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PL deixa base de Ratinho para lançar Sergio Moro ao governo

Decisão de Valdemar Costa Neto isola o PSD de Ratinho Júnior e pode levar Moro a migrar para o PL. Mudança estratégica visa fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro no estado

PL deixa base de Ratinho para lançar Sergio Moro ao governo Créditos: Rodrigo Felix Leal/AEN

O Partido Liberal decidiu nesta quarta-feira (18) apoiar a candidatura do senador Sergio Moro ao governo do Paraná nas eleições de 2026. A definição marca o rompimento da legenda com o grupo político do governador Ratinho Júnior, do PSD.

A decisão foi tomada durante reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que confirmou o apoio ao ex-juiz, embora ainda exista indefinição sobre a permanência de Moro no União Brasil.

Segundo Valdemar, o senador deve decidir ainda nesta quarta-feira se permanece na atual sigla ou se buscará outra alternativa partidária, após reunião com lideranças do União Brasil e do Progressistas, que discutem a formação de uma federação para 2026.

“Moro está explodindo [nas pesquisas]. Talvez, com 22 [número do PL], ele aumente e ganhe no primeiro turno”, afirmou o dirigente.

Impasse partidário

A candidatura de Sergio Moro enfrenta resistência dentro da possível federação entre União Brasil e PP. Embora tenha apoio do União, o senador é rejeitado por lideranças do PP no Paraná, o que dificulta a formalização de sua candidatura dentro da aliança.

O impasse é relevante porque partidos federados não podem lançar candidaturas divergentes. Diante disso, aliados passaram a defender a migração de Moro para o PL como forma de viabilizar a disputa ao Palácio Iguaçu.

“Nós vamos apoiar o Moro. Isso está certo. Agora, ele precisa definir a situação dele no União Brasil e no PP, porque ele vai ter uma reunião hoje às 17h30. Nós vamos tocar para frente. Ficou definido que nós vamos apoiá-lo”, declarou Valdemar.

“Ele vai conversar agora com o pessoal para ver o que é melhor para ele. Eles [União e PP] dão legenda para ele”, acrescentou.

Estratégia eleitoral

Dentro do PL, a avaliação é de que a candidatura de Moro pode fortalecer o palanque do senador Flávio Bolsonaro no Paraná. O nome do ex-juiz já era defendido por Rogério Marinho, responsável pela coordenação política da campanha de Flávio.

Levantamentos internos indicam que Moro lidera as pesquisas de intenção de voto no estado, o que reforçou a decisão do partido.

Rompimento com Ratinho Jr.

A decisão do PL consolida um afastamento que vinha sendo construído nas últimas semanas entre a legenda e o grupo de Ratinho Júnior.

Em reunião recente com Rogério Marinho, o governador reafirmou que manteria sua pré-candidatura à Presidência da República e não aceitaria abrir mão da disputa para compor com o PL.

Na ocasião, interlocutores interpretaram a conversa como um ultimato. A leitura foi de que, caso Ratinho não recuasse, o partido passaria a apoiar outro nome no Paraná, cenário que se confirmou.

Valdemar comentou o rompimento e destacou a necessidade de estratégia eleitoral no estado.

“Nós vamos ter que unir todo mundo lá para a gente ganhar as eleições no primeiro turno. Senão, nós estamos mortos com o Ratinho. O Ratinho mora no meu coração, mas acontece que ele vai sair candidato a presidente. E nós vamos fazer zero votos no Paraná? Moro está explodindo. Precisa ver se ele vem para o partido ou não”, afirmou.

Cenário no Paraná

Até então, PSD e PL mantinham um acordo informal no estado. O entendimento previa que o PL apoiaria o candidato indicado por Ratinho ao governo, enquanto o governador apoiaria a candidatura do deputado Filipe Barros ao Senado.

Com a mudança de cenário, a tendência é de ruptura definitiva entre os partidos no Paraná.

Ratinho Júnior pretende lançar um nome do PSD para a sucessão estadual. Entre os cotados estão os secretários Guto Silva e Rafael Greca, além do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi.

Nos bastidores, há movimentações entre esses nomes. Curi e Greca são apontados como possíveis dissidentes, caso não sejam escolhidos, e o próprio Alexandre Curi é citado como eventual integrante de uma chapa encabeçada por Sergio Moro com apoio do PL.

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