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Presidente de Cuba chama sanções dos EUA de "genocídio político" e critica governo Trump
Miguel Díaz-Canel acusa Washington de ampliar crise econômica na ilha e pede fim do embargo petrolífero durante discurso em comemoração à Revolução Cubana
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, voltou a criticar a política dos Estados Unidos em relação à ilha e classificou o endurecimento das sanções econômicas imposto pelo governo do presidente Donald Trump como um "genocídio político".
As declarações foram feitas neste domingo (26), durante um discurso em comemoração ao 73º aniversário do ataque ao Quartel Moncada, considerado o marco inicial da Revolução Cubana liderada por Fidel Castro.
Segundo Díaz-Canel, as medidas adotadas por Washington agravaram a crise econômica enfrentada pelo país e ampliaram as dificuldades da população cubana.
Presidente reage a acusações dos Estados Unidos
Durante o pronunciamento, o presidente cubano também criticou um relatório recente do Departamento de Estado norte-americano, que acusa Cuba de tentar se infiltrar no governo dos Estados Unidos e de apoiar uma suposta onda de terrorismo de esquerda em território americano.
Para Díaz-Canel, as acusações buscam transferir para um agente externo a responsabilidade pelas tensões sociais vividas pelos Estados Unidos.
"Ao acusar Cuba, eles não estão apenas procurando um bode expiatório, um agente externo. Estão procurando alguém para culpar pelos protestos dos setores mais afetados por uma economia que torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres", afirmou.
Na sequência, o presidente cubano declarou que Washington procura justificar a manutenção das sanções contra a ilha.
"Eles estão procurando uma nova desculpa para sustentar seu genocídio político contra Cuba."
Sanções ampliaram crise econômica, diz governo cubano
Segundo Díaz-Canel, o embargo petrolífero e o endurecimento das sanções econômicas aprofundaram a pior crise econômica enfrentada por Cuba nas últimas décadas.
O presidente afirmou que as restrições contribuíram para a escassez de combustíveis, apagões frequentes e dificuldades em diversos setores da economia.
O governo cubano também atribui às sanções a redução das atividades de empresas estrangeiras que atuavam na ilha, especialmente nos setores financeiro e de turismo.
País enfrenta apagões e falta de combustível
De acordo com o discurso, a falta de combustível provocou sucessivas falhas no sistema elétrico nacional, afetando o fornecimento de energia em diferentes regiões do país.
Além dos apagões, o governo cubano afirma que a escassez comprometeu o funcionamento do transporte público e levou ao encurtamento do calendário escolar.
Os Estados Unidos, por sua vez, atribuem a crise econômica à má gestão da economia cubana e à falta de investimentos.
Governo pede fim do embargo
Durante o evento, Díaz-Canel voltou a defender o fim das sanções econômicas e do embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos.
O presidente também agradeceu aos países e organizações que enviaram ajuda humanitária e suprimentos para Cuba nos últimos meses.
"Que Cuba viva em paz, e que também vivam em paz os mais nobres do povo norte-americano, que historicamente lutaram pelos direitos humanos de outros povos", afirmou.
Ao encerrar o discurso, Díaz-Canel declarou que Cuba não representa ameaça aos Estados Unidos nem a qualquer outro país.
Discurso marcou data histórica da Revolução Cubana
O pronunciamento integrou as celebrações oficiais pelos 73 anos do ataque ao Quartel Moncada, ocorrido em 1953, quando guerrilheiros liderados por Fidel Castro iniciaram a ofensiva contra o governo de Fulgencio Batista, apoiado pelos Estados Unidos.
A data é considerada uma das mais importantes do calendário oficial cubano e reuniu milhares de apoiadores do governo, além de apresentações culturais promovidas pelo Estado.
