Pacífico bate recorde de aquecimento antes do pico do El Niño
Águas da principal região de monitoramento do fenômeno chegaram a 3,04°C acima da média em medição diária; pico do El Niño é esperado apenas entre novembro e janeiro
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Flávia Zagury / Greenpeace
O Oceano Pacífico Equatorial atingiu uma marca histórica de aquecimento em meio ao fortalecimento do El Niño de 2026. Dados de monitoramento apontam que a região conhecida como Niño 3.4 registrou, em 20 de setembro, uma anomalia diária de temperatura de 3,04°C acima da média, superando uma das maiores marcas observadas durante o intenso El Niño de 2015.
O dado chama atenção principalmente pelo momento em que foi registrado. O atual El Niño ainda está em processo de intensificação e o período de maior aquecimento é esperado apenas para o fim deste ano e início de 2027. A região Niño 3.4, localizada no Pacífico Equatorial central, é uma das principais referências utilizadas por meteorologistas para acompanhar a evolução do fenômeno.
A medição foi calculada pelo Climate Reanalyzer, plataforma do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine que utiliza dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Em 2015, um dos episódios mais intensos das últimas décadas, a anomalia diária chegou a aproximadamente 3,02°C em novembro. Agora, patamar semelhante foi alcançado cerca de dois meses antes da época em que o fenômeno costuma atingir sua maior intensidade.
Recorde diário exige cautela
Apesar da dimensão da marca, o registro de um único dia não significa que o atual El Niño já tenha oficialmente superado todos os episódios anteriores em intensidade. A classificação do fenômeno considera temperaturas mantidas por períodos mais longos e a interação entre oceano e atmosfera.
Os dados semanais também mostram, porém, um Pacífico excepcionalmente aquecido. A NOAA informou neste mês que o El Niño segue se fortalecendo e que as temperaturas da superfície do mar permanecem muito acima da média em grande parte do Pacífico Equatorial.
No boletim climático divulgado em 10 de setembro, a agência norte-americana apontou probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027. Em agosto, a anomalia mensal da região Niño 3.4 já havia alcançado 1,8°C, enquanto outras áreas do Pacífico registravam desvios ainda maiores.
A NOAA também identificou temperaturas excepcionalmente elevadas abaixo da superfície do oceano, com áreas apresentando anomalias superiores a 10°C. Essa reserva de água quente é um dos elementos acompanhados pelos pesquisadores para avaliar a possível evolução do fenômeno nos próximos meses.
Fenômeno ainda pode ganhar força
A expectativa é de que o El Niño permaneça intenso durante os próximos meses. Especialistas projetam que o período de maior aquecimento possa ocorrer entre novembro deste ano e janeiro de 2027.
Isso significa que o Pacífico alcançou uma marca diária histórica antes da janela tradicional de pico do fenômeno. Ainda assim, cientistas ressaltam que a evolução do El Niño depende não apenas da temperatura da água, mas também da resposta da atmosfera e da interação entre ventos, pressão atmosférica e circulação oceânica.
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam persistentemente mais quentes que o normal, alterando a circulação atmosférica e influenciando os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
Sul do Brasil está entre as regiões de atenção
No Brasil, episódios de El Niño estão historicamente associados a mudanças importantes na distribuição das chuvas. No Sul, uma das características mais frequentes é o aumento da precipitação e da ocorrência de períodos de chuva persistente, enquanto partes das regiões Norte e Nordeste podem enfrentar condições mais secas.
Isso não significa, porém, que o recorde registrado no Pacífico permita prever isoladamente a ocorrência de uma tempestade, enchente ou onda de calor específica. Os impactos dependem de uma combinação de fatores atmosféricos e podem variar consideravelmente entre diferentes episódios do fenômeno.
O comportamento do Pacífico nos próximos meses será, portanto, acompanhado de perto pelos centros meteorológicos. Com o El Niño já em nível muito elevado antes de seu período esperado de máxima intensidade, a evolução das temperaturas oceânicas deverá ser determinante para definir se o episódio de 2026/2027 entrará definitivamente para a lista dos mais intensos já observados.
Créditos: Redação
