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Novo presidente da Colômbia promete combater narcoterrorismo sem trégua

Abelardo de la Espriella assumiu o cargo nesta sexta-feira (8) com discurso de endurecimento contra grupos armados e tráfico de drogas

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Novo presidente da Colômbia promete combater narcoterrorismo sem trégua Créditos: Reprodução/Redes sociais

O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, prometeu nesta sexta-feira (8) combater “sem tréguas o narcoterrorismo”, em um momento de forte aumento da violência no país sul-americano. O novo governo também sinaliza uma aproximação maior com os Estados Unidos e o fim das negociações de paz iniciadas pelo ex-presidente Gustavo Petro com grupos armados.

Eleito em 21 de junho, o advogado de 48 anos é aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também tem nacionalidade norte-americana. Ele sucede Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, e terá um mandato de quatro anos.

A posse marcou uma mudança na política colombiana. Espriella, representante da extrema direita, defende uma política mais dura contra guerrilhas, organizações criminosas e o tráfico de cocaína. A Colômbia é o maior produtor mundial da droga.

Posse aconteceu em Cali

Espriella escolheu Cali, no sudoeste do país, para fazer seu primeiro discurso como presidente. A cerimônia ocorreu em um quartel, diante de centenas de militares, veículos blindados e dois helicópteros.

A escolha da cidade rompeu com a tradição de realizar a posse na capital, Bogotá. Cali foi recentemente marcada por atentados atribuídos a grupos guerrilheiros e fica próxima de áreas controladas por organizações armadas.

Durante o discurso, Espriella prometeu recuperar a “ordem” e a “autoridade” no país.

O presidente também afirmou que a política de diálogo adotada por Gustavo Petro não deve continuar.

“A opção do diálogo” prosseguida pelo seu antecessor Gustavo Petro “está completamente esgotada”, declarou.

Segundo Espriella, os integrantes dos grupos ilegais terão duas alternativas: “submeterem-se” à lei ou “enfrentarem a força resoluta do Estado”.

Conhecido como “El Tigre”, o novo presidente também afirmou que pretende eliminar as plantações de coca “por todos os meios”. A planta é utilizada na produção de cocaína.

Na área econômica, Espriella anunciou a intenção de autorizar a exploração de petróleo e gás por fraturação hidráulica. Ele também disse que pretende publicar um decreto para “congelar a despesa pública” e reduzir impostos para os mais ricos.

O presidente ainda prometeu promover uma “batalha cultural para restaurar o valor da família”.

Segurança reforçada

Cali recebeu um forte esquema de segurança para a posse. Cerca de 11 mil militares foram mobilizados e um sistema antidrones foi instalado para proteger os convidados.

Entre os participantes estavam líderes da direita latino-americana e cerca de dez chefes de Estado, incluindo os presidentes da Argentina, do Chile e do Equador.

Representantes da Casa Branca também participaram da cerimônia. A delegação norte-americana foi chefiada pelo procurador-geral dos Estados Unidos.

O rei da Espanha, Felipe VI, também esteve presente, assim como o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Gustavo Petro não participou da cerimônia. O ex-presidente deixou a residência oficial nesta sexta-feira.

Após a derrota eleitoral, apoiadores da esquerda realizaram manifestações pacíficas nas principais cidades colombianas. A esquerda perdeu a eleição pela menor margem da história do país, com diferença inferior a 1%.

Aproximação com os Estados Unidos

Durante a campanha, Espriella ganhou apoio rapidamente com comícios e discursos feitos atrás de um vidro à prova de balas. Em suas aparições, também costumava fazer uma saudação militar em homenagem às forças de segurança.

Donald Trump apoiou a candidatura e prometeu estabelecer relações “como nunca antes” entre Washington e Bogotá. A aproximação ocorre depois de um período de tensão entre os Estados Unidos e o governo Petro.

Um dos primeiros atos do novo governo, segundo Espriella, será a entrada da Colômbia no Escudo das Américas, aliança de países liderada por Trump para combater o narcotráfico.

Sem maioria no Parlamento, que permanece dividido, o novo presidente também prometeu aumentar os bombardeios contra acampamentos de guerrilheiros, com apoio de Israel e dos Estados Unidos.

Outra proposta é a construção de grandes presídios, seguindo o modelo adotado em El Salvador para combater a criminalidade.

Forças Armadas enfrentam limitações

Espriella assume o governo com Forças Armadas que enfrentam limitações de efetivo e equipamentos.

Segundo Renata Segura, da organização não governamental International Crisis Group, os militares colombianos têm uma “capacidade limitada” em número de homens e sofrem com “falta de equipamento”.

A especialista também demonstrou preocupação com possíveis “danos colaterais” caso o novo governo utilize artilharia pesada contra grupos armados.

Segundo Segura, essas organizações estão “muito enraizadas nas comunidades”, o que aumenta o risco de civis serem atingidos durante operações militares.

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