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Pacheco rejeita arquivamento e mantém processo que pode cassar Renato Freitas na Alep

Relatório preliminar apresentado nesta segunda (2) no Conselho de Ética pede avanço da investigação por suposta quebra de decoro parlamentar

Por Eliane Alexandrino

Pacheco rejeita arquivamento e mantém processo que pode cassar Renato Freitas na Alep Créditos: Divulgação

O deputado estadual Marcio Pacheco apresentou nesta segunda-feira (2) parecer preliminar no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná recomendando o prosseguimento do processo que apura suposta quebra de decoro parlamentar do deputado Renato Freitas (PT). O relator afastou a hipótese de arquivamento e defendeu o avanço da investigação.

O caso envolve episódio de confronto ocorrido em novembro de 2025, no Centro de Curitiba, que resultou na unificação de 11 representações no colegiado. No parecer, Pacheco sustenta que a defesa prévia não enfrentou de forma objetiva os fatos descritos nas denúncias e, por isso, não há elementos para encerrar o processo nesta fase.

O relator também rejeitou alegações de suspeição apresentadas pela defesa, afirmando que divergências políticas não configuram impedimento para o exercício da função. “Divergência política não é inimizade. Não há qualquer processo entre os citados, e este Conselho julga fatos à luz do Regimento, não pessoas, partidos ou ideologias”, declarou Pacheco.

O parecer destaca ainda que foram assegurados prazos e oportunidades formais para manifestação da defesa, em respeito ao contraditório e à ampla defesa. Segundo o relator, a análise se concentra exclusivamente nos fatos e na eventual incompatibilidade com o decoro parlamentar.

Com a admissibilidade mantida, o processo entra agora na fase de instrução, que prevê a análise de imagens, depoimentos e demais provas. Ao final, caberá ao relator apresentar parecer conclusivo recomendando ou não a cassação do mandato. Caso aprovado pelo Conselho de Ética, o parecer seguirá para deliberação do plenário da Casa.

 Relembre o caso

O deputado estadual Renato Freitas (PT) afirmou que agiu em legítima defesa após se envolver em uma briga no dia 19 de novembro de 2025, em Curitiba, na época. A confusão foi registrada em vídeo e mostra uma discussão seguida de agressões físicas entre o parlamentar e um homem ainda não identificado.

Nas imagens, Freitas pede que o homem se afaste, mas ele se aproxima. O deputado o empurra e, na sequência, recebe um soco no rosto. A briga continua com troca de agressões até que ambos são separados por pessoas que estavam no local.

Freitas sofreu fratura no nariz e foi encaminhado para atendimento médico. Ele declarou que reagiu a uma “injusta agressão” e informou que registraria Boletim de Ocorrência. A Gazeta do Paraná entrou em contato com o parlamenar e até o fechamento desta edição, não tivemos respostas.

Oitivas

O Conselho de Ética da Assembleia, presidido pelo deputado Delegado Jacovós (PL), realizou as oitivas de testemunhas no mês passado, e também no processo que apura suposta quebra de decoro por parte de Renato Freitas. O episódio ocorreu em 24 de fevereiro de 2025, durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e envolveu também o deputado Marcio Pacheco e o assessor parlamentar Kenny Niedzwiedz, lotado no gabinete de Pacheco.

A representação foi apresentada pelo deputado Tito Barichello (União). Segundo a denúncia, Freitas teria ofendido Pacheco, chamando-o de “coronelzinho de meia pataca”, e o assessor de “idiota”. O documento também afirma que, após o encerramento da reunião, o parlamentar teria desferido um empurrão contra o assessor.

A defesa de Freitas nega a acusação e afirmou que o parlamentar apenas afastou o assessor após supostas provocações.

Durante as oitivas, Kenny Niedzwiedz negou ter ironizado o parlamentar e afirmou que foi empurrado após tentar esclarecer a situação. Integrantes do Gabinete Militar da Assembleia relataram que atuaram para conter o tumulto, mas disseram não ter presenciado o momento do empurrão.

Testemunhas indicadas pela defesa sustentaram que o assessor teria feito gestos e risadas durante a fala do deputado. 

O processo segue tramitando no Conselho de Ética e poderá culminar, ao final da instrução, na votação sobre eventual cassação do mandato no plenário da Assembleia.

Quem é Renato Freitas?

Renato Freitas foi eleito em 2022, e soma mais de 800 mil seguidores no Instagram. Nascido em Sorocaba (SP) e criado em Curitiba, é formado e mestre em Direito pela UFPR. Pesquisador nas áreas de direito penal, criminologia e sociologia da violência, já atuou na Defensoria Pública, como professor universitário e advogado popular. Antes, foi vereador em Curitiba, eleito em 2020, onde chegou a liderar a oposição. Em 2022, teve o mandato cassado após participar de um protesto antirracista na capital.

Foto: Divulgação

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