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Ex-assessor de Sandro Alex negocia devolver R$ 162 mil à Celepar após investigação do MPPR

Lauro Rodrigues da Costa Neto é investigado por suposto recebimento de salários sem comprovação de efetivo trabalho; defesa propõe devolver apenas o valor corrigido e parcelar o pagamento

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Ex-assessor de Sandro Alex negocia devolver R$ 162 mil à Celepar após investigação do MPPR Créditos: Divulgação

Um ex-assessor parlamentar de Sandro Alex, candidato escolhido pelo governador Ratinho Junior para disputar o Governo do Paraná pelo PSD, negocia com o Ministério Público do Paraná (MPPR) um acordo para devolver valores recebidos enquanto ocupava um cargo comissionado na Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).

O investigado é Lauro Rodrigues da Costa Neto. Conforme registros oficiais da Câmara dos Deputados, ele trabalhou como secretário parlamentar no gabinete de Sandro Alex entre 1º de março de 2011 e 4 de julho de 2012. Depois, integrou a administração de Marcelo Rangel, irmão de Sandro Alex, durante sua passagem pela Prefeitura de Ponta Grossa, onde exerceu a função de controlador municipal.

Anos mais tarde, Lauro passou pela estrutura estadual ligada à área de inovação e, em fevereiro de 2024, foi nomeado assessor sem vínculo da Celepar. A trajetória profissional, portanto, atravessa mais de uma década e diferentes estruturas políticas e administrativas ligadas aos irmãos: gabinete de Sandro Alex na Câmara, Prefeitura de Ponta Grossa na gestão de Marcelo Rangel, área estadual de inovação e, por fim, a companhia pública de tecnologia.

Documentos do Inquérito Civil nº 0046.24.242937-4, conduzido pela 5ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba, mostram que Lauro manifestou interesse em firmar um Acordo de Não Persecução Cível. A medida busca evitar uma eventual ação judicial e prevê a devolução dos recursos recebidos durante o período investigado.

A defesa concorda com a restituição dos valores corrigidos monetariamente, mas pede que os juros sejam retirados do cálculo e que o pagamento possa ser feito de forma parcelada. A proposta ainda será analisada pelo Ministério Público.

Cálculo chega a R$ 186,9 mil

O Centro de Apoio Técnico à Execução do MPPR (CAEx) calculou que Lauro recebeu R$ 155.107,59 líquidos no período analisado. Com a correção monetária, o valor passou para R$ 162.100,07. Somados R$ 24.830,87 em juros, o montante final chegou a R$ 186.930,94.

Na prática, a defesa propõe devolver R$ 162.100,07, retirando os juros e dividindo o pagamento em parcelas. No documento encaminhado ao MPPR, o advogado do investigado argumenta que a correção monetária seria suficiente para recompor o valor da moeda e afirma que Lauro não possui condições de realizar o pagamento de uma só vez.

Investigação começou após denúncia

A apuração teve início em dezembro de 2024, depois que o MPPR recebeu uma representação anônima afirmando que Lauro estaria recebendo remuneração da Celepar sem exercer efetivamente suas funções.

Admitido em 16 de fevereiro de 2024, ele ocupava o cargo de assessor sem vínculo, com jornada de 40 horas semanais e lotação na assessoria ligada à Presidência da estatal. Após reajuste coletivo, o salário registrado era de R$ 17.715 mensais.

Ao analisar os documentos enviados pela Celepar, a Promotoria identificou “frequentes ausências de registros” nas folhas de ponto, especialmente a partir de agosto de 2024. Em novembro, entre os dias 12 e 29, diversos registros apresentavam apenas a entrada, sem a correspondente marcação de saída.

O MPPR pediu então explicações sobre quem supervisionava o assessor, quais tarefas ele realizava, onde trabalhava, de quais reuniões participava e quais documentos ou resultados havia produzido.

Atuação envolvia área comandada por Marcelo Rangel

Na resposta encaminhada ao Ministério Público, a Celepar informou que Lauro deveria atuar na “articulação de projetos estratégicos” entre a companhia e a Secretaria de Estado da Inovação, Modernização e Transformação Digital, em regime híbrido entre Curitiba e Ponta Grossa.

