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Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz a acordo com os EUA

Guarda Revolucionária afirma que passagem estratégica só será reaberta após Washington aceitar condições de Teerã e deixar de interferir nas negociações regionais

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Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz a acordo com os EUA Créditos: Canva Imagens

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (8) que a reabertura do Estreito de Ormuz depende da aceitação, pelos Estados Unidos, das condições estabelecidas por Teerã. Segundo os iranianos, Washington também precisa deixar de interferir nas negociações regionais relacionadas à navegação na passagem marítima.

A declaração foi feita pelo porta-voz da Guarda Revolucionária, general Hosein Mohebi, durante uma visita à província de Hormozgan, no sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz. Em entrevista à agência Tasnim, ele não detalhou quais seriam as condições impostas pelo governo iraniano.

“A reabertura do Estreito de Ormuz depende de os Estados Unidos aceitarem plenamente as condições do Irã e deixarem de interferir no processo de negociações regionais”, afirmou Mohebi.

Segundo o general, a decisão sobre a abertura da passagem será tomada exclusivamente com base nas condições estabelecidas pelo governo iraniano. Ele também afirmou que a questão não está diretamente ligada às negociações entre Teerã e Mascate, capital de Omã.

Nova rota de navegação

As autoridades iranianas afirmam que chegaram nos últimos dias a um entendimento com Omã sobre as características geográficas de uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz. Os dois países estariam agora na etapa final da elaboração de uma declaração conjunta sobre o acordo.

De acordo com a versão apresentada pelo Irã, a nova rota temporária passará parcialmente por águas territoriais iranianas e omanenses. O objetivo é permitir a circulação de navios comerciais por meio de um novo modelo de gestão, substituindo as rotas provisórias utilizadas até agora pelos dois países.

O governo iraniano, no entanto, já havia afirmado que um eventual acordo com Omã não significaria necessariamente a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.

Importância estratégica

Mohebi destacou a importância do estreito para o Irã. Segundo ele, a passagem não representa apenas uma rota importante para o comércio e o transporte de petróleo, mas também tem valor estratégico e geográfico para o país.

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo bruto comercializado no mundo passava pela região.

O Irã anunciou um novo fechamento da passagem em meados de julho, durante a escalada dos ataques entre iranianos e norte-americanos.

Conflito com os Estados Unidos

Em resposta ao fechamento, os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio naval aos portos e navios iranianos. A medida interrompeu as negociações entre os dois países previstas no memorando de entendimento para a paz assinado em 17 de junho.

Nos últimos dias, o Irã voltou a afirmar que um eventual entendimento com Omã sobre a navegação não será suficiente, por si só, para determinar a reabertura do Estreito de Ormuz.

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