Governo pode aumentar mistura de etanol na gasolina para 32%; entenda o que muda
Conselho Nacional de Política Energética analisa proposta para elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%; medida pode reduzir importações e impactar o preço do combustível
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil
O governo federal deve anunciar nesta quarta-feira (8) o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. A proposta será analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em reunião marcada para as 9h, no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília.
A expectativa é de que o colegiado aprove a elevação da mistura dos atuais 30% para 32%, modelo conhecido como E32. Após a reunião, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, concederá entrevista coletiva para detalhar as decisões tomadas.
A medida vinha sendo aguardada desde maio. O tema chegou a ser incluído na pauta de reuniões anteriores do CNPE, mas as discussões foram adiadas por questões de agenda.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia antecipado, em abril, a intenção do governo de ampliar a mistura obrigatória de etanol para 32% e elevar o percentual de biodiesel no diesel para 16%, antes mesmo da deliberação oficial do conselho.
Testes e segurança energética
Quando a mistura obrigatória passou para 30%, em 2025, foram realizados testes para avaliar o desempenho dos veículos e a compatibilidade do novo combustível. Para o avanço ao E32, o Ministério de Minas e Energia considera que não há necessidade de repetir esses ensaios, entendimento que gerou questionamentos de parte do setor de combustíveis e motivou novas análises técnicas.
A proposta ganhou força nas últimas semanas após a alta dos preços internacionais do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio. Segundo o governo, ampliar a participação do etanol na gasolina pode reduzir a dependência brasileira de combustíveis importados e reforçar a segurança energética do país.
Impactos esperados
A possibilidade de ampliar a mistura foi prevista na Lei do Combustível do Futuro, que elevou de 27% para 35% o limite máximo permitido para a adição obrigatória de etanol anidro à gasolina.
De acordo com estimativas do Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 poderá reduzir a importação de aproximadamente 450 milhões de litros de gasolina por ano. A pasta também calcula que a medida evitará a emissão de cerca de 552 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e).
Além do impacto ambiental e energético, o governo avalia que o aumento da mistura pode contribuir para reduzir a pressão sobre os preços da gasolina ao consumidor, ao ampliar a participação de um combustível produzido no mercado interno.
Setor sucroenergético acompanha decisão
A expectativa pela aprovação da medida também é acompanhada pelo setor sucroenergético, que defende a ampliação do uso dos biocombustíveis como forma de fortalecer a produção nacional e estimular a descarbonização do transporte.
Caso a proposta seja aprovada pelo CNPE, o governo deverá divulgar os detalhes sobre o cronograma de implementação da nova mistura após a reunião desta quarta-feira.
