Oito camisinhas, Rei Leão e climão: a versão de Thayane sobre o caos no Pico do Paraná
Entre oito camisinhas, climão na barraca e um parceiro “broxante”, a trilha no Pico do Paraná terminou em desaparecimento, acusações de abandono e conclusão do MP: houve omissão de socorro
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução redes sociais
Se alguém subiu o Pico do Paraná esperando aventura, romance e química, essa pessoa foi Thayane Smith. E ela mesma não esconde isso. “Não foi à toa que eu levei um pacote de oito camisinhas”, confessou no vídeo em que resolveu dar sua versão da história que virou caso nacional. O problema é que, segundo ela, a expectativa morreu bem antes do nascer do sol.
De acordo com Thayane, o combo que acabou com qualquer clima foi rápido: conversa demais, zero liderança e um repertório musical… discutível. No meio da trilha, enquanto ela lidava com cansaço, sede e fome, Roberto estaria cantando música do Rei Leão. “Ele ficava cantando ‘Hakuna Matata’”, relatou, sem esconder o ranço. O resultado? “Foi totalmente broxante desde o início da trilha”.
O incômodo não parou por aí. Segundo ela, Roberto falava sem parar, inclusive na barraca, quando tudo o que ela queria era dormir. “Eu falava: cala a boca, eu quero dormir”, contou. Em outro momento, diz que ele ainda tentou fazer cócegas quando ela estava exausta — o tipo de iniciativa que, em vez de aproximar, só piorou o clima.
Apesar de relatar que dormiram juntos para se proteger do frio, Thayane faz questão de negar qualquer situação de assédio. “Ele não tentou me estuprar, não tentou nada forçado”, afirma, dizendo que impôs limites claros e que eles foram respeitados. Ainda assim, não economizou na sinceridade: “Mesmo se eu quisesse, não ia rolar nada entre eu e o Roberto”.
A parte mais espinhosa da história vem depois. Na descida, os dois se separaram em um trecho confuso da trilha. Thayane diz que seguiu o caminho que estava sinalizado, enquanto Roberto teria ido para o lado errado. Ela afirma que esperou por ele por mais de uma hora em um ponto conhecido como A1, chegou a dormir e só depois percebeu que algo estava errado.
É aí que entra a palavra que virou munição nas redes: abandono. Thayane nega com todas as letras. “Eu não abandonei o Roberto”, insiste. Segundo ela, tentou procurá-lo com outros trilheiros, deixou objetos como marcação no caminho e, ao perceber que estava sem água e comida, tomou a decisão de descer para pedir ajuda. “Eu vou sair na frente porque eu vou me salvar”, disse, explicando que continuar na mata poderia colocar sua própria vida em risco.
No fim, o que era para ser trilha, desafio pessoal e — por que não? — um possível romance, virou uma mistura de climão, frustração e julgamento público. De um lado, oito camisinhas que não cumpriram seu destino. Do outro, um parceiro descrito como “sem liderança”, “falador” e cantor inconveniente do Rei Leão. No meio disso tudo, uma história que saiu da montanha direto para o tribunal das redes sociais.
Entenda o caso
O incidente começou no Pico do Paraná, onde os trilheiros Thayane Smith e Roberto Farias Thomaz subiram no dia 31 de dezembro de 2025 para ver o nascer do sol. Na volta da trilha, no dia 1º de janeiro, Roberto se perdeu e ficou cinco dias desaparecido até ser encontrado com vida após seguir o curso de um rio e chegar a uma fazenda. A presença de Thayane e sua conduta durante o episódio se tornaram alvo de debate nas redes sociais, com acusações de que ela teria deixado o parceiro em situação de vulnerabilidade e não prestado assistência. Com base na análise dos depoimentos, do comportamento de Thayane no percurso e de alertas dados por outros montanhistas, o Ministério Público do Paraná concluiu que houve omissão de socorro, entendendo que ela teria optado por seguir o próprio caminho mesmo ciente da condição física debilitada de Roberto e sem acionar ajuda adequada. O MP denunciou Thayane por esse crime previsto no artigo 135 do Código Penal brasileiro — que trata da obrigação de prestar assistência ou acionar ajuda — e propôs medidas como indenizações ao jovem, ressarcimento aos Bombeiros e prestação de serviços comunitários, além do envio do caso ao Juizado Especial Criminal após a discordância com o arquivamento do inquérito pela Polícia Civil.
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