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Prazo dado pelo Senado à Copel termina sem divulgação pública de plano para enfrentar apagões Créditos: Copel

Prazo dado pelo Senado à Copel termina sem divulgação pública de plano para enfrentar apagões

Cronograma de 30 dias estabelecido pela Comissão de Infraestrutura chegou ao fim; entidades do agronegócio e da indústria cobram medidas após prejuízos com quedas de energia no Paraná

Terminou nesta semana o prazo de 30 dias estabelecido pelo Senado Federal para que a Copel apresentasse um plano de ação para enfrentar as constantes quedas de energia que vêm gerando prejuízos a consumidores, produtores rurais e indústrias paranaenses. Até o fechamento desta reportagem, no entanto, não havia divulgação pública do documento prometido pela companhia durante audiência realizada em Brasília no início de maio.

A cobrança surgiu após representantes do agronegócio, da indústria e de entidades do setor produtivo relatarem prejuízos causados pelas interrupções no fornecimento de energia elétrica. Um dos casos que chamou atenção ocorreu em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Estado, onde cerca de 20 mil frangos morreram após uma queda de energia em uma granja.

Na audiência promovida pela Comissão de Infraestrutura do Senado, a Copel assumiu o compromisso de elaborar um plano contendo ações para reforçar a rede elétrica, principalmente nas áreas rurais. O documento deveria ser encaminhado à comissão em até 30 dias.

O prazo expirou justamente em um momento em que seguem as reclamações de consumidores sobre oscilações e interrupções no fornecimento. Desde a privatização da companhia, produtores rurais, empresários e lideranças regionais têm intensificado as críticas à qualidade dos serviços prestados.

Durante o debate no Senado, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette, afirmou que a energia elétrica deixou de ser apenas um insumo para se tornar um fator de risco para a atividade agropecuária paranaense.

Representantes da indústria também relataram impactos causados por falhas, inclusive interrupções de poucos segundos capazes de paralisar linhas de produção automatizadas e provocar prejuízos significativos.

Além da exigência de um plano de ação por parte da Copel, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que intensificaria a fiscalização sobre a concessionária. A agência informou que houve aumento nas reclamações registradas por consumidores e confirmou que a empresa passaria a integrar um conjunto de ações de fiscalização técnica previstas para este ano.

Outro fator que aumentou a insatisfação de consumidores e setores produtivos foi a perspectiva de reajuste tarifário. Enquanto usuários enfrentam reclamações sobre a qualidade do serviço, a revisão tarifária discutida pela Aneel prevê aumentos que podem chegar a 19% para consumidores em geral e ultrapassar 50% em alguns segmentos industriais.

Na audiência de maio, dirigentes da Copel atribuíram parte dos problemas ao aumento de eventos climáticos extremos, como tempestades e vendavais. A companhia também anunciou investimentos em ampliação da rede, contratação de equipes e criação de canais específicos de atendimento ao setor rural.

A principal promessa feita pela empresa era apresentar medidas capazes de reforçar o sistema elétrico antes do período de maior incidência de chuvas e temporais, tradicionalmente registrado entre setembro e outubro.

Com o encerramento do prazo estabelecido pelo Senado, cresce agora a expectativa de produtores, empresários e consumidores para saber quais ações efetivamente serão adotadas para enfrentar um problema que, segundo entidades do setor produtivo, tem causado prejuízos recorrentes em diferentes regiões do Paraná.

A Gazeta do Paraná procurou a Copel para informar se o plano foi entregue ao Senado e quais medidas estão previstas. O espaço permanece aberto para manifestação da companhia.

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