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Paraná tem maioria das rodovias em condição regular e aposta em concessões para melhorar qualidade

Expectativa com novas concessões e altos pedágios pressiona por melhorias efetivas na qualidade das rodovias paranaenses

Por Da Redação

Paraná tem maioria das rodovias em condição regular e aposta em concessões para melhorar qualidade Créditos: AEN

Um levantamento nacional feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), sobre as condições das rodovias brasileiras revela um cenário de predominância de trechos classificados como “regular”, com desafios importantes em praticamente todas as regiões do país. No Sul, o Paraná aparece com desempenho intermediário quando comparado a estados vizinhos e, principalmente, a São Paulo, que lidera com ampla vantagem em qualidade viária.

De acordo com os dados, o Brasil possui 114 mil quilômetros de rodovias avaliadas. Desse total, a maior parte se concentra na categoria “regular”, com 49 mil km, seguida por “bom”, com 31,7 mil km. Já os trechos considerados “ótimos” somam pouco mais de 11,5 mil km, enquanto as condições “ruim” e “péssimo” ainda representam uma fatia significativa, ultrapassando juntos 21 mil quilômetros.

No Paraná, foram avaliados 6.601 km de rodovias. A maior parte da malha está classificada como “regular”, com 2.799 km. Em seguida aparecem 2.180 km em condição “boa” e 1.033 km considerados “ótimos”. Por outro lado, ainda há 550 km em situação “ruim” e 39 km classificados como “péssimos”.

O desempenho paranaense, embora apresente uma base relevante de rodovias em bom estado, fica distante do padrão observado em São Paulo. O estado paulista concentra 5.431 km de estradas em condição “ótima”, número superior ao total de trechos nessa categoria em toda a região Sul. Além disso, São Paulo tem apenas 80 km somados entre “ruim” e “péssimo”, indicando uma malha significativamente mais qualificada.

Na comparação regional, o Paraná apresenta situação melhor que o Rio Grande do Sul em alguns aspectos, mas ainda com desafios semelhantes. Os gaúchos possuem 8.813 km avaliados, com forte predominância de rodovias “regulares” (4.109 km) e um volume elevado em condições ruins ou péssimas, que juntos ultrapassam 2.300 km.

Já Santa Catarina tem uma malha menor, de 3.554 km, mas com distribuição parecida com a paranaense: maioria em condição “regular” (1.563 km) e uma parcela relevante em estado “bom” (722 km). No entanto, o estado catarinense apresenta proporção maior de trechos classificados como “ruim” e “péssimo” em relação ao total avaliado.

O comparativo evidencia que, embora o Paraná esteja em posição intermediária no cenário nacional, ainda há espaço para avanços, especialmente na ampliação de trechos em condição “ótima” e na redução das rodovias classificadas como “regulares” ou inferiores.

Nesse contexto, cresce a expectativa de motoristas, transportadores e moradores das regiões cortadas pelas principais rodovias do estado. A aposta está no novo modelo de concessões rodoviárias, que envolve trechos federais e estaduais distribuídos em seis lotes, já leiloados, com quatro em exercício das concessionárias e dois em fase de implantação.

Os contratos firmados preveem um volume expressivo de investimentos por parte das concessionárias, com obras de duplicação, implantação de terceiras faixas, contornos urbanos, viadutos e melhorias na sinalização e segurança viária. A execução dessas intervenções é vista como fundamental para alterar o cenário atual, ainda marcado por grande extensão de rodovias classificadas como “regular”.

Ao mesmo tempo, o modelo adotado também tem sido alvo de cobranças. As tarifas de pedágio previstas estão entre os principais pontos de atenção, consideradas elevadas por usuários frequentes das rodovias. Diante disso, há uma expectativa clara de que o padrão de qualidade das estradas acompanhe o custo pago.

Para especialistas em infraestrutura, a relação entre pedágio e qualidade é direta: quanto maior o investimento e a cobrança ao usuário, maior deve ser o nível de serviço entregue. Isso inclui pavimento em condições adequadas, sinalização eficiente, atendimento rápido em caso de acidentes e fluidez no tráfego, especialmente em corredores logísticos estratégicos para o escoamento da produção agrícola e industrial.

A experiência de São Paulo é frequentemente citada como referência nesse modelo. O histórico de concessões no estado é apontado como um dos fatores que explicam a predominância de rodovias em condição “ótima”, resultado de contratos mais antigos e de um ciclo contínuo de investimentos e manutenção.

No Paraná, a expectativa é de que os novos contratos consigam reproduzir, ao longo dos próximos anos, um padrão semelhante. No entanto, esse resultado dependerá não apenas da execução das obras previstas, mas também da fiscalização dos contratos e do cumprimento rigoroso dos cronogramas estabelecidos.

Enquanto isso, o diagnóstico atual reforça um cenário de transição. O estado ainda convive com uma malha predominantemente regular, mas com perspectiva de mudanças estruturais a partir da realização das obras das novas concessões.

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