eventos, carreatas, viagens ao interior, sabatinas e entrevistas, além de interromper a distribuição de kits de campanha.
Quase R$ 600 mil em publicidade foram abandonados
Um dos principais números apresentados pela defesa envolve a publicidade digital.
Segundo Deltan, a campanha abandonou R$ 217.408,09 já pagos e não utilizados na Meta e cancelou outros R$ 380 mil em aportes previstos para impulsionamento.
Somados, os valores chegam a R$ 597.408,09 em mídia que, segundo a campanha, deixou de ser utilizada após a ordem judicial.
A defesa também informou ter retirado a chave Pix utilizada para doações privadas, devolvido valores recebidos após a decisão e pausado a plataforma de arrecadação coletiva, que havia alcançado R$ 171.267.
Mais de mil conteúdos foram retirados
No ambiente digital, a campanha informou que retirou o número de candidatura, fotos de perfil, biografias, destaques e pedidos de voto de oito plataformas e perfis secundários.
As biografias foram alteradas, segundo a defesa, para informar que Deltan estava “proibido de fazer campanha”.
Ao todo, foram excluídos ou arquivados 1.087 conteúdos, sendo 884 publicações e outros 203 vídeos ou Shorts no YouTube.
A campanha também informou ter interrompido os envios para 525 grupos de WhatsApp, que, segundo os dados apresentados pela defesa, reuniam mais de 36,3 mil participantes.
Pardal levou caso à Justiça
A denúncia que deu origem ao processo foi registrada pelo sistema Pardal e apontava que Deltan continuava utilizando o Instagram para divulgar o número de candidatura e fazer publicações relacionadas à disputa pelo Senado, apesar da ordem de suspensão.
A relatora já havia determinado que o Ministério Público Eleitoral fosse comunicado para avaliar a adoção de eventual providência. A Procuradoria Regional Eleitoral informou que analisaria a possibilidade de instaurar uma Notícia de Fato no sistema próprio do Ministério Público.
Depois dos esclarecimentos apresentados pela defesa, a decisão determinou nova vista ao Ministério Público Eleitoral e, na sequência, o arquivamento definitivo do processo.
A decisão não aplica nova sanção a Deltan neste processo nem afirma que todas as alegações apresentadas pela defesa foram auditadas. O documento registra os esclarecimentos da campanha sobre as medidas adotadas para cumprir a ordem judicial.
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