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Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná

Defesa afirma que senador participou dos Fóruns Regionais da Indústria como autoridade convidada e contesta acusação de abuso de poder econômico; ação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral

Por Repórter Gazeta do Paraná

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Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná Créditos: Divulgação

A defesa do senador Sergio Moro (PL), candidato ao Governo do Paraná, negou que eventos promovidos pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) tenham sido utilizados para beneficiar politicamente sua candidatura. A manifestação foi apresentada no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura suposto abuso de poder econômico envolvendo a chapa de Moro e do candidato a vice, Edson José de Vasconcelos.

A ação foi apresentada pelo candidato do PSD ao Governo do Paraná, Sandro Alex, e pela coligação A Mudança Continua. Os autores sustentam que a estrutura da Fiep teria sido utilizada, entre 2025 e 2026, para ampliar a exposição política de Moro e Vasconcelos. No mérito, a ação pede a cassação dos registros e a declaração de inelegibilidade por oito anos. 

A defesa de Moro afirma que o senador não tinha vínculo com a Fiep e que sua participação nos Fóruns Regionais da Indústria de 2025 ocorreu enquanto exercia o mandato de senador pelo Paraná. Segundo a manifestação, os encontros reuniam empresários, representantes de entidades, prefeitos, secretários, vereadores, deputados, senadores e outras autoridades de diferentes correntes políticas.

DEFESA DIZ QUE FÓRUNS ERAM INSTITUCIONAIS

Outro argumento apresentado pela defesa é que os Fóruns Regionais da Indústria faziam parte da programação institucional da Fiep e davam continuidade a uma iniciativa iniciada em 2024.

Segundo a manifestação, os eventos tinham agenda previamente estabelecida e discutiam temas como infraestrutura, logística, produtividade, energia, empregabilidade e desenvolvimento industrial.

A defesa sustenta ainda que, naquele período, Edson Vasconcelos não mantinha vínculo político com Moro nem era apresentado como possível candidato a vice-governador.

A participação de Moro em eventos da Fiep também ocorreu ao lado de outros agentes públicos e lideranças políticas. Em agosto deste ano, por exemplo, candidatos ao Governo do Paraná participaram de encontro promovido pela entidade durante a Expo+Indústria, em Pinhais, para discutir propostas voltadas ao setor industrial. 

AÇÃO QUESTIONA GASTOS E EVENTOS

Na ação, Sandro Alex e a coligação apontam eventos realizados entre 2024 e 2026 e questionam contratos relacionados a serviços de mídia, estrutura, organização e marketing. Segundo a representação, os contratos citados somam aproximadamente R$ 11,27 milhões.

Entre os eventos mencionados estão os Fóruns Regionais da Indústria, a Expo+Indústria 2026 e uma assembleia geral extraordinária da Fiep realizada em agosto. Os autores pedem que seja apurado se houve utilização de recursos e estrutura da entidade em benefício eleitoral. 

A própria representação, porém, não atribui automaticamente finalidade eleitoral à totalidade dos valores dos contratos. A questão central é verificar se houve separação entre as despesas institucionais e eventual promoção de candidaturas.

TRE-PR DETERMINOU PRESERVAÇÃO DE DOCUMENTOS

Em decisão preliminar, o corregedor do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), desembargador Fernando Prazeres, determinou que a Fiep preserve contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e registros contábeis relacionados aos eventos citados na ação.

A entidade terá de informar ao tribunal quais documentos serão preservados. A medida tem como objetivo garantir a manutenção das provas que poderão ser analisadas durante o andamento do processo. 

O TRE-PR também negou, nesta fase, pedidos para retirar outdoors do Sistema Fiep e para impedir a participação de Moro e Vasconcelos em eventos da entidade ou de sindicatos patronais.

Segundo a decisão, os elementos apresentados até o momento não demonstram propaganda eleitoral explícita nem benefício direto e imediato às candidaturas. A decisão, portanto, não determina cassação dos registros e não representa julgamento definitivo sobre o mérito da acusação. 

DEFESA CONTESTA ACUSAÇÕES

A defesa de Moro afirma que o simples fato de o senador ter participado de eventos institucionais da Fiep não caracteriza uso político da estrutura da entidade.

Também sustenta que o ajuizamento da ação não significa que as acusações estejam comprovadas e que a Justiça Eleitoral ainda deverá analisar o mérito do processo.

A Fiep, por sua vez, informou que possui documentação sobre os eventos, contratos, atas e registros contábeis relacionados às atividades questionadas e que poderá apresentar os documentos no momento processual adequado. 

A ação segue em tramitação no TRE-PR, onde os documentos e demais elementos apresentados pelas partes ainda serão analisados.

Foto: Divulgação 

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