A secretaria havia sido comandada por Marcelo Rangel, irmão de Sandro Alex e ex-prefeito de Ponta Grossa. Lauro já havia trabalhado com Rangel durante sua administração municipal, como controlador do município.

Apesar da descrição das atribuições, a Promotoria registrou, em setembro de 2025, que não haviam sido apresentados documentos capazes de comprovar as atividades efetivamente desempenhadas pelo assessor.

A então chefe de gabinete da Celepar, Karen Larissa Godoy dos Santos, apontada pela estatal como responsável pelas relações institucionais que envolviam Lauro, afirmou em depoimento que não sabia exatamente quais atividades ele realizava no escritório regional de Ponta Grossa.

Segundo Karen, a proposta era que o assessor articulasse contatos com municípios, apresentasse soluções da companhia e buscasse novos negócios. A iniciativa, no entanto, não teria avançado. Questionada sobre visitas, telefonemas, reuniões ou relatórios, ela declarou que Lauro “nunca apresentou nenhum relatório sobre nada disso”.

Após o depoimento, o Ministério Público concluiu que ainda não estava demonstrada a efetiva prestação dos serviços e decidiu dar continuidade à apuração.

Falhas nos registros continuaram até o desligamento

A Promotoria também requisitou os registros de frequência referentes a dezembro de 2024 e janeiro de 2025. De acordo com despacho do MPPR, o mesmo padrão se repetiu: na maioria dos dias havia apenas a marcação de entrada, sem o registro de saída; em outros, não constava qualquer marcação.

Lauro deixou a Celepar em janeiro de 2025. No mês seguinte, a existência da investigação foi revelada em reportagem da jornalista Mareli Martins. Na ocasião, o Governo do Paraná negou que a exoneração estivesse relacionada ao procedimento do Ministério Público.

A apuração, inicialmente aberta como Notícia de Fato, foi transformada em Procedimento Preparatório e, em 29 de outubro de 2025, passou formalmente à condição de Inquérito Civil. O objeto definido pela Promotoria foi “apurar o (ir)regular cumprimento de funções por parte de servidor comissionado da Celepar”.

Em fevereiro de 2026, Lauro prestou depoimento e recebeu prazo para apresentar provas documentais do efetivo exercício de suas funções. Segundo despacho posterior, os documentos não foram entregues dentro do prazo. Pouco depois, a defesa procurou o Ministério Público para discutir uma composição que evitasse uma eventual ação judicial.

Em reunião realizada em 22 de abril, Lauro formalizou o interesse no Acordo de Não Persecução Cível. A partir daí, o MPPR solicitou à Celepar todos os contracheques do ex-assessor e encaminhou os dados ao CAEx para calcular o eventual dano ao erário.

Caso entra no debate sobre a continuidade do governo

O episódio ganha peso político no momento em que Sandro Alex se apresenta como o candidato da continuidade da gestão Ratinho Junior. A candidatura ao Governo do Paraná foi homologada pelo PSD em convenção realizada em 25 de julho. No evento, o próprio Sandro declarou que o projeto eleitoral pretende “dar continuidade ao trabalho” do atual governo. Ratinho Junior, por sua vez, afirmou que o ex-secretário de Infraestrutura representa o grupo que atualmente comanda o Estado.

Os registros da Câmara confirmam que Lauro trabalhou durante 16 meses no gabinete de Sandro Alex, ainda no primeiro mandato do deputado. Depois, passou pela gestão de Marcelo Rangel em Ponta Grossa e chegou à Celepar para exercer uma atividade que envolvia justamente a articulação com a área estadual de inovação anteriormente comandada pelo irmão do candidato.

Não há, no Inquérito Civil nº 0046.24.242937-4, indicação de que Sandro Alex ou Marcelo Rangel sejam investigados ou tenham participado das eventuais irregularidades atribuídas a Lauro. O vínculo político e profissional é relevante para contextualizar a trajetória do ex-assessor, mas não significa responsabilidade dos irmãos pelos fatos apurados.

O inquérito permanece em andamento. O Ministério Público ainda deverá decidir se aceita a devolução sem juros e de forma parcelada ou se exige o pagamento integral de R$ 186.930,94.

Foto: Divulgação 

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