Créditos: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
PT e PSOL acionam Conselho de Ética e pedem quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro
Federação PT, PCdoB e PSOL protocola pedidos na Câmara e no Senado após áudios vazados indicarem negociação de R$ 134 milhões para filme de Bolsonaro
A federação formada por PT, PCdoB e PSOL iniciou nesta quarta-feira (13) uma ofensiva política e judicial contra o senador Flávio Bolsonaro, após a divulgação de reportagem do site Intercept Brasil envolvendo negociações entre o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro.
Segundo a publicação, um áudio atribuído ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mostra o senador tratando de repasses financeiros ligados à produção do filme “Dark Horse”, obra que retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.
Vorcaro, apontado como um dos articuladores do financiamento do projeto, está preso preventivamente no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master, suspeito de fraudes bancárias e operações financeiras irregulares.
Esquerda pressiona por CPI do Banco Master
Após a repercussão do caso, deputados da federação protocolaram pedido ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar o Banco Master.
Além da iniciativa na Câmara, parlamentares das três siglas também articulam medidas no Senado Federal. Senadores ligados aos partidos preparam representação no Conselho de Ética da Casa contra Flávio Bolsonaro.
Pedido de investigação inclui Receita Federal e Polícia Federal
No campo judicial, a ofensiva foi ampliada com pedidos formais encaminhados a órgãos de investigação e fiscalização.
As legendas solicitaram à Receita Federal informações para rastrear a origem de aproximadamente R$ 61 milhões mencionados na reportagem.
Também foi protocolada uma notícia de fato junto à Polícia Federal para apuração do episódio.
O pedido inclui solicitações de quebra de sigilo e mandados de busca e apreensão envolvendo o senador.
Reportagem cita promessa de R$ 134 milhões
De acordo com o Intercept Brasil, Daniel Vorcaro teria se comprometido a investir cerca de R$ 134 milhões na produção do filme sobre a campanha de Jair Bolsonaro.
Segundo a reportagem, apenas R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.
Ainda conforme o texto, Flávio Bolsonaro teria cobrado o pagamento do restante do valor prometido em novembro do ano passado, um dia antes da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal.
O Intercept afirma possuir documentos que comprovariam as transações financeiras, embora o material ainda não tenha sido publicado integralmente nem detalhado publicamente.
Flávio Bolsonaro reconheceu que houve negociação relacionada ao projeto audiovisual, mas também não apresentou detalhes sobre os valores envolvidos.
Estrutura financeira teria envolvido fundo nos Estados Unidos
Segundo a reportagem, a operação financeira relacionada ao projeto teria sido estruturada por meio da empresa Entre Investimentos e Participações.
Os recursos teriam sido direcionados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no estado do Texas.
O texto aponta ainda que um dos agentes ligados ao fundo seria Paulo Calixto, advogado do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
Já a Entre Investimentos seria controlada por Antonio Carlos Freixo Júnior, empresário também ligado à revista IstoÉ.
Em março deste ano, a instituição de pagamentos Entrepay, pertencente ao Grupo Entre, entrou em processo de liquidação pelo Banco Central.
Flávio confirma pedido de recursos e nega contrapartidas
Em nota divulgada após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado apoio financeiro de Vorcaro para a produção do filme, mas negou qualquer tipo de troca de favores ou vantagens políticas.
Antes da divulgação do material pelo Intercept, o senador havia negado a existência da negociação e classificado a informação como “mentira”.
Na nova manifestação, o parlamentar afirmou que o financiamento seria exclusivamente privado e sem uso de recursos públicos.
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, afirmou.
Flávio também declarou que não houve utilização de verbas públicas nem recursos da Lei Rouanet.
O senador disse ainda que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período em que, segundo ele, ainda não existiam suspeitas públicas envolvendo o banqueiro.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou.
Na parte final da nota, Flávio Bolsonaro voltou a defender a criação de uma CPI para investigar o Banco Master e criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já”, declarou.
