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Rede elétrica do Oeste passa por ciclo de R$ 311,8 milhões em investimentos

Novos alimentadores, manutenção preventiva, automação e reforço operacional integram ações para reduzir vulnerabilidades e acompanhar as mudanças no consumo de energia

Por Gazeta do Paraná

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Rede elétrica do Oeste passa por ciclo de R$ 311,8 milhões em investimentos Créditos: Divulgação Copel

A transformação do Oeste do Paraná nas últimas décadas também pode ser observada pela rede elétrica. Uma região que concentra cidades em expansão, indústria e uma produção agropecuária cada vez mais mecanizada passou a exigir não apenas mais energia, mas uma estrutura capaz de acompanhar atividades nas quais motores, climatização, ventilação, alimentação e sistemas automatizados funcionam durante boa parte do dia.

É nesse cenário que a Copel tem R$ 311,8 milhões em investimentos programados para a região neste ano, com aportes em andamento. O valor reúne diferentes frentes: expansão da rede, novos alimentadores, manutenção, manejo da vegetação, automação e estrutura operacional.

O investimento no Oeste integra um ciclo mais amplo. Segundo o diretor-geral da Copel Distribuição, Denis Mollica, estão previstos R$ 13,5 bilhões para a distribuição entre 2026 e 2030, dos quais R$ 2 bilhões somente neste ano. O volume supera os R$ 11,3 bilhões investidos entre 2019 e 2025. Denis relaciona a concentração de investimentos na região ao ritmo de crescimento econômico, especialmente das atividades ligadas ao agronegócio.

“A gente observou que o agronegócio e o crescimento de toda a região, tanto Noroeste, Oeste e Sudoeste, apresentaram um nível de crescimento muito acima da média do Estado e do Brasil”, afirma Denis. Na definição utilizada internamente pela companhia, o objetivo é “chegar antes”, preparando a infraestrutura para uma demanda que tende a crescer.

A região já conta com aproximadamente 5 mil quilômetros de novas redes trifásicas em 60 municípios. Somente na área rural de Cascavel são 371 quilômetros. Para o gerente executivo de Projetos da Copel, Rafael Radaskievicz, a modernização do agronegócio tornou essa relação ainda mais estreita. “Sem dúvidas, a modernidade do agronegócio requer tanto um perfil eletrointensivo como também eletrodependente da energia elétrica”, afirma.

 

Segurança energética

Para Marcelo Gonçalves Santos, gerente executivo do Copel Agro, segurança energética pode ser entendida a partir de três objetivos. O primeiro é a qualidade da energia entregue. O segundo é evitar a interrupção. O terceiro aparece quando, apesar das medidas preventivas, ocorre uma falha.

“O segundo objetivo é que não falte energia. Se faltar energia, vem o terceiro objetivo: que a gente consiga retornar o fornecimento de energia o mais rápido possível”, explica.

Essa lógica ganha relevância no Oeste pela própria característica da atividade econômica regional. Quanto maior a dependência de equipamentos elétricos para manter uma produção funcionando, menor é a margem para permanecer longos períodos sem fornecimento.

Ao mesmo tempo, boa parte da infraestrutura está exposta às condições climáticas. Marcelo trabalhou por mais de dez anos na operação da companhia e lembra que os temporais fazem parte historicamente da realidade paranaense, mas avalia que os eventos vêm se agravando.

“Em algum momento a nossa rede vai sofrer algum dano. Mas, quando isso acontecer, que a gente esteja preparado e atenda o mais rápido possível”, afirma.

 

Alimentadores

Uma das frentes está nos alimentadores, estruturas fundamentais para entender como a energia chega ao consumidor. De maneira simplificada, são circuitos de grande extensão que interligam subestações a unidades consumidoras e funcionam como “estradas de energia”. Além de permitir o atendimento de novas cargas, criam rotas alternativas para manobras na rede, ajudando a manter um número maior de consumidores ligados durante interrupções ou manutenções.

