GCAST

Reajuste de 5% expõe defasagem de 52% e amplia crise com servidores no Paraná

Projeto de reajuste de 5% chega à Alep sob pressão de servidores, que apontam defasagem de 52,18% e ameaçam greve, ampliando tensão entre governo e funcionalismo no Paraná

Por Gazeta do Paraná

Reajuste de 5% expõe defasagem de 52% e amplia crise com servidores no Paraná Créditos: Orlando Kissner

O governo do Paraná deve protocolar nesta terça-feira, na Assembleia Legislativa do Paraná, o projeto que prevê reajuste linear de 5% aos servidores públicos a partir de maio. Antes mesmo de entrar formalmente em tramitação, a proposta já enfrenta forte resistência e aprofunda o embate com as categorias, que apontam uma defasagem salarial acumulada de 52,18%.

O índice anunciado pelo governo de Ratinho Júnior se tornou o centro da crise. Na prática, o percentual é visto pelos servidores como distante da realidade inflacionária dos últimos anos e incapaz de recompor perdas históricas. O número de 52,18%, apresentado por entidades sindicais, passou a funcionar como referência política e simbólica da mobilização.

A reação mais contundente até agora partiu do Comando Sindical Docente, que reúne professores das universidades estaduais. Em nota divulgada após a sessão desta segunda-feira, a entidade classificou o reajuste como “uma afronta direta ao funcionalismo público” e criticou a narrativa de valorização apresentada pelo Executivo.

O documento vai além do índice e aponta uma ruptura mais profunda entre governo e servidores. Segundo o comando, o pacote ignora reivindicações estruturais da carreira docente, como a equiparação ao piso nacional do magistério da educação básica e a reformulação do plano de carreira do ensino superior. Nenhuma dessas pautas foi incorporada à proposta que será enviada ao Legislativo.

A crítica também atinge o discurso oficial. Enquanto o governo apresenta o pacote como um investimento histórico na valorização dos servidores, os sindicatos sustentam que o reajuste consolida um cenário de arrocho salarial acumulado ao longo da gestão. Na avaliação das entidades, há uma tentativa de reposicionar obrigações legais, como promoções e progressões, como se fossem benefícios concedidos. “Não há benesse nem favor”, afirma a nota  .

 

Pressão nas ruas e no plenário

A tramitação do projeto começa sob um ambiente de pressão direta. Nesta segunda-feira, servidores ocuparam o plenário da Alep e intensificaram a cobrança sobre deputados, exigindo a recomposição integral da data-base. Parlamentares da base e da oposição foram abordados nos corredores, enquanto lideranças sindicais circularam pelos gabinetes apresentando cálculos de perdas salariais.

O movimento não é isolado. Professores da rede estadual e das universidades estaduais estão em estado de greve, o que mantém aberta a possibilidade de paralisação imediata. A depender da condução da votação e do conteúdo final do projeto, o indicativo é de que a mobilização pode escalar rapidamente.

Apesar da pressão, o governo sinaliza que pretende acelerar a tramitação assim que o texto for protocolado. A estratégia é aprovar o reajuste ainda nesta semana, reduzindo o espaço para negociações mais amplas.

 

Silêncio de outras entidades e expectativa de reação

Até o momento, a APP-Sindicato não se manifestou oficialmente sobre o índice proposto. O mesmo ocorre com o Fórum das Entidades Sindicais, que reúne diferentes categorias do funcionalismo e costuma atuar de forma articulada em negociações dessa natureza.

Nos bastidores, no entanto, a avaliação é de que o silêncio é momentâneo. A expectativa é de que, com a chegada formal do projeto à Alep, novas manifestações públicas ampliem a pressão sobre o governo e sobre os deputados responsáveis pela votação.

 

Disputa de narrativa

O embate em torno dos 5% ultrapassa o campo técnico e se consolida como uma disputa de narrativa. De um lado, o governo sustenta o discurso de responsabilidade fiscal e apresenta o reajuste como parte de um pacote bilionário de valorização. De outro, os servidores apontam que o índice não acompanha sequer as perdas inflacionárias acumuladas e denunciam um processo contínuo de desvalorização.

A distância entre os dois números — 5% de reajuste frente a 52,18% de defasagem — sintetiza o conflito. E, mais do que isso, antecipa um cenário de votação tensa na Alep, com potencial de ampliar a crise política e administrativa no estado.

Com o projeto prestes a entrar em pauta, o governo enfrenta não apenas a tarefa de garantir maioria no plenário, mas também o desafio de conter uma mobilização que já ultrapassou os gabinetes e ganhou corpo entre as categorias.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp