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Fiep pede aos EUA exclusão de produtos do Paraná de tarifa de 25% sobre exportações brasileiras

Federação protocolou defesa no USTR e alerta que cerca de 80% das exportações industriais do Paraná aos Estados Unidos podem ser afetadas

Fiep pede aos EUA exclusão de produtos do Paraná de tarifa de 25% sobre exportações brasileiras Créditos: Fiep/Reprodução

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apresentou uma defesa formal ao governo dos Estados Unidos contra a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O documento foi protocolado no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avalia a adoção da medida.

Além da manifestação escrita, a Fiep participará da audiência pública marcada para os dias 6 e 7 de julho, em Washington, onde reforçará o pedido para que os produtos paranaenses sejam excluídos da eventual sobretaxa.

Para elaborar a defesa, a entidade contratou um escritório de advocacia especializado em comércio internacional, com atuação no Brasil e nos Estados Unidos.

Exportações do Paraná podem ser afetadas

Segundo a Fiep, a eventual tarifa poderá atingir aproximadamente 80% das exportações da indústria paranaense destinadas aos Estados Unidos, comprometendo a competitividade de segmentos estratégicos e relações comerciais consolidadas ao longo de décadas.

A defesa reúne informações sobre produtos que representam cerca de US$ 1 bilhão dos US$ 1,3 bilhão exportados pela indústria do Paraná ao mercado norte-americano em 2025.

De acordo com a entidade, a sobretaxa pode gerar impactos diretos sobre investimentos, empregos, cadeias produtivas e custos tanto para empresas brasileiras quanto para importadores e consumidores dos Estados Unidos.

Madeira, café e tilápia estão entre os produtos

A Fiep solicita que diversos produtos da pauta exportadora paranaense sejam incluídos em uma lista de exceções, caso as tarifas sejam efetivamente implementadas.

Entre os itens citados estão produtos de madeira, como compensados, molduras, madeira serrada, pisos e portas, além de móveis, revestimentos cerâmicos, papel, café instantâneo, mel, filés de tilápia, couro bovino, enzimas, resinas, dextrinas e equipamentos ortopédicos.

A entidade também defende que produtos já abrangidos pela Seção 232 da legislação comercial norte-americana, caso do setor metalmecânico, não sejam novamente tributados pela investigação da Seção 301, evitando a incidência de uma dupla cobrança.

Defesa destaca impactos para os Estados Unidos

Na manifestação apresentada ao USTR, a Fiep argumenta que os produtos exportados pelo Paraná não têm relação com os temas investigados pelo governo norte-americano e são provenientes de cadeias produtivas sustentáveis e rastreáveis, como ocorre com a madeira oriunda de florestas plantadas certificadas.

A entidade também afirma que muitos desses produtos são insumos essenciais para a indústria dos Estados Unidos e não possuem fornecedores alternativos capazes de atender à demanda com o mesmo volume, qualidade e preço.

Outro argumento é que a adoção das tarifas poderá elevar custos para fabricantes, importadores e consumidores norte-americanos, aumentar a pressão inflacionária e comprometer cadeias de suprimentos, sem contribuir para os objetivos da investigação comercial.

Representantes participarão de audiência em Washington

Além da defesa protocolada, a Fiep levará seus argumentos à audiência pública promovida pelo USTR na próxima semana.

A entidade será representada pelo diretor Paulo Roberto Pupo, coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais da Fiep e superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), e pelo superintendente da Federação, João Arthur Mohr.

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