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Polícia Nacional prende 11 suspeitos de fraude eleitoral contra direita no Peru

Com 95% dos votos apurados, candidato da esquerda tem vantagem de 0,6%

Por Oswaldo Eustáquio

Polícia Nacional prende 11 suspeitos de fraude eleitoral contra direita no Peru Créditos: Reprodução — Jornal Peru 21

A Polícia Nacional do Peru prendeu 11 suspeitos de adulterar cédulas e manipular atas eleitorais no dia em que o país escolhia seu presidente. Flagrante. Em plena votação a esquerda no mesmo modus operandi que ocorreu na Venezuela, fraude confirmada pela recontagem dos votos. Meses depois o ditador Maduro foi capurado pela CIA.  E pelo menos um dos detidos, neste domingo, no Perú, era ligado  diretamente ao partido da esquerda.

Chama isso pelo nome: tentativa de fraude eleitoral.

Não foi pouca coisa.

Foram encontradas mais de 200 cédulas com marcas e riscos suspeitos. Material lacrado, provas preservadas, investigação aberta. 

E tem mais.

Entre os detidos, um nome chamou atenção: um homem de 81 anos identificado como personeiro do partido Juntos por el Perú — a legenda de esquerda que lançou o candidato Roberto Sánchez à presidência. O próprio partido tentou se desassociar, alegando que o indivíduo era filiado ao APRA. Mas a pergunta não some: o que um suposto personeiro da esquerda fazia manipulando cédulas numa mesa onde não estava credenciado?

A pergunta é legítima. A investigação dirá.


Os votos do exterior devem definir o pleito. Nos EUA e na Espanha, a direita tem forte vantagem. Mas é preciso vigiar essas atas eleitorais. Estive pessoalmente no Consulado do Peru em Madrid nesta segunda. 

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O que o número esconde

Presta atenção nisto.

Durante quase toda a apuração — em torno de 85% das atas contabilizadas — Keiko Fujimori, da Fuerza Popular, estava à frente. A direita peruana vencia.

Então o cenário virou.

Com cerca de 95% das atas apuradas, o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, assumiu a liderança por menos de 0,15 ponto percentual: 50,06% contra 49,94% de Keiko. Uma diferença de aproximadamente 26 mil votos num universo de quase 18 milhões.

Isso é uma faca no fio.

E faltam ainda cerca de 5% das atas — concentradas justamente em Lima e no voto exterior. São exatamente as regiões onde historicamente Keiko tem desempenho mais forte. O cenário pode mudar. A direita ainda pode vencer.


Por que isso importa ao Brasil

Não é curiosidade geográfica.

O Peru faz parte do que muitos analistas chamam de Escudo das Américas — o conjunto de nações que resiste ao avanço do socialismo bolivariano na região. Argentina com Milei, El Salvador com Bukele, Paraguai, Uruguai. E o Peru, com Fujimori, poderia fortalecer esse bloco.

Uma vitória da esquerda em Lima, especialmente se acompanhada de denúncias de fraude não investigadas, é um sinal vermelho para toda a América Latina.

Nós, brasileiros, sabemos o que acontece quando irregularidades eleitorais são ignoradas.

Sabemos o preço.


O que precisa ser dito

Os detidos precisam ser investigados com rigor. Os mandantes, se houver, precisam ser identificados. As cédulas adulteradas precisam ser periciadas.

E a apuração precisa terminar com transparência total.

Não basta ganhar. Precisa ganhar limpo.

Ou então — e isso vale para qualquer lado — o resultado não tem legitimidade.

O Peru está em suspenso. A América Latina observa.

E nós, que sabemos o que é viver sob o peso de um processo eleitoral manchado, temos obrigação de não desviar o olhar.


Aqui o jornalista Oswaldo Eustáquio, do alto do meu segundo exílio — por enquanto.

Créditos: Oswaldo Eustáquio Acesse nosso canal no WhatsApp