Haddad deixa a Fazenda nesta sexta (20); anúncio oficial será ao lado de Lula em SP
Ministro atende pedido de Lula e deixa a equipe econômica para focar na campanha eleitoral. Agenda oficial nesta quinta-feira em São Paulo deve marcar o início da pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes
Créditos: Lula Marques/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta quarta-feira (19) que deixará o cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima sexta-feira (20).
A saída ocorre em meio à articulação para que Haddad dispute o governo de São Paulo nas eleições de outubro. A expectativa é que o nome do ministro seja anunciado como pré-candidato já nesta quinta-feira (19), durante compromissos oficiais no estado ao lado de Lula.
Os dois participam de agendas públicas na capital paulista e na região do ABC. Pela manhã, estarão no Expo Center Norte, onde ocorre a Caravana Federativa, evento promovido pelo governo federal com foco no diálogo com estados e municípios.
À tarde, Haddad e Lula seguem para São Bernardo do Campo, onde participam de cerimônia na Universidade Federal do ABC. No local, será concedido o título de Doutor Honoris Causa póstumo ao ex-presidente do Uruguai José Mujica. A solenidade contará com a presença de Lucía Topolansky.
Despedida do ministério
A equipe de Haddad ainda discute como será feito o anúncio oficial da saída do ministério. Como os compromissos previstos fazem parte da agenda institucional do governo, há preocupação em evitar questionamentos da Justiça Eleitoral sobre eventual uso de estrutura pública em ato político.
Nos bastidores, a expectativa é que o movimento marque também a despedida formal do ministro à frente da equipe econômica.
Mesmo antes de deixar o cargo, Haddad já iniciou a montagem de sua equipe política. Segundo interlocutores, aliados e auxiliares próximos vêm sendo acionados para integrar o grupo que atuará na campanha eleitoral.
Decisão após pressão interna
A candidatura de Haddad ocorre após meses de especulações e pressão de lideranças do Partido dos Trabalhadores. O ministro resistia à ideia e manifestava interesse em se afastar da política institucional para se dedicar à carreira acadêmica.
Nos últimos dias, no entanto, ele decidiu atender ao pedido de Lula e da cúpula do partido e aceitou disputar o governo paulista, considerado o principal colégio eleitoral do país.
Haddad já governou a capital paulista entre 2013 e 2016 e volta agora ao cenário eleitoral com apoio direto do presidente.
Definição da chapa
A composição da chapa ainda não está definida. Dentro do campo governista, nomes como os da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do ministro do Empreendedorismo, Márcio França, são citados como possíveis candidatos a vice.
Ambos também aparecem como alternativas para disputar uma vaga no Senado por São Paulo.
Nesta semana, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, confirmou que será candidata ao Senado no estado, também a pedido de Lula. A definição da segunda vaga ainda depende das negociações para formação da chapa ao governo.
A movimentação reforça a reorganização do grupo governista para a disputa eleitoral em São Paulo, considerada estratégica para o cenário político nacional.
