Energia solar em Itaipu avança como aposta estratégica e pode dobrar capacidade de geração
Projeto-piloto com painéis flutuantes no reservatório transforma usina em laboratório para expansão de energia limpa e pressiona mudanças no tratado binacional
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Agência Brasil
A Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores geradoras de energia do mundo, começa a olhar para além das turbinas. Um projeto experimental de energia solar instalado sobre o reservatório da usina aponta para um cenário ambicioso: a possibilidade de, no futuro, dobrar a capacidade de geração elétrica por meio da combinação entre hidrelétrica e fotovoltaica.
A iniciativa, ainda em fase de testes, opera com uma planta de apenas 1 megawatt-pico (MWp), suficiente para abastecer cerca de 650 residências. Hoje, a energia gerada não é comercializada e serve exclusivamente para consumo interno da usina, funcionando como um laboratório a céu aberto para avaliar impactos e viabilidade da tecnologia.
Laboratório no lago
O projeto faz parte da chamada “ilha solar”, instalada no reservatório do Rio Paraná. A estrutura, concluída em 2025, reúne mais de 1,5 mil painéis fotovoltaicos flutuantes ancorados no espelho d’água — uma área equivalente a cerca de um campo de futebol.
Mais do que gerar energia, a proposta é entender como esse tipo de tecnologia se comporta em larga escala. Engenheiros monitoram desde a influência dos ventos sobre os painéis até possíveis impactos ambientais, como alterações na temperatura da água e efeitos sobre peixes e algas.
A lógica é clara: antes de transformar o reservatório em uma nova frente de produção energética, é preciso medir riscos, eficiência e sustentabilidade.
Potencial bilionário
Os primeiros resultados indicam que o lago de Itaipu pode se tornar uma base estratégica para expansão da energia limpa. Em termos teóricos, o potencial impressiona.
Segundo técnicos da usina, a cobertura de cerca de 10% do reservatório com placas solares poderia gerar energia equivalente à de uma nova Itaipu — ou seja, duplicar a capacidade atual da usina, que já soma cerca de 14 mil megawatts instalados.
Apesar do número expressivo, o próprio corpo técnico ressalta que esse cenário está longe de se concretizar no curto prazo. A ampliação depende de estudos mais aprofundados e, principalmente, de mudanças no Tratado de Itaipu, firmado entre Brasil e Paraguai em 1973.
Expansão e tarifa no radar
A aposta em novas fontes renováveis, como a solar, ocorre em paralelo a um movimento mais amplo da binacional para modernizar sua matriz energética e reduzir custos.
Nesse contexto, a direção brasileira da usina já sinalizou que a estratégia pode contribuir para tarifas mais baixas a partir de 2027, quando entram em discussão novas condições comerciais da energia produzida pela hidrelétrica.
A diversificação das fontes — incluindo solar, biogás e hidrogênio verde — é vista como caminho para aumentar eficiência, reduzir dependência de regimes hidrológicos e ampliar a competitividade da energia gerada.
Uma nova Itaipu?
A transformação do reservatório em um parque híbrido, combinando água e sol, coloca Itaipu no centro de uma nova etapa da transição energética no Brasil.
Se hoje o projeto ainda é experimental, os números indicam que o potencial vai muito além de um teste tecnológico. Na prática, Itaipu pode deixar de ser apenas a maior hidrelétrica do país para se tornar também um dos maiores polos de energia solar do mundo.
Por enquanto, o sol começa a disputar espaço com a força das águas — e a conta dessa equação pode redefinir o futuro energético da região.
Créditos: Redação
