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Frangogate avança no Paraná e inclui empresa com aliados do governo e imóvel ligado ao próprio governador em meio a obras milionárias

Vídeos de Homero Marchese citam Esperança Nova e Iporã, exibem quadro societário de empresa ligada à cúpula estadual e apontam pavimentações próximas a propriedades de Darlan Scalco e do governador Ratinho Júnior

Por Gazeta do Paraná

Frangogate avança no Paraná e inclui empresa com aliados do governo e imóvel ligado ao próprio governador em meio a obras milionárias Créditos: Imagem reformulada com IA

O ex-deputado Homero Marchese ampliou o alcance das denúncias do chamado “Frangogate” ao divulgar dois novos vídeos que incluem os municípios de Esperança Nova e Iporã, no noroeste do Paraná. O material adiciona novos elementos à investigação ao relacionar investimentos públicos em pavimentação de estradas com propriedades rurais ligadas não apenas a aliados do governo, mas também ao próprio Ratinho Júnior.

Em Esperança Nova, Marchese apresenta documentos da empresa JMD Granja Uberaba Ltda, que, segundo ele, está sendo implantada na região da Estrada Jordão. O quadro societário exibido no vídeo aponta três nomes diretamente ligados ao núcleo político estadual.

O primeiro é João Biral Júnior, descrito como amigo de infância do governador e ex-conselheiro de estatais durante a atual gestão. O segundo é Marcel Henrique Micheleto, ex-líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná, ex-secretário estadual e atual prefeito de Assis Chateaubriand. O terceiro é Darlan Scalco, ex-prefeito de Pérola e atual chefe de gabinete do governador.

A empresa foi aberta em 2024, tem sede na zona rural de Esperança Nova e capital social declarado de R$ 15 mil. O endereço informado coincide com a Estrada Jordão, onde, segundo o próprio vídeo, o governo do Estado destinou cerca de R$ 4 milhões para pavimentação de quatro quilômetros.

“Sabe quem está lançando o empreendimento no quilômetro 6 da Estrada Jordão? […] três homens fortes do governo”, afirma Marchese.


Ainda no município, o ex-deputado aponta um segundo investimento. A Estrada Myland, que até 2024 era de chão, recebeu R$ 7,5 milhões do governo estadual, com complemento de R$ 1 milhão da prefeitura, para pavimentação de sete quilômetros. Segundo ele, a obra alcança outro imóvel ligado a Darlan Scalco.

Os novos vídeos ampliam uma linha de apuração já construída em São Jorge do Patrocínio e Pérola. Nessas cidades, Marchese também relacionou investimentos públicos em pavimentação com propriedades associadas a integrantes do governo ou seus círculos próximos. Em São Jorge do Patrocínio, o valor citado foi de cerca de R$ 5 milhões. Em Pérola, aproximadamente R$ 6,5 milhões.

A reportagem da Gazeta do Paraná identificou, no Portal da Transparência de São Jorge do Patrocínio, um contrato de terraplenagem no valor de R$ 2,28 milhões. Apesar da existência formal, não estão disponíveis o contrato completo nem as atas da licitação, o que impede a verificação detalhada da execução dos serviços.

No segundo vídeo mais recente, Marchese inclui o município de Iporã e introduz um novo elemento nas denúncias: a relação direta com propriedade atribuída ao próprio governador.

Segundo ele, há na região quatro imóveis rurais adquiridos em 2022, incluindo áreas ligadas a Darlan Scalco e também ao Ratinho Júnior. O ex-deputado afirma ainda que o governador teria adquirido, por volta de 2025, uma fazenda no distrito de Vila Nilza, localizado no município de Iporã.

A partir desse ponto, ele aponta uma nova coincidência envolvendo recursos públicos. De acordo com Marchese, o governo estadual anunciou investimento superior a R$ 7 milhões para pavimentação da estrada que leva até essa propriedade.

“Curiosamente, o governo do estado está anunciando investimento […] para pavimentar essa estrada que leva à fazenda do governador”, afirma.

A inclusão do nome do próprio chefe do Executivo estadual nas denúncias altera o patamar do caso, que até então se concentrava em aliados e integrantes da estrutura administrativa.

Ao longo dos vídeos, Marchese sustenta que não questiona a importância das obras, mas a forma como os investimentos estariam sendo distribuídos. “O investimento público é muito importante, mas tem que beneficiar todos e não apenas promover interesses particulares”, diz.

Com a inclusão de Esperança Nova e Iporã, o “Frangogate” passa a abranger ao menos quatro municípios do noroeste paranaense, todos com elementos semelhantes envolvendo aquisição de imóveis, empreendimentos rurais e investimentos públicos em infraestrutura viária.

Até o momento, não há manifestação oficial do governo do Paraná, dos municípios citados ou dos nomes envolvidos sobre as declarações.

Com a apresentação de documentos empresariais, valores específicos e novos endereços, o caso avança e amplia o foco sobre um ponto central: os critérios que orientam a aplicação de recursos públicos no interior do estado e suas possíveis conexões com interesses privados.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp