Carlos Bolsonaro mira Santa Catarina após deixar mandato no Rio e cargo no PL
Após mais de duas décadas como vereador no Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro articula sua pré-candidatura ao Senado por Santa Catarina. Movimento ocorre enquanto Flávio Bolsonaro desponta como pré-candidato ao Planalto e pode deixar de integrar a próxima legislatura do Senado
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Guilherme Nery/CMRJ
A movimentação de Carlos Bolsonaro (PL) rumo a Santa Catarina ganhou novos contornos políticos nos últimos dias. Após mais de duas décadas como vereador no Rio de Janeiro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou a renúncia ao mandato e também deixou o cargo que ocupava na direção nacional do Partido Liberal (PL), concentrando suas atenções na articulação de uma pré-candidatura ao Senado por Santa Catarina. A decisão não apenas antecipou a disputa eleitoral no Estado, como reforçou a percepção de que o território catarinense se tornou estratégico para o projeto político da família Bolsonaro.
A mudança representa uma ruptura significativa na trajetória de Carlos. Ele construiu toda a sua carreira política no Rio de Janeiro, onde foi eleito vereador pela primeira vez em 2000 e permaneceu no cargo por mais de 25 anos. Agora, busca transferir seu capital político para um estado onde nunca exerceu mandato eletivo, mas que se consolidou como um dos principais redutos do bolsonarismo no país.
A escolha por Santa Catarina também não ocorre em um cenário isolado. O estado já abriga outro integrante da família Bolsonaro na política institucional. Renan Bolsonaro, filho mais novo do ex-presidente, exerce mandato como vereador em Balneário Camboriú. Com a chegada de Carlos ao cenário catarinense, a família amplia sua presença política em um dos estados onde Jair Bolsonaro obteve alguns de seus melhores desempenhos eleitorais nas últimas eleições presidenciais.
A movimentação também possui reflexos nacionais. Flávio Bolsonaro, atualmente senador pelo Rio de Janeiro, é apontado como um dos principais nomes do campo bolsonarista para disputar a Presidência da República em 2026. Caso essa candidatura seja confirmada, ele não disputará uma nova vaga no Senado e, por consequência, não integrará a legislatura que se inicia em 2027. Nesse contexto, uma eventual eleição de Carlos por Santa Catarina manteria um integrante da família ocupando uma cadeira no Senado Federal. Embora não haja declaração pública relacionando diretamente as duas movimentações, o cenário evidencia uma reorganização da presença institucional da família Bolsonaro no Congresso Nacional.
A chegada de Carlos ao estado provocou reação imediata entre adversários políticos. Lideranças do PT e do PSOL passaram a questionar a legitimidade de sua pré-candidatura, sustentando que a escolha por Santa Catarina teria caráter exclusivamente eleitoral. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador de Florianópolis Afrânio Boppré (PSOL) afirmou que a discussão não diz respeito ao local de nascimento de Carlos Bolsonaro, mas à motivação de sua mudança de domicílio político.
“Você escolheu Santa Catarina por oportunismo eleitoral. E é isso que muita gente questiona”, afirma Boppré no vídeo.
Além das críticas públicas, a disputa chegou ao Judiciário. O presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima (PT), e a deputada federal Ana Paula Lima ingressaram com uma ação para tentar suspender a Medalha Centenário concedida a Carlos Bolsonaro pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. O pedido liminar foi rejeitado pela Justiça, que entendeu não haver elementos para impedir a homenagem naquele momento.
A movimentação de Carlos simboliza uma mudança na geografia eleitoral da família Bolsonaro. Tradicionalmente concentrada no Rio de Janeiro, a atuação política do grupo passa a incorporar Santa Catarina como um de seus principais polos de influência. A combinação entre a presença de Renan Bolsonaro na política municipal e a tentativa de Carlos de conquistar uma cadeira no Senado reforça a importância estratégica do estado para o projeto nacional do bolsonarismo.
Mesmo antes do início oficial da campanha, a pré-candidatura já desencadeou uma intensa disputa política, envolvendo vídeos, manifestações públicas, ações judiciais e embates nas redes sociais. O cenário indica que a corrida pelo Senado em Santa Catarina tende a assumir protagonismo no debate nacional, transformando o estado em um dos principais palcos da polarização política nas eleições de 2026.
Créditos: Redação
