Israel rejeita plano dos EUA para Gaza e trava avanço de acordo de paz
Netanyahu diz que tropas só deixam o território quando o Hamas estiver desarmado; proposta havia sido aceita pelo grupo palestino
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Israel rejeitou a mais recente proposta dos Estados Unidos para a Faixa de Gaza, que havia sido aceita pelo Hamas e previa o início da segunda etapa do acordo de paz apresentado pelo presidente norte-americano Donald Trump.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo (9) que as tropas israelenses não deixarão Gaza enquanto o Hamas não estiver “verdadeiramente desarmado”.
A declaração foi feita durante uma reunião do gabinete do governo israelense. Netanyahu disse que Israel não aceita o documento de 15 pontos apresentado no fim de julho pelo chamado “Conselho de Paz” de Trump.
“Israel rejeita o documento de 15 pontos”, afirmou o primeiro-ministro, segundo a agência de notícias AFP.
Netanyahu também declarou que o Exército israelense “não fará nenhuma retirada” da Faixa de Gaza enquanto o Hamas não entregar suas armas.
A posição do governo israelense cria um novo obstáculo para o avanço da segunda fase do plano de paz elaborado pelos Estados Unidos.
O acordo prevê uma série de medidas para a estabilização e a reconstrução de Gaza. O desarmamento do Hamas, porém, continua sendo um dos principais pontos de conflito entre Israel e o grupo palestino.
Na semana passada, Trump havia afirmado que o chamado Conselho de Paz tinha chegado a um acordo com o Hamas sobre o desarmamento do grupo. Segundo o presidente norte-americano, o entendimento poderia permitir a continuidade do processo de paz.
A declaração de Netanyahu indica, porém, que o governo israelense considera insuficientes os termos apresentados até o momento.
Netanyahu volta a ameaçar Irã
Durante a mesma reunião do gabinete, Netanyahu também afirmou que Israel continuará trabalhando para impedir que o Irã consiga desenvolver armas nucleares, independentemente do andamento das negociações entre Teerã e Washington.
“Quero enfatizar mais uma vez: com ou sem acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares”, declarou.
A fala ocorre em meio ao aumento das tensões entre Israel, Estados Unidos e Irã.
Neste domingo, o governo iraniano afirmou que um acordo com Omã para criar novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz está nos “estágios finais”. Teerã, no entanto, condiciona a reabertura da passagem ao cumprimento de outras exigências pelos Estados Unidos.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas utilizadas para o transporte internacional de petróleo e gás natural liquefeito.
Antes do bloqueio promovido pelo Irã após os ataques de Estados Unidos e Israel, cerca de 20% das remessas globais desses produtos passavam pela região, segundo informações da Reuters.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país também cobra compensações dos Estados Unidos pelos ataques sofridos. Teerã ainda exige o fim das ameaças e das sanções impostas ao país.
Houthis reivindicam ataque na Arábia Saudita
A tensão na região também envolve os houthis, grupo aliado do Irã que atua no Iêmen.
Segundo a Reuters, os houthis reivindicaram um ataque contra uma refinaria da Saudi Aramco, em Jazan, na Arábia Saudita.
O Ministério da Energia saudita confirmou que houve um incêndio na instalação. O fogo foi controlado, mas as autoridades não informaram o que provocou as chamas.
