Paulo Guedes reaparece no debate sobre bets após decisão de Lula
Vídeo de reunião ministerial de 2020 em que ex-ministro defendeu a liberação de jogos de azar voltou a circular nas redes após Lula assinar MP que proíbe as bets no Brasil
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A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no Brasil entrou no centro da disputa eleitoral na reta final da campanha. A medida provisória assinada na sexta-feira (25) determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país.
A repercussão nas redes sociais foi expressiva. Segundo levantamento da plataforma Democracia em Xeque citado pelo UOL, foram registrados 2,5 milhões de posts sobre o tema e 40 milhões de interações nas primeiras 63 horas após a assinatura da medida.
A proibição também passou a ser explorada pelos principais candidatos à Presidência. O tema aparece associado principalmente às discussões sobre orçamento das famílias, endividamento e impactos das apostas online.
Flávio critica governo e mira o Tigrinho
Em uma transmissão ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) criticou a atuação do governo federal na fiscalização das apostas.
O candidato afirmou que o governo deixou o chamado jogo do Tigrinho funcionar sem controle suficiente. Flávio disse que pretende acabar com plataformas desse tipo, mas não apresentou a mesma posição em relação às apostas esportivas.
A crítica ocorreu depois de Lula anunciar a proibição das bets. O governo informou que a medida atinge tanto as apostas esportivas quanto os jogos online.
Flávio classificou a decisão do presidente como “hipócrita, eleitoreira, oportunista”.
Lula, por sua vez, defendeu a medida como uma resposta aos impactos das apostas sobre as famílias brasileiras. O presidente afirmou que o chamado cassino online precisa acabar e disse que é possível controlar o setor por meio de tecnologia.
Pesquisa apontou apoio à medida
A decisão do governo foi anunciada poucos dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg citada na análise apontou que 75% dos entrevistados apoiavam a proibição das bets.
A medida estabelece um cronograma para o encerramento das plataformas. Os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão sair do ar.
A MP ainda precisa passar pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva.
Vídeo de Paulo Guedes volta ao debate
A discussão também recuperou uma declaração do ex-ministro da Economia Paulo Guedes durante uma reunião ministerial do governo Jair Bolsonaro, em abril de 2020.
Na ocasião, Guedes defendeu a liberação de jogos de azar como forma de atrair turistas e ampliar a atividade econômica. O então ministro afirmou que adultos deveriam ter liberdade para apostar e minimizou os possíveis efeitos sobre outras pessoas.
A declaração provocou reação da então ministra Damares Alves, que era contrária à liberação dos jogos. Na reunião, Damares classificou a proposta como “um pacto com o diabo”.
O vídeo voltou a circular nas redes sociais durante a campanha de 2026, em meio ao debate sobre a decisão de Lula.
Confira o vídeo:
Impacto das apostas no orçamento
O debate sobre a proibição também ganhou força com dados sobre o impacto financeiro das apostas.
Segundo dados citados pelo UOL, cerca de 270 mil famílias entraram no grupo de superendividados desde dezembro de 2024. A estimativa é de que as apostas esportivas tenham retirado R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025.
Os dados indicam maior impacto entre homens com 35 anos ou mais e famílias de menor renda.
O governo também relacionou a decisão a preocupações de saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 28 milhões de brasileiros haviam feito apostas online nos 12 meses anteriores a uma pesquisa de 2023, enquanto 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo considerado de risco ou problemático.
A medida de Lula ocorre, portanto, em meio a uma disputa eleitoral na qual as apostas passaram a ocupar espaço nas discussões sobre endividamento, renda familiar, regulação e responsabilidade do Estado.
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