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PF identifica 52 notas e pagamentos ligados a Vorcaro e Moraes

Investigação sobre o Banco Master aponta contratos milionários com escritório da esposa do ministro, negociação envolvendo aeronaves, viagem internacional e experiências de luxo

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PF identifica 52 notas e pagamentos ligados a Vorcaro e Moraes Créditos: Divulgação

A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master identificou uma série de relações financeiras e benefícios oferecidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pessoas ligadas à família do magistrado.

Segundo informações reunidas pela PF, foram identificadas 52 notas relacionadas a Vorcaro e Moraes, além de contratos milionários de honorários advocatícios, negociações envolvendo cotas de aeronaves, despesas de viagem internacional e experiências de luxo.

Um dos principais pontos do relatório é a relação financeira entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Um dos contratos previa o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos ao escritório. Com os tributos previstos no acordo, cada parcela chegava a R$ 3.646.529,77.

Metadados citam usuário com nome de Moraes

A PF também identificou que o nome “Ministro Alexandre de Moraes” aparece nos metadados de duas versões da minuta do contrato firmado com o escritório de sua esposa.

De acordo com a investigação, a primeira versão foi enviada por Viviane a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024 e registrava como última modificação, naquele mesmo dia, um usuário identificado com o nome do ministro.

Uma segunda versão, encaminhada em 17 de janeiro, também apresentava nos metadados uma última modificação atribuída ao mesmo usuário, em 15 de janeiro.

Os investigadores fazem uma ressalva: os metadados indicam que um usuário com aquele nome editou os arquivos, mas, isoladamente, não comprovam quem estava fisicamente utilizando o computador nem quais alterações foram realizadas.

O contrato foi assinado em 23 de janeiro de 2024 por Daniel Vorcaro e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.

Transferências chegam a R$ 13,6 milhões

Entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025, a investigação encontrou quatro comprovantes de transferências para o escritório de Viviane Barci de Moraes.

Os pagamentos identificados, no valor de R$ 3.422.268,14 cada, após descontos específicos, totalizaram aproximadamente R$ 13,6 milhões.

Mensagens atribuídas a Vorcaro também demonstrariam a prioridade dada aos repasses. Em uma conversa, o banqueiro teria classificado o pagamento ao escritório como “o pagamento mais importante” e afirmado que não poderia atrasá-lo.

Segundo contrato previa até R$ 50 milhões

A investigação identificou ainda um segundo contrato envolvendo o escritório e empresas ligadas a Vorcaro. O documento estabelecia um limite máximo de R$ 50 milhões líquidos, a título de pró-labore, durante 36 meses.

O acordo previa que os valores poderiam ser pagos por transferência bancária ou por meio de dação em pagamento, com a entrega de bens móveis, imóveis ou serviços.

Em maio de 2025, segundo a PF, foram discutidas alternativas para quitar R$ 50 milhões. Uma das propostas previa R$ 40 milhões mediante a transferência de cotas de duas aeronaves — um jatinho e um helicóptero — e os R$ 10 milhões restantes por meio do reembolso de despesas relacionadas ao uso das aeronaves.

O relatório cita uma conversa na qual Marcos da Mata, sócio de Vorcaro, perguntou a Viviane se os envolvidos estavam satisfeitos com a utilização das cotas. Segundo a investigação, ela respondeu afirmativamente.

Após a divulgação do relatório, o escritório Barci de Moraes afirmou que não assinou esse segundo contrato e que não aceitou os termos da negociação. Também declarou que não recebeu cotas de aeronaves ou outros ativos previstos na proposta.

 Viagem a Londres

A investigação também aborda a participação de Alexandre de Moraes no Fórum Jurídico Londres-Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 27 de abril de 2024.

Segundo a PF, as despesas relacionadas à participação seriam custeadas pela organização do evento. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Moraes teria participado de discussões relacionadas a convidados e à programação.

A documentação também cita a disponibilização de veículos Mercedes-Benz S-Class, com motoristas, para autoridades consideradas VIPs. Entre os nomes mencionados estão Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli.

A PF ainda identificou mensagens relacionadas à organização de uma segunda edição do evento, prevista para 2025 e que não chegou a ser realizada.

Experiência de luxo em Campos do Jordão

O relatório também registra uma programação oferecida por Vorcaro em um hotel de luxo na região de Campos do Jordão, em São Paulo.

De acordo com a investigação, a programação incluía almoço, chef particular, passeios a cavalo e atendimento de funcionários ligados ao banqueiro. As mensagens analisadas indicavam uma recepção para convidados considerados VIPs.

Os episódios fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Federal sobre as relações de Daniel Vorcaro e o Banco Master com diferentes agentes e instituições.

As informações reunidas pela PF ainda integram uma investigação e não representam, por si só, conclusão definitiva sobre eventual ilegalidade ou responsabilidade criminal dos envolvidos.

Foto: Divulgação 

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