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Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes por calor no Brasil até fevereiro, aponta estudo

País aparece entre os cinco mais afetados do mundo em projeção do Climate Impact Lab; fenômeno pode elevar em 44% o número de dias de calor extremo nos próximos meses

Por Gazeta do Paraná

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Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes por calor no Brasil até fevereiro, aponta estudo Créditos: Agência Brasil

O chamado “Super El Niño” em curso pode provocar cerca de 13,3 mil mortes relacionadas ao calor no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. A projeção faz parte de um novo relatório do Climate Impact Lab, grupo de pesquisa ligado à Universidade de Chicago, divulgado nesta semana. No mundo, o estudo estima 451 mil mortes associadas ao calor extremo durante o período analisado.

O Brasil aparece como o quinto país com maior número projetado de mortes, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia. Segundo os pesquisadores, a estimativa brasileira representa aproximadamente 8 mil mortes a mais do que seriam esperadas em condições climáticas normais para o mesmo período. A projeção para o país tem margem de incerteza estimada em cerca de 700 óbitos, para mais ou para menos.

 

Calor extremo deve avançar

O relatório estima que o número de dias de calor extremo no planeta pode ficar 44% acima do observado em anos normais. O El Niño começou a se desenvolver em junho e os pesquisadores concentraram a projeção de mortalidade nos seis meses entre setembro deste ano e fevereiro de 2027.

O levantamento considera diferenças de clima, vulnerabilidade e capacidade de adaptação em 24.378 regiões do mundo. Os pesquisadores relacionaram esses dados aos efeitos já conhecidos da temperatura sobre o excesso de mortalidade e às projeções climáticas para os próximos meses. Os detalhes completos da metodologia ainda deverão ser publicados em periódico científico com revisão por pares.

A maior concentração das mortes projetadas está no chamado Sul Global. A Nigéria lidera a estimativa, com 31,4 mil mortes relacionadas ao calor, seguida pela Indonésia, com 19,3 mil; Sudão, com aproximadamente 17,5 mil; Índia, com 15,8 mil; e Brasil, com 13,3 mil. Somente na região africana do Sahel, a projeção chega a 66,8 mil mortes adicionais nos próximos seis meses.

 

Estudo considera apenas mortes relacionadas ao calor

Os números não representam todas as possíveis consequências do Super El Niño. As 451 mil mortes projetadas estão relacionadas especificamente ao aumento das temperaturas. Impactos associados a secas, incêndios florestais, enchentes, alterações na produção agrícola e disponibilidade de água não estão incluídos nessa estimativa.

O Climate Impact Lab afirma que intervenções direcionadas às regiões de maior risco podem reduzir a mortalidade. Entre as medidas apontadas estão sistemas antecipados de alerta para ondas de calor, centros climatizados para atendimento da população, ampliação da capacidade dos serviços de saúde durante períodos críticos e proteção de trabalhadores que exercem atividades ao ar livre.

Para Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab e professor da Universidade de Chicago, a possibilidade de antecipar onde o impacto será maior permite que governos direcionem ações emergenciais antes dos períodos mais críticos.

Os pesquisadores também classificam o atual El Niño como uma espécie de “cartão-postal do futuro”: as condições extremas previstas para os próximos meses se aproximam de temperaturas que, segundo as projeções climáticas, poderão se tornar comuns nas próximas décadas caso o aquecimento global avance.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp