Caso Orelha: polícia pede internação de adolescente e indicia três adultos
Investigação da Polícia Civil de Santa Catarina aponta autoria do crime e identifica tentativa de coação de testemunhas
Créditos: Reprodução/Redes sociais
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e solicitou à Justiça a internação de um adolescente apontado como autor do crime. Além disso, três adultos foram indiciados por coação de testemunhas durante o andamento do inquérito. As informações foram divulgadas nesta semana pela corporação.
De acordo com a polícia, a identificação do responsável ocorreu após a análise de mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança instaladas na região da Praia Brava, em Florianópolis. Ao todo, 14 equipamentos foram examinados. Também foram ouvidas 24 testemunhas e oito adolescentes que chegaram a ser investigados ao longo do processo.
Segundo a apuração, a polícia reuniu provas como vídeos, depoimentos e peças de roupa utilizadas no dia do crime, entre elas um moletom e um boné apreendidos após o retorno do adolescente ao Brasil. Um software de geolocalização também foi utilizado para confirmar a presença do investigado no local e no horário do ataque que resultou na morte de Orelha.
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Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil solicitou a internação do adolescente, medida prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e equivalente à prisão no sistema socioeducativo. A corporação informou ainda que a extração e análise dos dados de celulares apreendidos devem reforçar as provas já reunidas.
A investigação também identificou a atuação de três adultos, que foram indiciados por coação de testemunhas. Segundo a polícia, essas pessoas teriam tentado interferir no andamento do inquérito. Os trabalhos foram conduzidos pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e pela Delegacia de Proteção Animal, ambas de Florianópolis.
Outro ponto destacado pela polícia é que o adolescente deixou o país no mesmo dia em que os investigadores avançaram na identificação dos suspeitos. O crime ocorreu em 4 de janeiro, e o jovem permaneceu nos Estados Unidos até 29 de janeiro. No retorno ao Brasil, ele foi abordado ainda no aeroporto.
Conforme a Polícia Civil, um familiar tentou esconder peças de roupa usadas no dia do crime e apresentou versões contraditórias sobre a origem do moletom. As inconsistências também apareceram no depoimento do adolescente, especialmente em relação aos horários e deslocamentos registrados pelas câmeras de segurança.
A corporação divulgou ainda uma cronologia detalhada do dia do crime e afirmou que evitou a divulgação antecipada de informações para não comprometer a investigação, já que o principal suspeito estava fora do país.
Com a conclusão do inquérito, o material foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário para análise das medidas cabíveis. A defesa de um dos adolescentes investigados informou, em nota, que contesta as conclusões da polícia e afirma que não teve acesso integral aos autos.
Além do caso Orelha, a Polícia Civil também finalizou a apuração de maus-tratos contra outro cão comunitário, conhecido como Caramelo. Segundo a investigação, adolescentes tentaram afogar o animal no mar, mas ele conseguiu escapar e foi resgatado. Quatro menores foram responsabilizados nesse episódio. Caramelo acabou adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina.
