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SUS amplia acesso a trombolíticos para tratar infarto e AVC Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

SUS amplia acesso a trombolíticos para tratar infarto e AVC

Lei sancionada por Lula prevê maior oferta de medicamentos que dissolvem coágulos em UPAs e no Samu 192; medida busca acelerar o atendimento e reduzir mortes e sequelas causadas por infarto e AVC isquêmico

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar a oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência. A medida inclui unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).

A ampliação está prevista em uma lei sancionada nesta quarta-feira (2) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os trombolíticos são medicamentos usados, conforme avaliação médica, para dissolver coágulos que bloqueiam vasos sanguíneos. O objetivo é restabelecer a circulação e reduzir os danos provocados por situações como o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico.

O tempo entre o início dos sintomas, o diagnóstico e o tratamento é considerado fundamental nesses casos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o atendimento rápido pode aumentar as chances de sobrevivência e reduzir o risco de sequelas.

“Em caso de infarto, acidente vascular cerebral, tempo é vida! É o que pode reduzir o risco de óbito ou de impactos maiores físicos para aquela pessoa”, disse Padilha em suas redes sociais.

Medicamento pode ser usado antes de procedimentos mais complexos

Nos casos de infarto, o trombolítico pode ser indicado principalmente quando procedimentos de maior complexidade, como a angioplastia, não estão disponíveis dentro do tempo considerado adequado.

A angioplastia é um procedimento utilizado para desobstruir artérias e restabelecer o fluxo sanguíneo.

Nessas situações, o paciente pode receber o medicamento enquanto a equipe organiza a continuidade do atendimento e, quando necessário, a transferência para outro serviço da rede de saúde.

Comitê vai acompanhar implementação

O SUS já possui protocolos para diagnóstico e tratamento de infarto e AVC que preveem o uso de trombolíticos nos serviços de urgência e emergência, incluindo UPAs e o Samu 192.

Até agora, porém, a aquisição dos medicamentos é feita pelos gestores locais de saúde.

Para ampliar a disponibilidade dos trombolíticos em todo o país, o ministro da Saúde assinou uma portaria que criou o Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes, voltado para AVC e infarto.

O grupo terá a função de analisar e propor medidas para ampliar o acesso aos medicamentos e melhorar o atendimento aos pacientes.

“O Ministério da Saúde cria hoje um grupo de trabalho, junto com as sociedades de especialidades, para regulamentar, estabelecer diretrizes, implementar e acompanhar a execução em todo o Brasil. Isso é fundamental para mudar a história natural do infarto no nosso país”, explicou Padilha.

Brasil tem até 400 mil casos de infarto por ano

O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano, segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC. Desse total, 218 mil foram casos de AVC isquêmico, provocado pela obstrução de uma artéria do cérebro por um coágulo.

Nas UPAs, as equipes podem realizar o diagnóstico, avaliar a indicação clínica e, quando necessário, iniciar o tratamento com trombolíticos em casos de infarto e AVC isquêmico.

Segundo Padilha, o Ministério da Saúde acompanha experiências de uso desses medicamentos realizadas em parceria com estados e municípios. De acordo com o ministro, algumas dessas iniciativas apresentaram potencial para reduzir em até 50% as mortes por infarto.

Samu também poderá administrar trombolíticos

No Samu 192, o medicamento poderá ser administrado após avaliação da equipe de saúde nas unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas para esse tipo de atendimento.

Atualmente, 102 unidades do Samu 192 estão habilitadas a prestar esse tipo de assistência.

O Ceará concentra o maior número, com 28 unidades. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 22; Sergipe, com 16; Rio Grande do Norte, com 13; Bahia, com 12; São Paulo, com nove; e Paraíba, com duas.

Em 2025, o Samu 192 registrou 861 aplicações de trombolíticos em todo o país.

A ampliação prevista pelo governo busca levar esse tipo de tratamento a mais pontos da rede pública, principalmente em situações nas quais o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento pode fazer diferença no desfecho do paciente.

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