CCJ do Senado aprova PEC que acaba com escala 6x1
Proposta reduz jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso; texto ainda precisa passar pelo plenário do Senado em dois turnos antes de seguir para promulgação
Créditos: Assessoria
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1.
A votação foi simbólica. A expectativa é que a proposta seja levada ao plenário do Senado ainda nesta quarta-feira.
O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio.
A PEC prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece o direito a dois dias de descanso por semana.
Para ser aprovada definitivamente, a proposta precisará receber pelo menos três quintos dos votos dos senadores, o equivalente a 49 votos, em dois turnos de votação.
Depois de aprovada pelo Senado, a PEC poderá seguir para promulgação, caso o texto não precise retornar à Câmara.
Rogério Marinho tentou manter uma folga
Durante a votação na CCJ, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentou um destaque para manter apenas um dia de folga remunerada por semana.
A mudança permitiria que as empresas continuassem adotando a escala 6x1 mesmo com a redução da jornada para 40 horas semanais.
O destaque, porém, foi rejeitado pelos senadores.
Fim da escala 6x1 vira trunfo de Lula
O fim da escala 6x1 foi incorporado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma das principais propostas que pretende apresentar durante a campanha pela reeleição.
A aprovação da medida no Congresso ganhou força depois que Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retomaram o diálogo após meses de distanciamento.
O presidente também se reuniu com Alcolumbre e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um almoço reservado no Palácio da Alvorada. O encontro tratou da articulação para avançar com a proposta.
A aprovação na CCJ representa um avanço importante para o governo, mas a PEC ainda precisa enfrentar a votação no plenário do Senado.
Como funcionará a mudança
A redução da jornada para 40 horas não ocorrerá imediatamente.
Pelo texto, 60 dias após a publicação da emenda constitucional, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas.
As 40 horas semanais passarão a valer 14 meses depois da publicação da emenda.
O direito a dois dias de descanso semanal, sendo um deles preferencialmente aos domingos, entrará em vigor após os primeiros 60 dias da promulgação.
Isso significa que o direito às duas folgas começará antes da redução definitiva da jornada para 40 horas.
Acordos coletivos poderão definir as folgas
A PEC também prevê regras específicas para setores que funcionam de maneira contínua e que alegam dificuldades para interromper as atividades por dois dias seguidos, como as áreas de saúde e segurança.
Nesses casos, sindicatos e empresas poderão estabelecer, por meio de acordos coletivos, uma forma de distribuir os dois dias de descanso ao longo do mês.
O trabalhador poderá, por exemplo, trabalhar mais dias seguidos em uma semana e compensar com mais folgas na semana seguinte. Para isso, deverá ser respeitada a média mensal e garantida pelo menos uma folga em cada semana de trabalho.
O texto também determina que cláusulas de acordos ou convenções coletivas que estabeleçam jornadas superiores a 40 horas semanais ou apenas um dia de descanso perderão automaticamente a validade 60 dias após a publicação da Emenda Constitucional.