A expansão prevista para este ano inclui 621 quilômetros de novas redes e 22 novos alimentadores no Oeste. “São novas fontes de energia para atender a indústria, o agronegócio, o crescimento das cidades”, explica Denis. Em todo o Paraná, serão implantados 3.545 quilômetros de novas redes de média tensão, entre novos circuitos, novas ligações e substituição de redes antigas.

No Estado, está programada para 2026 a entrada em operação de 84 novos alimentadores, com investimento de R$ 156 milhões e capacidade para fornecer energia a mais de 330 mil clientes. Desse total, 22 estão no Oeste.

Entre essas estruturas, dois novos alimentadores fazem parte de um investimento superior a R$ 22 milhões. Um deles tem aproximadamente 50 quilômetros de extensão e foi projetado para atender comunidades rurais de Palotina, Assis Chateaubriand e Maripá. O segundo tem 35 quilômetros, interliga Palotina e Nova Santa Rosa e já está em operação. Somente nesta última rede, a Copel informa ter investido aproximadamente R$ 8,8 milhões.

A importância dessas estruturas está justamente na distribuição. Não basta haver energia disponível no sistema se a rede responsável por transportá-la até os pontos de consumo não acompanhar o crescimento da carga. Os novos trechos também foram projetados para serem mais robustos diante de eventos climáticos e reduzir a interferência da vegetação.

 

Expansão

O investimento em novas redes não é definido apenas a partir da demanda existente. Parte do trabalho consiste em antecipar onde o consumo deverá aumentar nos próximos anos.

Rafael Radaskievicz explica que a expansão da rede trifásica considerou áreas com maior perspectiva de crescimento. O planejamento, segundo ele, é contínuo. “A Copel mantém estudos periódicos de expansão de carga, de crescimento e faz planos de investimentos anuais até plurianuais de extensão das redes”, afirma.

Esse planejamento inclui uma nova etapa de investimentos em subtransmissão. No Paraná, estão previstas 50 novas subestações nos próximos cinco anos, além da ampliação de 88 unidades e da modernização de outras 30. O ciclo contempla ainda 1.200 quilômetros de novas linhas de 138 kV. Entre 2019 e 2025, a Copel entregou 40 novas subestações no Estado.

Denis explica que as subestações são fundamentais para que a energia possa chegar posteriormente às redes de distribuição. “O coração da subestação é o transformador”, afirma. Nas ampliações, a companhia pode instalar um segundo ou terceiro transformador ou substituir equipamentos por outros de maior potência. Mais de dez novas subestações já estão em fase de projeto.

No Oeste, dos 25 mil quilômetros de redes trifásicasimplantados no Paraná, cerca de 5 mil estão nos municípios da região. No Estado, o Paraná Trifásico recebeu R$ 3,3 bilhões em investimentos.

 

Prevenção

Construir rede nova, no entanto, é apenas uma parte do trabalho. A infraestrutura existente precisa ser inspecionada e mantida, sobretudo em áreas rurais, onde quilômetros de cabos atravessam regiões com vegetação e ficam diretamente expostos a temporais.

Dados da distribuidora apontam que cerca de 40% dos desligamentos estão relacionados ao contato da vegetação com a rede elétrica. Por isso, outra frente envolve inspeções permanentes, manutenção preventiva e corretiva e manejo da vegetação próxima à rede. Toledo e Cascavel estão entre as cidades do Oeste incluídas nas ações de poda previstas pela companhia.

“Não adianta atender o cliente bem. É muito importante, a gente sabe disso. Mas também é importante agir proativamente para evitar que esse cliente precise ser atendido no futuro”, afirma Marcelo.

 

Automação

Há ainda situações em que uma ocorrência não precisa necessariamente deixar toda uma área sem energia até que uma equipe chegue ao local. É aí que entra a automação da rede.

A Copel vem mapeando demandas na área rural para definir projetos de expansão e pontos onde podem ser instalados religadores automáticos. Esses equipamentos identificam determinadas falhas e permitem manobras no sistema, contribuindo para isolar o trecho afetado e reduzir a extensão ou a duração de uma interrupção.

A companhia possui atualmente cerca de 25 mil religadores automáticos, considerando equipamentos monofásicos e trifásicos. Entre os trifásicos são 10,2 mil. Para este ano, Denis informa que estão previstas mais 1.032 instalações.

“Quando tem um problema na rede, um galho projetado na rede, ou tem um curto-circuito causado por árvore, ou outro evento adverso, esse equipamento detecta, desliga e transfere a carga para outro alimentador automático”, explica Denis.

Segundo ele, 65% dos clientes da Copel já são beneficiados pela possibilidade de transferência automática. “Muitas vezes você está em casa, vê que a luz apagou e já volta. Um equipamento desse fez a transferência automática”, exemplifica.

Outro investimento previsto para 2026 envolve 363 novos bancos de reguladores de tensão no Paraná, 121 deles no Oeste, a maior quantidade entre as regiões do Estado. O investimento total é de R$ 12 milhões. Os equipamentos ajudam a controlar variações de tensão ao longo da rede à medida que novas cargas são conectadas.

 

Operação

A tecnologia, entretanto, não elimina a necessidade de profissionais em campo. O reforço operacional aparece como outra peça do planejamento.

Marcelo explica que uma área técnica formada por engenheiros e técnicos analisa ocorrências relacionadas à qualidade do fornecimento e direciona manutenção e obras. São 32 novas equipes próprias que começaram a trabalhar recentemente e outras 48 previstas até o início de dezembro.

O superintendente de Linhas de Alta Tensão da Copel, Luciano Bento Dantas, avalia que houve uma transformação também na expectativa de quem utiliza a energia. “A nossa demanda também aumentou. O nível de exigência do consumidor hoje é muito maior do que o consumidor há 10, 15 anos”, afirma.

Luciano explica que a composição da força de trabalho reúne equipes contratadas e profissionais próprios. No Oeste, o movimento de recomposição inclui bases como Toledo, Cascavel, Marechal Cândido Rondon e Medianeira.

 

Comunicação

Outro componente da operação está na comunicação entre quem acompanha o sistema e quem executa o trabalho em campo. A Copel está ampliando o uso de conexão via satélite, com Starlink, entre o Centro de Operações do Agro e as equipes, buscando manter a comunicação também em localidades onde a cobertura convencional pode ser limitada.

A estrutura funciona de maneira integrada ao centro responsável por acompanhar o sistema e coordenar as equipes. É nesse ambiente que as informações sobre ocorrências são recebidas e utilizadas para orientar a operação.

 

Armazenamento

Uma frente ainda experimental envolve o armazenamento de energia. O planejamento prevê cinco instalações-piloto de baterias para testar a eficácia da tecnologia e, a partir dos resultados, avaliar modelos de aplicação e eventual suporte ao produtor rural.

 

Próximos anos

Rafael destaca que as projeções são revistas para acompanhar mudanças no mercado e identificar o que passa a exigir mais energia. A expectativa é preparar a rede para o crescimento já identificado e continuar acompanhando novas tendências.

A perspectiva também aparece na avaliação de Denis. Para ele, os investimentos precisam atender quem já utiliza o sistema e, ao mesmo tempo, criar infraestrutura para novas atividades econômicas.

“A gente tem a intenção, com todos os investimentos, que a gente melhore a performance, que a gente melhore a qualidade do fornecimento. Quem queira investir no Paraná tem energia disponível, quem queira crescer, quem queira ser um empreendedor, venha para cá”, afirma.

No Oeste, essa tarefa ganha uma dimensão particular. O avanço da agroindústria, a mecanização do campo, a expansão das cidades e a incorporação de novas tecnologias aumentam simultaneamente o consumo e a dependência da eletricidade.

Por isso, segurança energética deixa de significar simplesmente ter energia disponível. Passa a envolver uma sequência mais ampla: planejar onde a demanda vai crescer, ampliar a infraestrutura, prevenir falhas, automatizar respostas e estar preparado para restabelecer o fornecimento quando a rede, inevitavelmente, for colocada à prova.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp